domingo, maio 31

: Recados à Macaquinha [4]

Vista da serra em Vila Nova do Ceira - 2010

Macaquinha, mesmo não sendo romântica gosto de romantizar as primeiras vezes. Provavelmente isto é confuso para ti mas, quando chegares a uma certa idade em que tentas recuperar o sentido da vida, irás agarrar-te aos sentimentos que te enchem o coração. Mesmo que esses sentimentos estejam no passado. Gosto de recordar as primeiras vezes, até lhes perder a conta, como quem vive de novo aquele momento que nos arrepiou a alma. Macaquinha, não falo daquelas alturas em que ficamos com pele de galinha. Falo daquelas alturas em que as palavras não conseguem descrever aquilo que sentimos. E uma das que mais recordo foi a minha primeira grande viagem, sozinha. Tinha dezoito anos há poucos meses e decidi inscrever-me num curso que iria decorrer nas férias da Páscoa. Para isso foi preciso ir até Coimbra e depois até uma aldeia chamada Vila Nova do Ceira. Fiz o percurso até Coimbra de comboio e depois de autocarro até perto da aldeia. Nunca antes, na minha curta vida, me tinha sentido tão livre como no dia em que entrei no intercidades e ele arrancou, deixando a tua avó na plataforma. Naquele momento passei a depender só de mim e tudo fiz para usufruir daquele momento ao máximo. Acredita, meu amor, as melhores viagens são feitas de comboio. Aquele embalo suave que os carris nos proporcionam; as paisagens que nos pintam os olhos; as localidades que vemos passar. Naquela viagem sonhei. Apaixonei-me por Coimbra assim que lá pousei os pés. Perdi-me ao procurar a paragem do autocarro e, graças a isso, encontrei o único vestido de noiva que gostaria de usar. Passei a melhor semana da minha vida. Nessa semana percebi que a maturidade que eu já julgava ter era real. Existia. Já pertencia ao meu ser. E, por tudo isso, vou querer que também tu faças uma destas viagens. Não me peças que te deixe ir para aquelas viagens de finalistas que têm tudo para correr mal. Quando tiveres idade suficiente deixar-te-ei viajar com os teus amigos. Uma viagem dentro das nossas fronteiras, neste país que tão belo é. Irei deixar-te entrar no comboio e ficarei a vê-lo afastar. Irei dar-te o mesmo espaço que me deram para descobrir o mundo; Descobrir-me a mim. Irás descobrir-te e voltar mais segura de ti. E, acredita em mim, depois disto nunca mais deixarás de querer viajar. Não desesperes: um dia chegará o teu dia.

sexta-feira, maio 29

: 14 (dos meus) hábitos em viagem.


Adoro viajar! Aliás, quem não gosta?! Haverá coisa melhor do que sair da rotina, conhecer um local novo e voltar a casa com o espírito renovado? Mas até para viajar é preciso ter algumas coisas em conta. E, por isso mesmo, decidi mostrar-vos a lista de hábitos que eu tenho sempre que faço uma viagem.

quinta-feira, maio 28

: As crianças é que sabem!



Ou sabem quase tudo, vá.

Eu adoro usar calções e saias no verão. Adoro andar o mais fresca possível e, felizmente, posso usar esse tipo de roupas no meu trabalho. Tudo com noção do que é apropriado, claro! Que isto não há espaço para poucas vergonhas...

Mas, muito sinceramente, nunca tinha levado um vestido para trabalhar. Principalmente porque não tinha nenhum com o qual me sentisse à vontade para usar por lá. Isso alterou-se durante esta semana. Comprei um vestido mais comprido e lá decidi ir trabalhar com ele, enfrentando de forma fresca o calor infernal que se fazia sentir. 

Mal eu calculava o "sucesso" que o vestido iria causar. Os meus pequenos nem são muito de dizer que ficamos giras com roupa x ou y. Dizem, bastantes vezes, que somos giras mas não fazem menção à nossa roupa. No entanto naquele dia decidiram quase todos dizer-me que eu ficava gira de vestido. Claro que fiquei logo com vontade de encher o meu roupeiro com ainda mais vestidos!

