segunda-feira, agosto 31

: Recados à Macaquinha [11]


Vais ouvir muitas vezes a palavra não durante a tua vida. Primeiro da nossa boca, teus pais. Ao início não irás gostar, talvez vás bater o pé ou tentar demover-nos da nossa ideia. Mas, com o tempo, vais habituar-te a essa palavra. Vais esperar ouvi-la em todas as ocasiões e saltar de alegria quando, em vez dela, vier o sim. Vais dar mais valor a tudo aquilo que conquistares. Não quero que dês tudo como garantido nem que penses que a vida é um mar de rosas. Vais tropeçar muitas vezes e nem sempre as pessoas serão simpáticas. Irão dizer-te que não e chamar o próximo. É assim que a vida funciona. Cabe a cada um de nós aprender a superar essa palavra negativa e torná-la numa forma de mudar o rumo da nossa vida. Cabe-te a ti encontrares um novo caminho de cada vez que uma porta te for fechada. Nem sempre será fácil, aviso-te desde já, mas irá valer a pena quando ouvires o derradeiro sim: aquele que fará tudo ganhar sentido. Dá valor às pequenas conquistas e utiliza os percalços para aprenderes. Não te deixes desanimar e persegue todos os teus sonhos, um por um. Eles valem o mundo.

domingo, agosto 30

: Regresso ao passado.


Enquanto a maioria das pessoas quer, desesperadamente, os aparelhos de última geração eu e o David fomos resgatar os nossos game boys às gavetas que os guardavam. Estávamos no Norte quando, numa das muitas noites a observar as estrelas, falámos sobre os nossos passatempos durante parte da infância. Acabámos a conversa com a vontade de voltar a jogar e dias depois de chegarmos a Lisboa já tínhamos reunido tudo na nossa casa. Desde aí que, de vez em quando, lá temos jogado. 

Gostámos tanto de reviver este pedaço do nosso passado que decidimos comprar, para os dois, mais jogos. Adquirimos ainda uma Nintendo Ds Lite (já com uns bons aninhos) para que fosse mais simples encontrarmos jogos ainda actuais e para que pudessemos os dois jogar os jogos do GameBoy Advance, visto que a Nintendo suporta o tipo de disquete.

Tudo isto numa só loja: conhecem a Cash Converters? Não?! Então pesquisem e vão fazer uma visita à loja mais próxima de vocês. Têm por lá imensas coisas em segunda mão, desde livros até telemóveis. E tudo a preços mais baixos. Posso-vos dizer que comprei seis jogos para o game boy advance por dez euros. E muitos ficaram lá por comprar!!

sábado, agosto 29

: Conheço crianças muito avançadas!


Está mais do que comprovado que as crianças têm o dom de dizer as coisas mais engraçadas. Já ouvi de tudo um pouco e, mesmo estando na área já há quase quatro anos, não há dia em que não me surpreenda com alguma coisa. Mas uma coisa é certa: nunca tinha apanhado nenhuma criança como a das situações que vou descrever a seguir.

O menino em questão tem oito anos e é naturalmente querido. Nunca temos que nos chatear com ele, gosta de nos dar abraços e, acima de tudo, é super bem educado. Pois que uma colega minha decidiu meter-se na brincadeira com ele e deu-se o seguinte diálogo:

- Gui, vem cá dar-me um abraço!! - Ele foi e sentou-se ao colo dela. - Gui, tu és só meu, sim?! 
Ele olhou para ela, muito seguro de si e disse:
- Mariana, sabes... Há uma música que diz "Ninguém é de ninguém..."!

Como devem calcular rimo-nos o resto da manhã. Ainda no mesmo dia deu-se uma outra situação, desta vez comigo. Estávamos na hora do almoço e ele chamou-me para perguntar se podia passar para a sobremesa. Eu disse-lhe que sim e a resposta dele foi:

- Gratzie.

Fiquei de olhos e boca bem abertos. Então mas aquela formiguinha ainda agora começou a estudar e já me fala italiano?! Este miúdo é muito à frente...

sexta-feira, agosto 28

: Há mesmo pessoas sem noção.


