terça-feira, setembro 29

: Comecei a mexer a bunda!


Tenho andado meio desaparecida, eu sei. Estou em falta para com vocês, mas não por muito tempo. A minha vida mudou um grande bocado e quando assim é preciso sempre de um período para me adaptar. Ainda estou meio a leste mas não falta muito até que me sinta segura novamente.

Enquanto isso decidi fazer algo útil pela minha saúde e comecei a ter aulas de bodycombat e de zumba. Saio das aulas completamente morta - principalmente da de zumba que, com aquela professora, é bem mais puxada do que eu poderia calcular - mas ainda assim super contente. Sinto-me relaxada, alivia-me o stress e sinto-me logo outra. Já sentia falta de fazer exercício e com estes incentivos qualquer dia estou por aí a correr! Já faltou mais...

segunda-feira, setembro 28

: A minha vida está em VHS.


Há quem se lembre de coisas que viveu durante o jardim-de-infância. Há quem saiba contar todas as brincadeiras que teve durante a escola primária. Já eu só tenho memória sólidas a partir dos treze anos. Antes disso tenho algumas memórias nítidas - de momentos marcantes - mas tudo o resto é um grande borrão. Valem-me as fotos e vídeos que me ajudam a reconstruir os passos que dei. Talvez por isso eu goste tanto de criar constantemente novas memórias. Desapego-me do passado e olho em frente. Afinal de contas a minha memória a longo prazo não é das melhores do mundo. Não tenho medo do esquecimento mas, ao mesmo tempo, fico triste por não ter memórias daqueles que eu sei terem sido dos melhores anos da minha vida. Se, por algum motivo, o meu futuro filho sofrer deste mesmo mal que eu, espero conseguir organizar-lhe uma bela biblioteca de memórias: textos, imagens, vídeos. Tudo o que o ajudar a conhecer-se e a conhecer o seu passado. Acima de tudo algo que o consiga fazer-se lembrar sempre de pessoas que, com o passar dos anos, irá inevitavelmente perder. Eu perco horas a ver os meus vídeos de infância, a rever os álbuns, a beber as histórias que os meus pais e avós contam. Gosto de saber de onde vim, o que fiz, que palavras disse. Gosto de perceber que a minha personalidade já estava tão vincada desde cedo. Se gostava de ter essas memórias bem vivas? Talvez... Mas assim perderia a piada de juntar a família a reviver o passado!

sábado, setembro 26

: Despedidas não são para mim.


Nunca consegui dizer adeus a ninguém. E mesmo que o diga é sempre com um reencontro no pensamento. Não gosto de pensar que nunca mais vou ver aquela pessoa. Imaginam, portanto, a dor que eu sentia sempre que tinha de me despedir das crianças (e dos adultos) dos meus estágios... Chorava, apenas nos dias anteriores. Sofria tudo, por antecipação. E no dia da real despedida sorria e fazia parecer que era forte. Nestes últimos dois anos, já no meu trabalho, consegui não sofrer em demasia. Não só porque ia vendo as crianças na rua mas também porque muitas delas saíram do jardim-de-infância mas continuaram no ATL do 1º ciclo. Pois que este ano lectivo voltei a sofrer, mesmo que este ainda esteja no início. O meu coordenador informou-me que eu ia mudar de local de trabalho e que ia "abandonar" os meninos que acompanho já há quase três anos. Já chorei muito, sempre que me lembrava que não ia acompanhar o último ano deles naquela escola. Mas depois arranjo forças ao pensar que os irei rever nas férias, quando nos reunirmos todos. Se estou triste? Sem dúvida. Fiz questão de dizê-lo ao meu superior. Se vou ser mais útil no outro local? Talvez. Mas isso não apaga a saudade que vou ter. Fiz questão de me despedir dos pais que sempre me foram mais próximos e ver a cara de surpresa deles amarrotou-me o coração. Prometi-lhes visitas - aos pais e aos filhos - e irei cumprir. Que as férias do Natal cheguem rápido para que eu possa matar saudades dos seus abraços!