E se eles dizem que eu fico gira assim quem sou eu para desconfiar deles?

quarta-feira, maio 27

: Para descomprimir.


Esta semana está a ser complicada. Nem sempre o meu trabalho é facil - aliás poucos são os dias que passam sem eu dar conta - mas esta semana está a atingir o auge do stress para mim. E como o que eu menos gosto é andar stressada, visto que depois descarrego em quem não devo, ontem permiti-me "perder" tempo pelo youtube a ver vídeos de uma coisa que eu adoro: cover's. Tenho preferência por pessoas pouco famosas, sou sincera. Acho-as mais simples, mais directas, mais pessoais. Mais próximas! Desligo-me do mundo e perco-me nas suas vozes. Nos seus talentos.

Deixo-vos um dos vídeos que mais sorrisos me trouxe. Porque, no fundo, eu ainda sou a miúda pequena que até gosta de princesas! 



Agora é a vossa vez... 
Contem-me os vossos truques para descomprimir em semanas complicadas!

terça-feira, maio 26

: Aqui que ninguém nos ouve...


O meu relógio biológico já toca há vários anos. E ignorar este som estridente está a ser cada vez mais difícil. Se por um lado gostava que fosse agora o momento para aumentar a família por outro começo a pensar nos trabalhos super inseguros que temos, na casa que ainda não comprámos. Sei que nada disso deveria ser impedimento porque temos a sorte de ter mais do que muitos outros casais que conseguem, efectivamente, criar uma criança. Mas nestes momentos o meu lado racional fala mais alto e eu vou adiando. E, infelizmente, continuo a adiar.
Uma coisa é certa: antes dos trinta tenho de ser mãe!

segunda-feira, maio 25

: Antes de ele me amar.

[Adoro esta nossa fotografia!]

Apaixonar-me pelo David foi inesperado. Nem sei bem em que momento deixei de o ver como amigo e passei a vê-lo como algo mais. Mas uma coisa é certa: apaixonei-me primeiro. E sofri. Sofri porque, na altura, ele ainda gostava de outra rapariga. Sofri porque tive de lhe "mentir" e dizer-lhe para ele lutar por ela. Para, pelo menos, tentar que ela soubesse o que ele sentia. Mal ele na altura calculava o que eu sentia por ele. Eu ia deixando dicas, claro, mas como homem é óbvio que ele não entendeu nenhuma.

Foi no início de Julho que eu cheguei a um impasse. Por um lado passava os dias a falar com ele e apaixonava-me cada vez mais apesar de ele não demonstrar sentir o mesmo. Por outro lado falava com outra pessoa que só via como amigo mas que dizia gostar de mim. Desabafei tudo isto com uma amiga e ela respondeu-me aquilo que eu própria, se estivesse no meu perfeito juízo, teria pensado: "De que vale começares uma relação com alguém se não gostas dela? Luta por aquilo que realmente queres!"

Decidi fazer uma pausa. Afastei-me dos dois por um fim-de-semana, aproveitei os dias com uma amiga e esqueci que eles existiam. Qual não foi a minha surpresa quando, na segunda-feira seguinte, o David veio falar comigo assim que entrei no messenger. Apressou-se a dizer que tinha tido saudades minhas e que tinha passado os dias inteiros à espera de me ver entrar online. Acho que foi aí que se deu a reviravolta. Foi aí que eu percebi que aquela paixão que ele tinha pela outra rapariga se tinha dissolvido em todas as desilusões que ela já lhe tinha provocado. Foi aquele fim-de-semana de afastamento que o fez perceber tudo aquilo que ele andava a sentir e que o andava a deixar confuso.