No caminho que faço para o trabalho tenho que passar por um aqueduto de água que, apesar de permitir que duas pessoas se cruzem em sentidos opostos, é estreito. Quando eu vejo que vai alguém começar a atravessar o aqueduto antes de mim - e principalmente se for alguém idoso - fico à espera até que a pessoa acabe de passar aqueles metros. No entanto é muito raro encontrar um outro alguém que faça isso quando vou eu a passar. Já cheguei a ir carregada com duas malas, a meio do aqueduto, e alguém decidir que ainda assim deveria passar ao mesmo tempo que eu, obrigando-me a fazer contorcionismo. Mas a situação mais caricata aconteceu-me a semana passada. Estava eu a uns dez passos do final do aqueduto quando uma querida senhora decidiu que era exactamente nessa altura que deveria passar. Lá tive eu que me encolher toda para que ela passasse, sem que se desviasse um milímetro que fosse. Não sei o que é que lhe custava esperar mais cinco segundos. É que ela até ficava a ganhar, visto que não estava lá eu para lhe atrapalhar o caminho. Enfim... 

quinta-feira, agosto 27

: Decisões que fazem a diferença.


Há dias em que tenho pena de não ter um carro meu. Adorava ter a liberdade de me sentar atrás do volante e ir passear para onde eu quisesse, nos tempos livres que passo sozinha. Mas na maioria dos dias agradeço o facto de ter pensado duas vezes antes de tomar a decisão de comprar um amigo de quatro rodas. Fora todas as despesas que já temos com o carro do David, o facto de ter que andar a pé para ir trabalhar - ou se quiser ir a um outro lado qualquer - ajuda-me a manter-me activa. Se tivesse um carro não duvido que iria optar sempre pelo conforto o que me tornaria ainda mais preguiçosa do que já sou. Talvez um dia venha a ter um carro meu mas, por enquanto, contento-me com os meus dois melhores amigos: os meus pés.

quarta-feira, agosto 26

: Das realidades que me rodeiam.


De que vale tentar encher uma mesa com amigos se nos momentos difíceis nenhum aparece?

terça-feira, agosto 25

: Português Suave #2

#1


Recebi de braços abertos toda a história que ele me quis contar. Falou-me do passado e fez-me esquecer o presente. Fez o tempo parar. O vento soprava ao de leve e eu imaginava-me nos cenários que ele descrevia. Imaginava-me a viver a vida que, numa outra realidade, poderia ter sido a minha. Tudo se silenciou abruptamente. A sua voz calou-se, o vento deixou de soprar, as pessoas deixaram de rir. O mundo parecia ter-se desligado. Abri os olhos e observei-o. Estávamos completamente sós, ainda deitados na relva macia. Ele ofereceu-me um dos seus cigarros, preso entre dois dedos. Disse-lhe que não e ele colou-o, de forma precisa, entre os seus lábios. Imaginei como seria beijá-lo, com sabor a fumo; a história; a incerteza; a paixão. Enquanto isso ele observava-me, profundamente. Convidou-me a falar-lhe de mim. E eu só lhe consegui falar da música que emana dos meus poros, dos livros que não escrevo mas que habitam em mim. Não lhe falei da casa que espera por mim nem do noivo que anseia pela minha presença. Com esta pessoa vivo a realidade que pensei nunca me ser permitida. Vivo sem a pressão de ser perfeita. Sou só eu e ele. Mas, ainda assim, vivo com os remorsos a rasparem-me as paredes do coração. Olho para ele e o coração aperta. Talvez, numa outra vida, pudéssemos debater história e música desde o nascer até ao pôr-do-sol. Mas, no fundo do meu ser, tenho a certeza que nunca mais o poderei ver. Ele é o perigo e todos os sentidos proibidos que se erguem no meu caminho. Deveria fugir dele o quanto antes mas apenas consigo admirá-lo: ao seu nariz empinado, aos seus trejeitos snobes, à inteligência que ele não procura esconder. O sol começa a esconder-se e eu acordo para o presente. Tenho de ir, mesmo não querendo. Tenho que voltar, mesmo não o desejando. Levanto-me, rapidamente, sem que ele desvie o olhar de mim.

- Para a semana, aqui, à mesma hora? - Pergunta-me como se estas nossas horas tivessem sido um normal encontro de velhos amigos.
- Talvez. - Respondo-lhe. Queria dizer-lhe que sim, atirar-me aos seus braços. Mas o lado racional que em mim habita impede-me. Racionalizo demais. Sinto demais. Quem sabe, na próxima semana tenha ânsias dele e o procure. Sorrio-lhe e afasto-me. Somos pessoas de poucas palavras e não precisamos de despedidas convencionais para dar por terminada uma conversa. Eu caminho em direcção a casa e ele acaba de fumar um novo cigarro, ainda deitado na relva. Por hoje seguimos caminhos diferentes.

segunda-feira, agosto 24

: Mais de 1000 razões para ser feliz #4

 

A banda sonora deste filme - Anastasia - o primeiro filme pelo qual me apaixonei e que ainda hoje revejo mil vezes. Devia ter perto dos dez anos quando me ofereceram a cassete - ainda se lembram das cassetes vhs?! - e ainda hoje a tenho perto de mim. Acho que foi com este filme que se revelou a minha paixão por história e pela realidade que existe atrás de alguns livros e filmes. Porque, sim, este filme retrata - de forma fantasiosa - a época do último Czar da Rússia. 