Agora é pensar positivo e acreditar naquilo que uma das mães me disse: Às vezes faz bem mudar de ares.

quinta-feira, setembro 24

: Só porque sim - Respostas #2


Como prometido cá estou para responder a mais um conjunto de perguntas. As questões desta semana deram-me muito que pensar e fizeram com que tivesse de trazer ao de cima tudo aquilo que mexe comigo. Muitas das vezes percebi que ainda não tinha pensado como deve ser acerca das coisas e, por isso, um muito obrigado a estes entrevistadores

quarta-feira, setembro 23

: Destes últimos dias.


Eu descubro sempre tudo, mesmo aquilo que não quero descobrir. 

terça-feira, setembro 22

: Ele foi o amor que nunca quis viver.



Às vezes dou por mim a pensar se ainda és vivo ou se cumpriste as ameaças que fazes já há mais de sete anos, para tentares dominar quem está contigo. Se ainda te comportas da mesma forma que eu conheci ou se, pelo caminho, ficaste menos amargo. Já há muitos anos que não quero saber de ti. Não mais te procurei e imagina o meu espanto quando percebi que, na tua cabeça, eu sempre tinha sido a má da fita. Ri-me. E enterrei-te de vez. Perdi demasiado tempo a tentar aparar os golpes que davas às tuas outras namoradas. Preocupei-me com elas - afinal de contas não queria que vivessem o mesmo que eu - mas parece-me que ainda não tiveste sorte no amor. Parece-me que todas elas se tornaram, de uma maneira ou de outra, em Cláudias: com poder de decisão e opinião própria. Poderia até questionar-me acerca do motivo para a tua solidão mas ele continua bem à vista. Procuras anular um outro alguém em teu prol e justificas isso com lealdade e amor. Espero que nunca encontres alguém disposto a isso. Lamento que a tua mentalidade esteja retorcida e que a tua razão nunca vá ser a melhor. Podias ser uma boa pessoa, a sério que sim. Mas o problema é que não o sabes ser. Às vezes dou por mim a perguntar se ainda ninguém se virou contra ti. E depois percebo, em poucos segundos, que afinal não tenho interesse em saber. 

domingo, setembro 20

: Recados à Macaquinha [14]


Durante a tua vida vais conhecer muitas pessoas com opiniões diferentes das tuas. Não tens que as compreender ou aceitar. Tens, simplesmente, que as respeitar. Tens que respeitar que não podemos todos pensar da mesma forma e que todas as opiniões são válidas. Cada pessoa terá o seu argumento e irá acreditar vivamente em algo. Acima de tudo lembra-te, sempre, que se não respeitares quem te rodeia provavelmente também não serás respeitada. Discute, de forma saudável. Argumenta, de forma inteligente. Talvez mudes a mentalidade a alguém. Talvez os teus olhos sejam abertos para algo que nunca imaginaste. Mantém a mente aberta e não tenhas medo de aprender. De descobrir. Pesquisa, informa-te. Discute apenas, e só, aquilo em que podes contribuir de forma pertinente. Não percas tempo em discussões sem sentido. Serás muitas vezes posta à prova e terás de saber se aquela batalha merece ser travada. Há mentalidades que nunca conseguirás alterar. Mas não te preocupes: encontrarás sempre conversas que irão valer a pena. Ouve, especialmente, as pessoas mais velhas. Bebe-lhes as histórias e aprende com elas. Ouve-me a mim e ao teu pai. Não sabemos tudo da vida mas iremos saber dar-te as bases que precisas para te lançar na tua jornada. Ouve os mais novos e as suas vozes que, por vezes, não parecerão dizer nada. Ouve-os, nos seus gestos e olhares. Respeita-os para que possas esperar respeito deles também. Leva este conselho para a tua vida e passa-o, quem sabe, aos teus filhos: respeita o mundo para que o mundo te respeite. É esse o meu segredo.

sábado, setembro 19

: Sou muito simpática. Até deixar de o ser.