Depois desse dia nunca mais sofri. E, ainda hoje, me apaixono cada dia um pouco mais. Ele costuma dizer-me que me ama mais porque é maior que eu. E eu respondo-lhe, de sorriso no rosto, que equilibro as contas porque comecei a amá-lo primeiro.


Se quiserem fazer alguma pergunta sobre mim, ele ou a nossa história estejam à vontade!
Irei responder-vos com um post ;)

domingo, maio 24

: Eu nem sou de modas mas...



... rendi-me às alpercatas e comprei umas - que foram amor à primeira vista - para me acompanharem neste verão que se aproxima a passos largos. Até agora não me arrependi nada desta compra visto que são bem confortáveis.

O verdadeiro desafio, agora, vai ser não perder a cabeça e comprar mais algumas com diferentes padrões... Vou evitar, durante todo o verão, as lojas de calçado!!

sábado, maio 23

: Das minhas mãos para as vossas estantes.


Nunca fui de ter muitos sonhos. Pelo menos não sonhos que no fundo eu saberia que nunca conseguiria cumprir. Pode não fazer sentido para vocês mas eu sempre sonhei com os pés bem assentes no chão. Tinha sonhos realistas: Ir a Paris; Ter a minha casa; Ser mãe; Ter um livro meu editado. 

Um deles, algo que muitos de vocês já sabe, já consegui cumprir. Escrevi, já há três anos, um livro e tive a felicidade de ver o meu livro - Sintonia - editado pela Chiado Editora. Pulei de felicidade quando descobri. Adorei todo o processo de edição. Sorri no dia do lançamento ao ver amigos e familiares a apoiarem-me. Seria de prever que eu quisesse essa vida para sempre. Mas não. 

Muitas pessoas ficam em choque quando eu digo que se voltasse atrás não voltaria a editar o livro. Não porque eu tenha vergonha daquilo que escrevi - muito pelo contrário - mas porque depois percebi que eu não fui feita para ser escritora. Não fui feita para ter de satisfazer os desejos das pessoas que pagam para me ler. Gosto de escrever pelo prazer de formar bonitos textos, não pela obrigação de completar um capítulo. E nem todas as críticas positivas me fizeram mudar de ideias. Adorei ouvi-las, claro, mas não me senti tão realizada quanto esperava. 

Muitas vezes me fazem a pergunta «para quando é o próximo?» e a minha resposta é sempre a mesma - para nunca. Adoro escrever e faço-o com toda a minha paixão mas não fui feita para todo o stress que envolve a edição e venda de um livro. Fui feita para o contacto directo com quem me lê. Fui feita para escrever para todos e não apenas para aqueles que comprem o meu livro.

Apesar de tudo acho mesmo que o Sintonia tem uma leitura agradável e tenho o maior orgulho nesta minha conquista. É, como eu costumo dizer, um romance nada romântico. É o romance que retrata partes da minha vida. Deu-me prazer escrevê-lo e, até agora, deu prazer a todos os que o leram. Se quiserem lê-lo também basta entrarem em contacto comigo e eu farei chegar até vocês um livro com uma dedicatória.


Sinopse: Paris, cidade das luzes e do amor. Lengfeld, um município campestre alemão. Paros, uma bela ilha grega. Barletta, uma cidade italiana à beira-mar. Locais na Europa que Jolene Gail, uma jovem de vinte e quatro anos, decide explorar em busca da inspiração certa para o seu novo livro. Fugindo do fantasma de um amor condenado ao fracasso e da solidão que sente, encontra conforto nas pessoas que vai conhecendo e lhe abrem os corações, partilhando as suas histórias. Começa então a entender que o futuro poderá vir a ser melhor do que imaginava e que as coisas verdadeiramente importantes espreitam de todos os cantos. Até mesmo daqueles pelos quais muitas vezes passou sem reparar. É neles que ela se procurará finalmente encontrar. Mas estará pronta para abraçar as mudanças e viver com as suas descobertas? 

sexta-feira, maio 22

: Ser tua.