Além de que é sempre um prazer ouvir a música Once Upon a December. Faz-me sonhar.

Desafio encontrado no blogue da Mariana - Colibri

domingo, agosto 23

: Da minha caixa das memórias [#2]


Eu fui das crianças mais tímidas que algum dia conheci. Não gostava de falar com ninguém desconhecido - mesmo que fossem outras crianças - e imaginar-me em actividades extra curriculares era sinónimo de imaginar o fim do mundo. Até que, influenciada por estar a aprender flauta ainda durante o 1º ciclo, aceitei ter aulas de música. Tinha oito anos e encontrei o meu lugar. Bebia as palavras do meu professor e nunca me queixei por não conseguir chegar lá e tocar tudo à primeira. Aprendi solfejo, aprendi a escrever as notas no quadro. Aprendi a ter paciência, a ser metódica e, essencialmente, a nunca desistir. Costas direitas, cotovelos levantados e dedos leves. Amei o meu primeiro órgão e apaixonei-me pelo segundo que me compraram: o mesmo que ainda me acompanha. Apaixonei-me pela música e quis ir aprendendo o maior número de instrumentos. Piano, acordeão, guitarra. Falta-me o violino. Quem sabe, um dia, o saxofone. Lembro-me, acima de tudo, que aquelas duas horas semanais eram as mais felizes que eu tinha. Ansiava por aquelas horas, por tocar num piano a sério, por ouvir o som maravilhoso que podemos produzir com as nossas mãos. Ria-me quando o meu professor me puxava as orelhas e me dizia que se eu deixasse de ser preguiçosa e treinasse viria a ser extraordinária. Dizia-me que se eu tocava assim sem treinar em casa, poderia chegar ainda mais longe com empenho. Quis ser música, mas as crianças levaram a melhor. Não me arrependo da minha escolha mas arrependo-me de ter deixado a música para trás, por circunstâncias da vida. Dei dez anos de mim à descoberta dos sons que existem e tornei-me tão melhor graças a isso. Hoje dou por mim a ouvir músicas que toquei já há tantos anos atrás e sinto uma nostalgia reconfortante. Vou ligar o órgão e ser novamente a menina que um dia quis entrar no conservatório. Quem sabe, no futuro, a minha macaquinha não venha a ter o mesmo amor por esta arte.

sábado, agosto 22

: Flor és. Flor serás. #4


Toda a minha vida ouvi as palavras sábias da minha avó dizendo-me que ter um filho era o melhor presente que poderíamos receber. Cresci a amar cada pequeno ser, ansiando pelo meu rebento. Ansiosa por ver brotar em mim o fruto das minhas sementes. Quando esse dia chegou, saltei até me doerem os pés. Dancei, cantei, sorri. Semeei novas flores, em sua homenagem. Esperando que daí a nove meses aquele pequeno ser as pudesse, finalmente, ver. Tudo o que antes me remoía o coração deixou de importar e vi-me uma mulher renovada. Uma mulher feliz. Preservei raízes e decorei o mundo com todas as cores que conhecia. Até ao dia em que as suas pétalas deixaram de se mover. Choveu em mim e todo o jardim ficou inundado. As flores murcharam e eu murchei com elas. Todos nos preparam para a maravilha que é colher o amor de uma criança, mas ninguém nos diz o que acontece a todos aqueles que perdem o brilho daqueles olhos pequenos ainda antes de os conhecerem. Sentei-me, encolhida, assombrada pela força negativa da natureza. A mesma natureza que eu sempre tinha amado, acarinhado e cuidado. Atraiçoara-me e eu perdi todo o amor que vivia em mim. Resguardei-me dentro de quatro paredes e esqueci-me que existia um mundo lá fora. Hoje começo a sair, recolhendo os fragmentos que restaram daquela tempestade. Limpo os escombros, escondo-os da vista e recomeço tudo de novo. Hoje semeio uma flor, amanhã planto uma árvore. Um dia chegarei até ti. E aí poderemos viver aquele amor que, um dia, nos roubaram.
Fictício.

#1    #2    #3

sexta-feira, agosto 21

: Estes miúdos nunca me desiludem!


Saiu hoje uma nova cover dos Pentatonix e não podia ter adorado mais esta versão da famosa música Cheerleader, que tem corrido quase todas as rádios portuguesas neste verão. Estes cinco estão cada vez melhores e, para quem não os conhece, eles são igualmente bons - ou melhores - ao vivo! 

Que venham as próximas músicas!!