Há muitas coisa que eu detesto que me façam. Mas as piores de todas são, muito provavelmente, gritarem comigo e acusarem-me de coisas que eu não fiz. Até sou daquelas pessoas que aceitam bem as críticas - sou mesmo e não estou a dizer isto para ficar bem na fotografia - mas quando vêm ter comigo com sete pedras na mão é óbvio que não vou reagir bem. Pois foi exactamente isso que uma colega minha decidiu fazer. Eu até não me importava que ela me tivesse "acusado" se tivesse falado como uma pessoa normal. Mas levou-me aos arames assim que elevou o tom de voz em frente a todas as crianças. Respirei fundo, contei até cem e disse-lhe o meu lado da história. Não acreditou? Paciência. Não é a ela que tenho que dar justificações. Sou muitas vezes a parvinha que se sacrifica pelas pessoas mas depois de estar há dois anos a levar patadas para mim acabou. Dei imensas oportunidades a pessoas que não as mereciam. Agora está na altura de fingir que elas nem sequer existem. Vou lá, faço o meu trabalho, falo com quem me respeita, respeito os meus meninos e os seus pais. O resto passa-me ao lado.

Porque a verdade é que sou bastante amiga de toda a gente. Até que me pisam. E aí deixo de ser tudo aquilo que elas gostavam. Quem perde são eles... Afinal de contas eu sou a parvinha que faz sempre o jeitinho para ser mais fácil para os outros.

Nunca irei aprender.

sexta-feira, setembro 18

: Mudanças? Venham elas!

Depois de duas semanas meio complicadas estava mesmo a precisar de uma mudança na minha vida. Não perdi tempo e mudei uma parte de mim que adoro ver diferente todos os dias: o meu cabelo. Ao contrário da maioria das raparigas que conheço eu não me importo nada de cortar o cabelo. A primeira vez que o cortei a sério (da cintura até aos ombros) fiquei meio em choque, mas desde aí que não me faz diferença. Habituei-me até a usá-lo curto e faz-me confusão quando me passa os ombros. Ora estou cheia de calor, ora tenho cabelos na boca, ora o cabelo tem vida própria e não o consigo pentear. 

Tinha uma ideia semi delineada, apresentei-a à cabeleireira (que já conhece bem os meus gostos) e ela fez a sua magia. Não sem antes perguntar mil vezes se eu tinha a certeza que queria deixar lá metade do cabelo! Saí de lá com um corte ao estilo bob e com umas madeixas vermelhas mas bastante discretas, espalhadas por todo o cabelo. Estou super feliz com a leveza, com o comprimento, com os jeitos encaracolados que ganhei assim que tirei peso ao cabelo. Era ser rica e fazia isto todas as semanas!


O antes e o depois. Sei que para muitas de vocês o cabelo que eu tinha não é nada comprido mas para mim tudo o que passe os ombros torna-se demasiado!
Os pormenores dos meus caracóis e das madeixas. Como podem ver... vermelhas e discretas!

Quem é que é como eu e gosto de arriscar de vez em quando num corte de cabelo diferente?

quinta-feira, setembro 17

: Só porque sim - Respostas #1


Primeiro que tudo muito obrigada pela grande adesão ao meu desafio. Não esperava tantas perguntas mas acabei por ser surpreendida pela vossa originalidade!! Como bastantes pessoas deixaram questões optei por ir respondendo a um conjunto de perguntas uma vez por semana. Assim o post não ficam tão grande e vocês não são bombardeados com milhões de informações! Sendo assim cá vai o primeiro grupo:

quarta-feira, setembro 16

: Português Suave #4

#1   #2   #3

Deito-me ao lado do meu noivo, noite após noite, mas não é a ele que desejo. Sempre que fecho os olhos vejo-me sentada ao lado de outro, desenhando uma realidade paralela. Nunca me imaginei nesta situação: nesta dualidade de sentimentos; nesta insegurança de não saber que passo dar. Se por um lado gosto das tardes passadas no jardim, por outro gosto da segurança que um amor de anos me traz. Espero o mesmo dos dois, amor e paixão, mas sei que nunca o poderei ter de dois lugares. Não poderei manter duas vidas diferentes, fingindo ser apenas uma. Muita gente diria que eu não me contento com o que tenho. Quem sabe não tenham razão... Talvez eu só esteja bem a desejar aquilo que não deveria querer. Talvez eu esteja fadada a estragar relação após relação. Talvez seja eu a minha pior inimiga. Ou talvez esteja a ser inteligente por, desta vez, dar ouvidos ao meu coração. Todas as noites me sinto sufocar com remorsos, para no dia seguinte desejar viver tudo outra vez. Estou na beira do penhasco e não tarda muito terei que escolher para que lado dar o próximo passo: para a frente, rumo ao desconhecido que me alimenta a alma com paixão; para trás, para os braços do conforto que me acarinha o coração. A loucura apoderou-se do meu corpo e dou por mim a sonhar acordada. Nunca odiei tanto o amor e as loucuras que ele nos faz cometer. Nunca odiei tanto este ser e não ser. Algures no meu caminho o amor deixou de ser a cura para a tristeza, para passar a ser a minha doença. Nenhum remédio me conseguirá curar. No fundo sei bem: já fui longe demais. 