Foste inteligente, não posso negar. Fizeste-me confiar em ti, reviraste o meu coração fazendo-o espreitar novamente o mundo e trouxeste-me até onde querias. Sabias desde o início que eu era feita de pedra mas, ainda assim, não te deixaste demover perante as muralhas que eu erguia. Foste conquistando o teu espaço, dia após dia. Foste a água que, de tanto me bater, lá conseguiu furar caminho até ao romantismo que eu já não sabia ter. Tanto esforço para quê? Para agora me deixares sozinha nas noites mas frias? Para agora atirares a toalha ao chão? Não te compreendo e este sufoco de pensamentos não me deixa dormir. Não me deixa descansar. Talvez tenha sido pelo desafio de conseguires pôr o meu mundo do avesso; Talvez te tenhas cansado de tanta luta. Mas porquê desistir de tudo agora? Agora que já sou tua. Agora que o meu coração te pertence por inteiro? Queria ouvir as respostas da tua boca mas sei que dificilmente te voltarei a ver. Tu és assim: um viajante que nunca regressa aos locais pelos quais passou. Foi loucura minha achar que também eu tinha o pedaço mais importante de ti. Foi loucura minha acreditar nas tuas promessas. Foi tudo, simplesmente, uma loucura minha.

Quem sabe um dia até voltes. Quem sabe um dia até te perdoe. Ou, quem sabe, nunca te consiga esquecer. O amor que me deste - este amor que me derreteu - servirá para voltar a congelar aquilo que, bem no fundo, eu sabia que nunca deveria ter entregue a ninguém. As cores ficaram esborratadas no quadro que era a nossa vida e agora sei que esta loucura não foi nada mais do que a minha falta de vontade de ver a verdade. Louca, por ti? Nunca mais!

quinta-feira, maio 21

: Há segredos só nossos.


Se eu algum dia vos contasse certos pensamentos que habitam na minha mente vocês nunca mais me veriam da mesma forma. 

quarta-feira, maio 20

: Recados à macaquinha [3]


Macaquinhaquando fores mais velha e me conheceres como a palma da tua mão irás perceber que eu ando sempre a sorrir. Não porque a minha vida seja perfeita mas porque tenho gosto em ser alegre. Tenho gosto em ver o lado positivo em tudo o que me acontece. Espero que herdes isso de mim. Sorrio por qualquer motivo e tenho um riso fácil. Ainda assim nem sempre solto gargalhadas. Mas hoje aconteceu. Numa simples brincadeira com um dos meninos do meu trabalho - um dia falar-te-ei de todos eles - soltei uma das gargalhadas mais genuínas de sempre. Enquanto fugia dele ouvi o seu riso, ouvi as outras crianças a rirem-se e não consegui controlar. Nesse momento foi como se uma descarga de felicidade tivesse sido libertada em todo o meu corpo. Sentei-me, abraçada a esse pequeno, sentindo-me leve. A voar. Fechei os olhos e sorri. Imaginei que eras tu a correr atrás de mim. Imaginei que era o teu riso que eu ouvia. Imaginei que eras tu que no final me apanhavas e que me abraçavas para não mais te fugir. E é isso que eu quero para o nosso futuro. Irmos passear ao parque e corrermos até ficarmos tão cansadas que nos temos que deitar na relva. Ignorar os olhares de todos aqueles que me julgarão louca ou me apontarão o dedo chamando-me criança. Mal eles sabem o quão bom é brincar. Gargalhar. Porque sorrir... sorrir é fácil. Mas uma boa gargalhada dá logo outra cor ao nosso dia. Torna-nos mais felizes.

De imensas coisas que desejo para o teu futuro a mais forte de todas é que a tua vida esteja recheada de gargalhadas. E que elas te façam voar; Ser feliz.

terça-feira, maio 19

: Uma questão de barbas.