: Mais de 1000 razões para ser feliz #3



Este filme - Moulin Rouge - a sua banda sonora poderosa; a sua história de amor. 


Desafio encontrado no blogue da Mariana - Colibri


quinta-feira, agosto 20

: Recados à Macaquinha [10]


Suja-te! Enquanto fores criança não te inibas de correr; saltar; brincar sentada no chão. Come a fruta sem medos. Usa as mãos para brincares na terra. Não te preocupes em manter a roupa impecável: vive a tua infância. Prometo, macaquinha, que tentarei resistir à tentação de te embelezar como se fosses uma daquelas bonecas de porcelana que nunca saíam das caixas com medo que ficassem em mil cacos. Irei resistir à típica tentação de te deixar imaculada. Nada irá valer mais a pena do que ouvir o teu riso quando saltares em poças de água. Nada irá valer mais a pena do que ver os teus olhos brilharem de felicidade. Quando fores adulta terás tempo para te preocupares em manter a tua roupa apresentável. Não o faças enquanto fores pequena. Aproveita esses anos de ouro e rebola na relva; escava buracos para encontrares tesouros; colhe fruta directamente da árvore. Suja-te: estarei por perto para te ajudar a limpar tudo o que for preciso.

quarta-feira, agosto 19

: Para acompanhar com um balde de pipocas [#3]

Stomp the Yard (2007)

O David já me tinha falado imenso sobre este filme, tecendo vários elogios. Como eu também gosto de filmes que envolvam dança decidimos vê-lo, quando ainda estávamos de férias em Milfontes. Depois de ver um bom pedaço percebi que já o tinha visto mas, ainda assim, não consegui tirar os olhos do ecrã. O filme não tem uma avaliação muito alta, talvez por culpa da história em si que é um pouco previsível, mas a parte de dança faz valer a pena. Quando vejo filmes deste género dou comigo a pensar que adorava saber dançar como eles. Fazem sempre parecer tudo simples... 

Insurgent (2015)


A maior desilusão que tive nos últimos anos, em questão de adaptações de livros para o cinema. Estou a falar muito a sério! E olhem que apesar de eu sempre ter dito que não tinha gostado dos filmes do Harry Potter (excepto o último que foi dividido em dois e foi super fiel ao livro) até eles me parecem bons depois de ter visto o Insurgente. Andei a adiar este filme porque queria ler o livro primeiro. Mais valia não o ter feito. Não houve uma única situação que batesse certo com o que eu tinha lido. Passei o filme todo a reclamar e a explicar ao David o que deveria estar a acontecer na realidade. Desculpem-me todos aqueles que gostaram do filme mas, acreditem, não bate nada certo e muitas das coisas foram postas à pressão, sem fazerem sentido algum. A maior incoerência foi principalmente o final, onde todos fogem em direcção ao "novo mundo". Quem leu o livro sabe que nunca poderia ter acontecido isso e, sinceramente, até tenho medo do próximo filme e da forma como vão fazer a adaptação do livro. Não sei o que deu na cabeça do realizador mas, fãs da saga, não vão ver o filme esperando encontrar lá o livro. Porque a verdade é que é totalmente diferente!

The Maze Runner (2014)

Uma agradável surpresa. Muito dentro do estilo da saga Jogos da Fome e da saga Divergente. Como ainda não li o livro - é o próximo passo - fiquei um pouco confusa com algumas situações que, não tenho dúvidas, são explicadas de forma mais pormenorizada por lá. Ainda assim foi um filme cheio de acção, com momentos de suspense e que termina de forma bastante inteligente, deixando-nos curiosos para saber o que se passará de seguida. Conquistou-me.


Blue Crush 2 (2011)


Durante a nossa estadia no Norte deu este filme na SIC. Como estávamos por casa decidimos dar-lhe uma oportunidade e revelou-se um bom filme de verão. Um argumento simples mas que nos mostra que nunca devemos desistir daquilo que queremos, paisagens de cortar a respiração e a caracterização de um modo de vida que parece chamar-nos através do ecrã. A quem nunca apeteceu enfiar-se num carro e ir procurar as melhores praias? Só sei que depois de ver este filme fiquei com vontade de ir aprender a fazer surf. Um excelente filme para um final de tarde acompanhados por uma bebida fresca!