terça-feira, setembro 15

: Recados à Macaquinha [13]



Tenho curiosidade em relação a muitas coisas sobre ti. Mas acho que a maior curiosidade que habita em mim é sobre a tua personalidade. Como serás, como lidarás com as coisas, como irás ver a vida. Não sei se irás herdar de mim a procura constante pelo lado positivo das situações ou se irás herdar o mau humor com que o teu pai fica quando o dia lhe corre do avesso. Talvez herdes as duas coisas e sejas um misto: alguém irritado mas que quer ver o lado positivo. Não sei se irás herdar de mim o gosto pela teoria e pela aprendizagem através dos livros ou se, muito pelo contrário, serás igual ao teu pai e vais querer descobrir tudo com a experiência que só a prática nos dá. Talvez nem sejas nenhum de nós dois. Aliás, espero que não sejas nenhum de nós dois. Quero-te num caminho só teu, numa estrada onde possas fazer as tuas escolhas, sem pensares naquilo que os teus pais foram. Quero-te orgulhosa daquilo que és, independentemente de tudo o que te poderão dizer. Para certas pessoas nunca serás suficiente mas para outras, aquelas que realmente importam, serás tudo mesmo não fazendo nada. Tenho imensa curiosidade em saber como serás. Que caminho irás escolher e em que tipo de pessoa te irás tornar. E mal posso esperar para (te) descobrir.

segunda-feira, setembro 14

: Tenho um humor muito peculiar...


Duas coisas:

- Fui só eu que me ri com esta (re)interpretação da famosa música - Bohemian Rapsody - dos Queen?

- Pior... fui só eu que cantei estas palavras como se pertencessem realmente à dita música?

Para terminar em beleza... A música original!

domingo, setembro 13

: Souveniers do Jardim da Estrela.


No fim-de-semana passado decidimos aproveitar parte do sábado para conhecermos o Jardim da Estrela. Não sabia o que esperar, visto que quase nunca tinha passado pela zona, mas acabei por ser surpreendia pela positiva. Apesar de não ser um jardim tão grande como eu imaginei quando o vi do exterior, é um espaço agradável para passear, para dar de comer aos patos ou para fazer um piquenique. Não sei se é algo regular (ou se tivemos sorte) mas numa das zonas do jardim estava uma feira de artesanato com objectos maravilhosos. Vi umas quantas coisas que ainda hei-de oferecer ao "sobrinho" que o David ganhou quase há um ano. Assistimos ainda a uma parte de um casamento militar que estava a sair da Basílica da Estrela - em frente ao jardim - no momento em que íamos a entrar. Foi bonito ver que as tradições militares ainda se mantêm. 

Mas bom, passemos à parte interessante: as fotografias! Infelizmente não tenho muitas desta vez, visto que a nossa máquina boa decidiu começar a dar um erro que nós ainda não conseguimos resolver. Ainda assim, acho que dá para mostrar um pouco deste pequeno belo pulmão no meio da cidade!

sábado, setembro 12

: Já somos uma centena!!


Tenho andado com a vida a mil à hora enquanto tento não entrar em loucura por causa do meu trabalho [mais especificamente por culpa das minhas colegas] ou, pior ainda, enquanto tento não me reformar por invalidez aos vinte e três anos por culpa de uma dor nas costas que não me larga. Ando tão a leste que quase nem dei pelo aumento de um dígito no número de seguidores. Já somos mais de cem e estou, genuinamente, feliz. É bom saber que existem tantas pessoas que vêem algo bom naquilo que escrevo e que me acompanham diariamente. Espero que continuem por aí que o melhor ainda está para vir!!

Já que estamos numa de festejar deixem, nos comentários, a primeira palavra que vos vem à cabeça em relação ao Marés. Desta vez vale tudo! 