Tenho que confessar que gosto de ver homens com barbas arranjadas. Tanto quanto gosto de ver um homem sem barba. O que eu não gosto mesmo é de ver aqueles emaranhados de pêlos que parecem albergar uma família de ratos. Sim, eu gosto de barbas. De preferência na cara dos namorados de todas as outras raparigas. Porque assim não me picam, nem me deixam toda vermelha na cara.

Para mal dos meus pecados o David acha que sem barba parece um puto portanto recusa-se a desfazê-la. Vá lá que a vai aparando quase todas as semanas e a coisa ainda se dá. Eu bem que tento que ele fique com a cara lisa mas ele finge que não me ouve e lá continua com a sua barba que mistura três cores: ruivo, loiro e moreno (é todo um arco-íris peludo). Estaria a mentir se dissesse que já me tinha habituado aquele constante arranhar quando me aproximo da sua cara. Há dias em que fico tão revoltada com os pêlos dele que penso ameaçá-lo com uma greve à própria da minha depilação. Claro que este protesto nunca terá pernas para andar... Se eu odeio pêlos nele, odeio-os ainda mais em mim!

Lá terei que (sobre)viver com aquela lixa humana que, pensando pelo lado positivo, lá me vai fazendo uma esfoliação facial sem eu gastar um único tostão.

segunda-feira, maio 18

: Souveniers do Litoral Alentejano

Vila Nova de Milfontes


Porto Côvo


Acordar todos os dias com vista para o rio. Perder-me no azul e decorar as marés. Calçar os ténis e percorrer toda a vila a pé. Conhecer as lojas locais e fazer as compras na mercearia. Comer um gelado ao final do dia numa gelataria perto de casa. Fazer geocaching e, graças a ele, conhecer locais aos quais não iríamos. Ver o pôr-do-sol e fazer vídeos parvos que ficarão para a posterioridade. Receber uma flor. Descobrir os pormenores de uma típica vila piscatória e sorrir às pessoas que se cruzam connosco. Fugir das praias cheias de gente e procurar a praia mais calma de todas. Arrepiar-me com a água fria mas ainda assim não tirar os pés de lá. Reflectir, descansar e pôr as ideias em ordem. Ficar em paz. 

Foi tudo isto que fiz no fim-de-semana. Coisas simples, a dois, que me encheram o coração. Coisas que não perdem o encanto mesmo sendo feitas todos os dias. Pormenores que me renovaram energias. Pudessem todos os fins-de-semana ser assim...

sábado, maio 16

: Até segunda!


Este blogue está oficialmente em pausa para um belo fim-de-semana a dois.


Segunda-feira trago-vos fotos dos caminhos que percorri!
Tenham uns excelentes dias...

quinta-feira, maio 14

: Hoje é Dia da Espiga.


Desde pequena que adoro o Dia da Espiga. Não só pela espiga em si, que sempre achei um dos ramos de flores mais bonitos, mas por ser feriado aqui na minha zona. Durante a faculdade deixei de poder aproveitar esta pausa mas desde há dois anos atrás que voltei a ficar em casa nesta quinta-feira.

Este ano sabe duplamente melhor, visto que amanhã também não trabalho e isso significa umas mini-férias por terras do litoral alentejano (já estou a contar as horas!!). Por enquanto estou a dar uma volta à casa que já precisava de uma limpeza mais profunda e depois, se ainda tiver tempo, talvez vá apanhar a minha espiga para pendurar atrás da porta da cozinha.

Para quem nunca tinha ouvido falar desta tradição aqui estão os elementos da espiga e seus significados:

Espiga – pão;
Malmequer – ouro e prata;
Papoila – amor e vida;
Oliveira – azeite e paz; luz;
Videira – vinho e alegria
Alecrim – saúde e força.

Quem mais desse lado que pode aproveitar este feriado?

quarta-feira, maio 13

: Sou praticamente uma anti-social!



Eu não sou de ter muitas amizades. Aliás, sou uma pessoa um pouco difícil de conquistar. Talvez pelos empurrões que outras pessoas me deram no passado ou, quem sabe, por ser assim o meu feitio. Fui, em tempos, muito tímida. Mesmo muito. Agora - devido ao meu trabalho - já não tenho problemas em ter de falar com pessoas desconhecidas. Mas, ainda assim, não troco mais do que duas palavras banais.