terça-feira, agosto 18

: Português Suave #1


  Quem me rodeia vê em mim a vida perfeita que eu não tenho: um bom trabalho, uma bela casa, um óptimo noivo. Vêem-me como o espelho de tudo aquilo que gostariam de ser. Vêem-me do lado de fora da janela, decorando todos os meus passos, acreditando que conhecem o que verdadeiramente sou. Acreditam que conseguem antever a minha vida e que podem opinar sobre as minhas decisões. Não podiam estar mais errados...
  Se me vissem agora, deitada na relva com um alguém que eles nem sonham existir, iriam dizer que esta não sou eu. Que não estou no meu perfeito juízo e que não tenho razões para fazer algo assim. Mas, sim, esta sou eu. Odeio todas aquelas rotinas que vivo e me sufocam; as concepções que me rodeiam e não avançam. Odeio que pensem que tenho que viver em função dos desejos alheios. Que já não tenho direito a ser eu. Odeio.
  É por isto que este alguém, cujo nome e cara todos desconhecem, me tem deitada ao seu lado. Por esta liberdade de pensamentos e sentimentos. Por este espaço que me dá para dizer o que me vier à cabeça. Estamos à sombra de um velho carvalho e ele fala sobre a segunda guerra mundial. Historiador de profissão, enche-me a memória com factos. Com algo novo, que me faz avançar. E eu, de olhos fechados, bebo-lhe as palavras. Sorrio, mesmo sem precisar esboçar um sorriso. Conheci-o na livraria que visito desde sempre. Parámos, lado a lado, distraídos pelos títulos de todos os livros que nos rodeavam. Quis o Deus dos clichés que tentássemos pegar no mesmo livro. Como se estivéssemos destinados a um mesmo futuro. Olhámo-nos, de forma demorada. E, subitamente, ele sorriu de forma enigmática, parecendo conseguir ler-me só por me observar. 

- Sabe qual é a melhor parte de qualquer história? - perguntou-me. Ao ver o meu ar confuso continuou. - O final, quando podemos pensar acerca de tudo aquilo que lemos. Quando podemos reflectir e acrescentar algo importante à nossa vida.

  Sorri-lhe, sem saber o que lhe responder. Agora sei que ele tinha razão. Que o final dos livros tem o sabor agridoce da despedida mas, ainda assim, deixam em nós marcas. De aprendizagem, de vida. Por isso cá estou eu, a aproveitar o meu período de reflexão. Sinto-me como se estivesse a terminar de ler o primeiro volume da minha vida. Como se a partir de agora tudo fosse um livro diferente. Ele puxa de um cigarro, português suave, acende-o e eu penso na efemeridade da vida. Tudo se pode apagar de um momento para o outro. E se eu vou, um dia mais tarde, apagar-me porque não fazer uso da vida que ainda tenho? O dia está ameno e aqui sou uma mulher livre de compromissos. Nunca pensei viver assim, nesta dupla vida. Mas a verdade é que aqui sou feliz. E se assim é porque iria querer abdicar disto?

  Todos pensam que me conhecem mas até eu ainda me estou a descobrir. Ainda avanço a passos de bebé, absorvendo tudo o que me rodeia. Enquanto ele fuma eu sonho. E imagino que poderia ser feliz com estes momentos. Quem sabe...

Fictício

segunda-feira, agosto 17

: [ No Anexo ] de Sharon Dogar

281 páginas

Todos conhecem o famoso Diário de Anne Frank certo?! Pois bem... Este é o livro que nos mostra - de forma semi ficcional - a visão do famoso rapaz, Peter Van Pels, que amou Anne Frank durante o tempo em que estiveram escondidos no anexo. A autora baseou-se em diversos livros, incluindo o próprio diário de Anne, para construir uma narrativa que fosse o mais fiel possível aos acontecimentos daquela época. 

É um livro de leitura rápida e onde se encontram bastantes pontes que ligam ao que sabemos pertencer ao diário de Anne. É, acima de tudo, um olhar diferente sobre quem foi realmente Anne Frank. Sei que o livro é apenas uma tentativa de reconstituição mas está tão bem escrito que dei por mim a sentir que todos aqueles pensamentos e conversas foram mesmo reais. Já sabia como iria acabar o livro mas, ainda assim, li-o ansiosa por saber o que traria o capítulo seguinte. A vida no anexo está descrita de forma semelhante aquela que Anne nos mostrou mas a vida no campo de extermínio, pelo olhar masculino, deixou-me boquiaberta. A autora foi tão fiel à época que parecia estar a viver lado a lado com todos aqueles homens. 

Deixo-vos, mais uma vez, um dos excertos que mais gostei:

«O mundo parece-me especial e maravilhoso. Um milagre: o som dos pássaros no castanheiro do lado de fora da janela, o Sol num céu azul, as folhas. Um destes dias hei de chegar cá acima e ver os rebentos abertos. Bem abertos, e eu não terei visto isso acontecer.
Sinto o sol na cara; vejo-o iluminar a pele no rosto da Anne. A luz cai numa barra sobre os seus olhos enquanto ela me lê o poema que escreveu acerca de amor e esperança.» (p. 182)

domingo, agosto 16

: Mais de 1000 razões para ser feliz #2


Fotografar pormenores que embelezam qualquer paisagem.