Para considerar alguém meu amigo é preciso um bom tempo de experiência. Tenho primeiro de ver se não serei só eu a remar por essa amizade. É por isso que tenho poucos amigos. Porque são poucas as pessoas que eu conheço que têm a capacidade de remar tanto (ou mais) do que eu. Conto-os pelos dedos das mãos. Se isso me importa? Nada! Porque sei que serão essas pessoas que estarão prontas para me ajudar em qualquer momento. Sei que serão essas pessoas que eu irei querer na minha vida até me transformar em cinzas. E, por essas pessoas, faço praticamente tudo. 

Ainda ontem larguei tudo o que tinha para fazer em casa e passei toda a manhã num hospital - que pessoalmente odeio cada vez mais - com uma amiga. Sei, sem pensar duas vezes, que ela faria o mesmo por mim. E isso é para mim amizade. 

É verdade, eu não tenho muitas amizades...

 Mas as que tenho valem o mundo.

segunda-feira, maio 11

: O minimalismo veio (mesmo) para ficar.

Primeiro abracei a ideia de viver com pouco. Depois dei uma volta à minha vida e limpei o exterior. Agora, num momento de boa loucura, comecei a limpar as redes sociais. No facebook passei de quase 400 amigos - amigos?! - para cerca de 60. Número esse que representa as pessoas que realmente fazem a diferença na minha vida. Sejam família, amigos ou vozes inspiradoras que eu gosto de ler. O próximo passo: instagram. 

Esta ideia de nos limparmos das coisas superficiais ajuda-me a ser feliz; a viver leve. Agora sim, encontrei um caminho para um bom futuro.

domingo, maio 10

: Façam figas por mim!!


Já ouvi dizer que a partir da próxima quinta-feira a temperatura máxima baixa dez graus mas é bom que este calor se mantenha para o próximo fim-de-semana, que eu quero poder aproveitar ao máximo as minhas mini-férias para passear e passar umas boas horas na praia!!


Que isto de estar tempo de praia em fins-de-semana de trabalho não dá com nada!

sábado, maio 9

: Recados à macaquinha [2]


Gosto de te imaginar pequena, de mão dada comigo, procurando o aconchego que só o meu colo te poderá dar. Talvez seja egoísmo mas não gosto de pensar que irás crescer: que um dia deixarás de precisar tanto de mim. Sei que esse é o ciclo da vida e que a minha mãe - tua avó - está a passar pelo mesmo, mas quando nos toca a nós tudo parece ficar pior. Entre todos os sonhos, que tenho acordada, dou por mim a imaginar-te a pedires-me para saíres com os teus amigos ou a teres o teu primeiro namorado. Imagino o que é estar do lado oposto aquele em que estou agora. Sabes macaquinha, assustam-me esses pensamentos. Porque no momento em que isso acontecer sei que todos os teus sentimentos irão estar à flor da pele. Assusta-me porque irás contar-lhes todos os teus segredos e nós - eu e o teu pai - ficaremos para trás. Não darás conta mas irás afastar-nos um pouco. Irás refugiar-te muitas vezes no teu quarto, que se irá tornar o teu mundo. Mas não te preocupes... Não te iremos fechar numa redoma. Não esperes toda a liberdade do mundo assim que a quiseres, mas iremos abrir espaço para que vivas a tua adolescência da forma mais saudável possível. Estarei atenta aos teus passos mas, ainda assim, deixar-te-ei tropeçar aqui e ali. Só assim poderás erguer-te mais forte e com mais certezas sobre a pessoa que és. Eu caí várias vezes e foi ao ver quem me ajudava a levantar que percebi o que realmente importava na vida. Limpei o meu coração e olhei em meu redor com outros olhos. Não gosto de imaginar que irás crescer porque sei que, inevitavelmente, irás sofrer. Gostaria de te prometer que poderia proteger-te de todos os males - não será isso que todas as mães querem? - mas não vou começar a nossa relação com falsas promessas. Posso, no entanto, garantir-te que estarei sempre a teu lado. Afinal de contas o nosso amor será incondicional. Ou talvez não aconteça nada disto e eu esteja aqui a divagar sem sentido. De qualquer das formas uma coisa é mais do que certa: nunca deixarei de te amar.

quinta-feira, maio 7

: Hora da confissão.