Desafio encontrado no blogue da Mariana - Colibri

sábado, agosto 15

: Recados à Macaquinha [9]


Macaquinha, ao longo da tua vida muitas pessoas irão querer opinar sobre os teus passos. Há quem pense que conhece a nossa vida melhor do que nós! Irão tentar mudar-te. Irão tentar tornar-te só mais uma, igual a eles. Cabe-te a ti ignorares todas as vozes que te tentarem empurrar para um lugar onde não pertences. Cabe-te a ti continuares a ser fiel a quem és. Vais perder amizades à conta disso, mas mais tarde irás entender que os verdadeiros amigos não nos julgam. Que nos aconselham - sem medo de serem sinceros - mas que não nos tenta mudar. Que nos aceitam tal como somos. Quando leres este recado talvez ainda não entendas as palavras que te deixo mas, um dia quando menos esperares, irás deixar de te preocupar com o que podem pensar de ti. Irás (re)começar a viver. Nessa altura deixarás de olhar para trás e todo o futuro se abrirá à tua frente. Irás deixar de contar os amigos que já perdeste e irás aprender a dar valor aos que sempre ficaram. Não deixes que tentem prender a algo, macaquinha. Porque só sendo livre é que chegarás longe.

sexta-feira, agosto 14

: Não sei ser quem não sou.


Pediste-me, em tempos, para nunca te abandonar. E eu, contrapondo, avisei-te que nunca poderia prometer-te algo assim. Sempre fora demasiado independente para me agarrar dessa forma a alguém. Hoje dou por mim a pensar que julgaste as minhas palavras uma mera brincadeira. Deves ter pensado que com o passar dos meses me poderias mudar; Moldar conforme aquilo que desejavas. Nunca te enganaste tanto, descobriste-o da pior forma. Ofereceram-me a oportunidade de uma vida - a realização do meu sonho - e eu aceitei sem pensar duas vezes. Nesse dia fiz-te o meu primeiro, e único, pedido: que viesses comigo. Olhaste-me, irado, respondendo-me que não tinhas motivo algum para ir. Magoada com a mensagem que deixaste implícita nas tuas palavras, arrasei-te dizendo que também não tinha motivo algum que me prendesse ao sítio onde estava. Parti nesse mesmo momento enquanto ouvia as tuas últimas palavras: Um dia vais arrepender-te. Nesse dia não voltes. Hoje, separados já há alguns meses, escrevo-te na minha varanda. Provavelmente imaginas que eu estou a arder em remorsos, incapaz de assumir o meu erro. Mas a verdade é que nunca fui tão feliz. Se preferia ter-te aqui? Sem dúvida... Mas não seria justo ignorar aquilo que sou, por um outro alguém. Talvez um dia me compreendas e percas esse rancor que hoje habita em ti. Devias ver esta vista... Faz tudo valer a pena.

Fictício.

quinta-feira, agosto 13

: [ Convergente ] de Veronica Roth

410 páginas

Este livro deixou-me com sentimentos bastante ambíguos. Por um lado gostei imenso do rumo que a história levou - apesar do final me ter deixado um pouco indignada - mas por outro não achei grande piada ao facto de existirem dois narradores. Entendo o porquê da autora o ter feito - tendo em conta o final - mas fez-me ficar algumas vezes confusa. Deu, no entanto, para perceber que o protagonista masculino não é o insensível que parece ser ao longo dos dois primeiros livros. Dá para ter uma visão mais completa dos seus pensamentos e sentimentos. Quando acabei o segundo livro nunca imaginei o que poderia vir aí. Este é, sem dúvida, um livro surpreendente. 

Gostei da saga num geral - apesar de esta não ser a minha saga preferida - e gostei, principalmente, do rumo que a história levou. As informações foram sendo reveladas ao longo dos três livros de um modo bastante coerente e que nos faz ansiar sempre por mais. O final é de partir o coração mas, ao mesmo tempo, mostra a força que temos dentro de nós para enfrentar a perda de alguém que nos é importante. 

Deixo-vos dois dos excertos que mais gostei:

«Olho através das janelas acima de mim. O céu está claro e pálido, com a mesma cor dos meus olhos. Há nele uma espécie de inevitabilidade, como se estivesse à minha espera desde sempre, talvez porque gosto de alturas enquanto outros as temem, ou talvez porque, depois de ter visto as coisas que vi, só me resta uma fronteira para explorar, a que paira acima da minha cabeça» (p. 148)

«Desde pequeno, sempre soube isto: a vida magoa-nos, a todos nós. Não podemos escapar aos seus danos. Mas, agora, estou também a aprender isto: o nosso coração pode ser consertado. Consertamo-nos uns aos outros.» (p. 410)


Está por aí mais algum leitor da saga Divergente?

quarta-feira, agosto 12

: Souveniers do Norte


Sempre me senti fascinada pelo Norte. Infelizmente nas poucas vezes que lá tinha ido era pequena demais para me lembrar do que tinha visto. Quando, ao fim de dois anos de namoro, o David me levou pela primeira vez a passar uns dias na zona de Viseu vim de lá apaixonada. Desde aí vamos lá todos os anos e ficamos cada vez mais tempo. Temos já alguns pontos que não podem falhar - como a praia fluvial da Folgosa e a Piscina de Lamego - mas tentamos sempre conhecer locais novos. Durante a semana que passou conhecemos novas praias fluviais, passeámos pelo meio de aldeias vizinhas e aproveitámos para fazer umas quantas caches. Agora que regressámos à tão movimentada Lisboa sinto falta da vagareza com que passam os dias por lá. Sinto falta de descobrir as horas através das badaladas dos sinos da igreja. Sinto até falta de só ter quatro canais e zero de internet. É incrível como até as pequenas coisas nos deixam com saudades.

Mas bom, chega de falar. Não há nada melhor do que vos mostrar pequenos pedaços desta minha semana.

Para o ano há mais.

terça-feira, agosto 11

: Respiro fundo...


...
Inspiro todo este verde que me rodeia. Expiro este silêncio que me acalma.
Respiro.
Deito-me no chão - como se fosse uma criança - e sinto no meu corpo a falta desta terra.
Respiro.
Fecho os olhos e perco-me no cantar dos pássaros que fazem os seus ninhos; no zumbido das abelhas que pousam nas flores; no coaxar das rãs que procuram o fresco do ribeiro.
Sorrio.
Senti falta desta paz, deste silêncio, deste fim do mundo que assusta tanta gente. Senti falta da paisagem pintada de verde. Do calor durante o dia. Do frio durante a noite. Do padeiro que aparece no seu carro logo de manhã e dos sinos da igreja que tocam de meia em meia hora, libertando-nos de qualquer tipo de relógio. Sentia falta deste cheiro a campo, rio e serra. Desta mistura de odores única e impossível de copiar.
Respiro fundo. Absorvo o que me rodeia.
Sorrio.
Tenho o coração cheio. Sou mesmo feliz aqui.

segunda-feira, agosto 10

: Alguém consegue resistir a esta vista?


Cheguei do Norte há pouco mais de duas horas e apesar de vir cheia de novas ideias para postagens, hoje só me apetece ficar deitada no sofá a rever as fotografias. Ainda agora cheguei e já tenho saudades do ar que se respira por lá, do verde que pinta a paisagem, da calma que por lá se vive. Tive a sorte de conseguir estar por lá mais três dias do que o esperado, apesar disso ter alterado o que tínhamos planeado para esta semana, mas sinto-me triste. Sinto-me sempre assim quando venho de lá. Há quem lhe chame depressão pós-férias. Eu chamo-lhe estar longe da zona que é a minha verdadeira casa...

Amanhã tentarei responder a todos os vossos comentários, prometo!


sexta-feira, agosto 7

: Recados à Macaquinha [8]


Sempre que penso em ti imagino cenários românticos. Crio imagens contigo ao meu colo; a chapinhar na água da piscina, posta no terraço da casa da aldeia; a adormeceres na curva do meu pescoço enquanto vemos o pôr-do-sol, sentados no areal da nossa praia favorita. Sei que nem tudo será perfeito mas há alguém que goste de imaginar o que pode correr mal? Será que há alguém que goste de imaginar aquilo que, ainda sendo suposições, nos magoa? Sou bastante realista, macaquinha, mas também sei ser sonhadora. E gosto de antecipar, na minha mente, tudo o que de bom virá do amor que tens para nos dar. Gosto de me perder de amores por ti mesmo antes de poder sequer amar-te. Irei querer mostrar-te o mundo, para que o possas ver com os olhos de quem se delicia com o lado bom da vida. Quero ensinar-te a não teres medo de pôr os pés ao caminho. De te perderes de amores por todas as maravilhas que a Natureza nos dá. Passeio pelo nosso país, sempre ao lado do teu pai, pensando em ti. Penso no quão bom seria ter-te: aqui e agora. Enquanto essa hora não chega imagino-te; imagino-nos, enquanto família. E se isso já é tão bom nem consigo imaginar quando fores real. Será tudo ainda melhor do que aquilo que algum dia eu possa pensar. Serás - seremos - melhor.

quarta-feira, agosto 5

: Daqueles que vejo.