Nunca pensei que viesse a gostar desta vida de dona de casa. Não deixei de acreditar que os dois devem contribuir para o "normal" funcionamento da vida em casa - que é o que acontece por aqui! - mas, ainda assim, não me sinto mal por ser eu a tratar da maioria das coisas no nosso espaço. Tenho gosto em ver a casa arrumada e ando sempre a melgar a cabeça ao David para não deixar as coisas dele espalhadas. Há lá coisa melhor do que entrar no nosso lar e ter tudo nos sítios certos!

quarta-feira, maio 6

: Os pequenos pormenores deixam-me feliz.


Eu era daquelas crianças que gostavam de ter boas notas. E ficava feliz quando recebia uma nota ainda melhor do que aquela que estava a espera. Mas não esperava ficar ainda mais radiante por saber que os dois rapazes aos quais dou explicações estão a melhorar consideravelmente. Um deles, que anda no 4º ano, já tinha boas notas mas quando ele me mostrou que tinha tido 100% a Estudo do Meio agarrei-me logo a ele. Uma pessoa fica babada, não há como evitar. O outro rapaz, ao qual dou explicações de Francês de 9 º ano, conseguiu no período passado alcançar a positiva na pauta. 

Muitas das vezes saio da explicação a pensar que eles não me estiveram a ouvir. Saio de lá frustrada, cansada. Mas, no final de contas, ele ouvem-me. Melhor... dizem aos pais que gostam da explicação e que sentem que estão a aprender. A melhorar. E eu fico feliz. Porque mesmo não tendo experiência nenhuma como explicadora sei que estou a ajudar aquelas duas crianças. Quem sabe se no futuro não irei ajudar muitas mais.

segunda-feira, maio 4

: Desta vez é mesmo a sério.


Quando comecei a perceber que o meu orçamento para a compra de uma casa só me permitiria chegar a apartamentos "pequenos" entrei em paranóia. Onde é que eu ia meter tudo aquilo que tenho? Como é que eu iria arranjar espaço para arrumar as futuras coisas que iria comprar? Eram mil e um pensamentos que só me deixavam cada vez mais confusa. Precisava de respostas...

Não cresci numa casa grande, muito pelo contrário, mas ainda assim estava habituada a ter um espaço considerável para arrumar a minha tralha. Estava já completamente consumida pelas dúvidas quando decidi pesquisar mais sobre viver em casas pequenas. Encontrei o blogue da Raquel e fiquei maravilhada com aquilo que ela fez em tão pouco espaço. (Re)Olhei para as casas que tinha visto e apercebi-me que afinal elas não eram assim tão pequenas. Eu é que tinha de destralhar a mente. A partir daí as peças encaixaram-se todas e eu respirei de alívio. Sei que provavelmente irei morar numa casa mais pequena do que aquela em que estou agora mas percebi, ao mesmo tempo, que não preciso de nem metade da tralha que tenho no quarto.

E, por isso mesmo, decidi aproveitar este fim-de-semana, mais comprido, para limpar - mais uma vez em menos de seis meses - o meu quarto. Tinha demasiadas coisas à mostra quando tinha um sommier praticamente vazio. Parecia quase irónico: convenci o David a comprarmos uma cama com uma grande arrumação e estavam coisas desnecessárias a encher-nos o espaço visível apenas para ganhar pó. Guardei aquilo que sei que me fará falta e em pouco mais de duas horas enchi dois sacos - um com coisas para deitar fora e outro com coisas que serão úteis no meu local de trabalho. 
O passo seguinte foi fazer uma selecção apertada das roupas. Tenho o hábito de ir guardando "porque um dia vai servir" ou "porque posso querer utilizar amanhã". Mas a verdade é que não voltam a servir nem as volto a utilizar. Mais um saco cheio que terá como destino a doação.