Vejo-te, sentado numa rocha, a olhar o mar. Não me pareces perdido. Nem sequer triste com o rumo que a tua vida tem levado. Se eu pudesse apostar diria que na tua face, que não consigo ver, está traçado um sorriso. Os teus ombros estão descontraídos e os pés cruzados à tua frente, pousados numa rocha manchada pelo sal que traz a maré alta. Tens toda a tua atenção fixa nas ondas revoltas, que se desmancham assim que batem na areia. Respiras de forma lenta, como quem não espera por nada. E era tão bom poder sentir-me assim: dona de tudo. Sem obrigações ou horas contadas. Controlo a tentação de me sentar ao teu lado, procurando o truque para se ser assim tão calmo. Iria perturbar a tua paz. Afasto-me para a ponta oposta da praia e procuro o melhor espaço para me acomodar. Encosto-me a um muro criado pelas rochas e deixo o mar cuidar de mim. Agora entendo-te. Este vaivém de água salgada parece limpar-me os pensamentos. Estar assim e aqui, neste preciso momento, solta-me de todas as amarras que me prendiam. Ao longe o sol põe-se. E hoje irei dormir com ele.

Fictício.

terça-feira, agosto 4

: Ainda agora cheguei...


... mas já me vou embora outra vez. Desta vez rumo ao Norte e, desta vez, sem qualquer acesso à internet. Aí sim vou conseguir limpar por completo o stress que se tem vindo a acumular. Vão ser dias de piscina, praias fluviais e muito contacto directo com a Natureza. Haverá melhor plano?

Volto no próximo sábado com fotografias e com a força renovada. Durante esta semana deixo-vos algumas postagens agendadas só para que o blogue não fique adormecido. 

Aproveitem bem a vossa semana!

segunda-feira, agosto 3

: Mais de 1000 razões para ser feliz #1

Já nem me lembro quando conheci esta música mas ouvi-la traz-me uma enorme paz.

Desafio encontrado no blogue da Mariana - Colibri

domingo, agosto 2

: Souveniers (novamente) do Litoral Alentejano

Os meus pés em Odemira

Quando eu gosto muito de um sítio tenho por hábito lá voltar. E bom... eu adorei Vila Nova de Milfontes. A facilidade com que se percorre toda a vila a pé, a proximidade do rio, o som das ondas ao longe, as dunas perfeitas, os passeios à noite com direito a bons jantares e a gelados de sabores inesperados. Desta vez não me fiquei só pela vila e decidimos ir conhecer algumas das cidades mais abaixo: Zambujeira do Mar, Odemira e Almograve. O tempo nesse dia não foi muito simpático connosco - esteve nevoeiro desde manhã até à manhã do dia seguinte - mas ainda assim deu para aproveitar e fizemos ainda um pequeno passeio de moliceiro pelas águas do rio Mira. Ficou a faltar um passeio de comboio turístico pelas ruas de Milfontes mas no próximo verão não nos irá escapar. Deixo-vos agora alguma das fotografias, em género de postal enviado pelo correio!

sábado, agosto 1

: TEMPO LIVRE | Puzzle Room



Todos nós conhecemos aqueles famosos jogos de computador em que estamos fechados dentro de uma sala e temos que seguir pistas para conseguir abrir a porta, certo?! Agora imaginem isso, mas na vida real. Estarem fechados dentro de uma sala e terem 60 minutos para descobrirem a chave tendo que, pelo caminho, resolver charadas. 

Foi esse o conceito que nos foi apresentado em Vila Nova de Milfontes, numa filial da Puzzle Room mais virada para o turismo. O cenário que eu e o David "enfrentámos" não é - em nada - semelhante com aqueles que estão disponíveis em Lisboa, Coimbra e Évora. Em Milfontes não estamos fechados numa sala tendo, sim, que descobrir um tesouro escondido. Em vez dos 60 minutos temos apenas 30 mas que chegam perfeitamente para o desafio que nos é proposto.

Estávamos nervosos, por não saber o que nos esperava, mas saímos de lá com o tesouro na mão e com vontade de explorar os outros três cenários disponíveis, que são bem mais complexos e exigem mais de nós. Para quem esteja de férias seja em Vila Nova de Milfontes, Lisboa, Coimbra ou Évora este é um programa que aconselho vivamente. 

Deixo-vos aqui o site oficial para que possam perceber ainda melhor o conceito! Se aceitarem este desafio vão divertir-se e puxar bastante pelo cérebro! Uma dica... levem amigos! Torna tudo mais simples.