Tenho pena de não ter tirado fotografias ao início mas assim que entro no quarto noto a grande diferença. Parece ter ficado mais espaçoso, mais fresco. E é isto que eu quero na minha futura casa. Já fizemos planos para aquilo que iremos precisar e para aquilo que não é de todo necessário. Não só estas planificações serão boas para a nossa carteira como serão boas para a nossa alma. Para quê viver com muito se podemos ser felizes com pouco? Mais do que sobreviver em tempos de crise quero viver uma vida saudável, sem excessos ou tralhas que me pesem nos ombros. E ao olhar para o meu quarto, depois do destralhamento, sinto-me feliz. É assim que me quero sentir sempre!


Ficam aqui algumas fotos do Depois já que esta foi uma decisão tomada à última da hora e não tenho fotos do Antes. 


domingo, maio 3

: Dizem que hoje é dia da mãe.


E à minha tenho de agradecer o mundo.

sábado, maio 2

: Ontem (re)viveste em mim.

[Açude da Agolada - 01.Maio.2015]

Há anos que queria voltar aquele açude que preenche grande parte dos meus filmes de infância e que ficou imortalizado em muitas das fotografias que eu mais adoro. Queria recordar a minha tão querida praia dos picos, da qual nunca me lembrava do nome real. Todos me davam o desconto - afinal de contas era uma criança - e o nome acabou por pegar. Ontem voltei lá e, sabes avó, fiquei desiludida. Aquela já não é a mesma praia onde te rias com as minhas brincadeiras. Já não é a mesma praia onde o Rui adormecia enrolado em toalhas e onde nos vias a brincar dentro de água. Já não é a mesma praia onde me guardavas um lugar ao teu lado e para onde eu corria, feliz. Está abandonada e eu fiquei triste. Esperava encontrar famílias por lá mas apenas o vazio me respondeu. Ocasionalmente um peixe saltava na água e eu lembrei-me de quando olhava para a água para não deixar escapar nenhum salto que, já na altura, eles davam. Estar sozinha ali fez-me reviver a dor de te perder. Novamente aquele vazio, aquele silêncio. Esperava ouvir sons de risos, sentir o cheiro a comida no ar. Mas, em vez disso, apenas os pássaros me faziam companhia. E, claro, os peixes. Ainda assim recordei os tempos passados por lá e a quantidade de vezes que me picava nas samas que caíam dos pinheiros, agora ainda mais altos do que já eram. Esperava sentir-te ao chegar à praia mas fizeram-me uma rasteira. Foi preciso fechar os olhos e respirar fundo para te encontrar novamente, como se estivesses sentada numa das muitas mesas à minha espera. O cabelo branco, os olhos escuros, as rugas na cara. E eu sorri-te. Toda a paisagem se alterou e eu tinha novamente seis anos, com o cabelo entrançado e um sorriso desdentado. Ainda me custa pensar em ti, mesmo após estes anos todos. Eu própria digo que o tempo cura tudo mas, quando se perde alguém, o tempo só aumenta as saudades. E eu morro de saudades tuas. Talvez por isso tenha necessidade de te fazer viver através da minhas memórias. Porque a verdade é que em tudo o que faço tu estás presente. E, assim, estarás sempre viva.

Ah... sabes avó, agora já nunca me esqueço de como se chama a praia. Mas, por ti, nunca irei chamá-la pelo seu nome verdadeiro. Sei que gostarias que eu mantivesse aquela criança viva nem que fosse num espaço pequeno de mim. Praia dos picos um dia foi, praia dos picos sempre será.