E como uma boa notícia não vem só... descobri que os Muse vêm a Lisboa em Maio de 2016. Já sei o que pedir como prenda de natal!! Quem por aí partilha este mesmo entusiasmo? 

sexta-feira, setembro 11

: Ainda não é meu? Um dia irá ser.


Eu não gosto de apressar nada na minha vida. Tenho objectivos para o futuro, como quase todas as pessoas, mas prefiro viver dia após dia sem pressões. Até agora não deixei nada por fazer ou guardei arrependimentos de ter vivido algo sem sentimento. O passar dos anos não me assusta e sei que vou sempre a tempo de cumprir sonhos. Estabeleço algumas metas - não fosse eu a senhora dos planeamentos - mas não perco o sono se as ultrapassar sem ter alcançado aquilo que desejava. Se não o consegui foi porque segui o caminho errado e é preciso encontrar um novo. Nunca baixo os braços, nem me sinto derrotada. Não gosto de sentimentos negativos. Mantenho-me positiva e olho sempre em frente: Não foi hoje? Talvez seja amanhã.

terça-feira, setembro 8

: Só porque sim.



Digo muitas vezes que este é um blogue que pretendo que seja tanto meu como vosso. Mas a verdade é que sinto que muitos de vocês ainda mal conhecem a pessoa por detrás destas palavras. Visto que devo ser a única blogger que ainda não teve uma entrevista num dos mil blogues que as fazem - olhem bem para mim a fazer-me ao bife - decidi que serão todos vocês a "entrevistar-me". Deixem perguntas - até pode ser em anónimo se tiverem vergonha de perguntar algo em específico - e eu responderei a todas elas. Mas atenção às perguntas que isto ainda há de ser um blogue de família e não quero traumatizar a minha criança daqui a uns bons anos!! 

Agora força nisso e atirem daí perguntas bastante originais!

segunda-feira, setembro 7

: Tenho o coração apertado.


Há mais de vinte anos atrás foi diagnosticada hiperatividade a um primo meu - na altura com dois anos - numa época em que esta palavra ainda era um bicho e não era usada para caracterizar a vivacidade que qualquer criança tem naturalmente. Cresci ao lado dele, visto que convivemos diariamente durante vários anos, e aprendi a compreende-lo. Eu era das poucas pessoas que conseguia acalmá-lo e que conseguia "dobrá-lo" de maneira a que não existissem crises com muita relevância. Gostávamos tanto um do outro que ele era capaz de me ver ao fundo de uma rua e corria como se não houvesse amanhã só para se agarrar a mim. 

Ele foi crescendo e quando dei conta já estava na escola. A professora quase nada podia fazer dele e só o sentando ao seu colo é que conseguia que ele trabalhasse. Demorou mais tempo do que o normal a fazer os primeiros quatro anos de escola mas chegou ao quinto ano feliz por se ter superado. Foi aí que encontrou a primeira escola e a primeira professora que o fizeram sentir-se mal. Numa escola onde não haviam apoios para crianças com dificuldades de aprendizagem ele era visto como mal-educado. Como se ele tivesse culpa da doença que tinha e que a medicação não cura. Nestes casos é preciso uma dose extra de paciência e muito jogo de cintura. Ele foi expulso dessa escola porque uma das professoras simplesmente não conseguiu lidar com aquilo que ele era. Claro que houve culpa dos dois lados mas ainda assim era ela a adulta e não se soube comportar como tal. Ele acabou por ir para a escola onde eu própria andei e aí encontrou um outro rumo. Adaptaram aulas para ele, os professores sabiam como levá-lo a fazerem o que eles queriam sem que fossem directos. E apesar de ainda amar o meu primo foi nessa altura que perdemos por completo o contacto.

Há dois dias atrás entrou um rapaz novo, com cerca de nove anos, no ATL onde trabalho. E apesar de ser uma criança complicada, eu sorri. Ele era tal e qual o meu primo. O comportamento, o olhar sempre activo, a necessidade de descobrir tudo e de mexer em tudo. Durou pouco a minha felicidade. As minhas colegas fizeram uma tempestade e, ao que parece, ninguém sabe lidar com ele. Podem até achar que estou a vangloriar-me mas a verdade é que comigo ele se tem portado bem. Sei como dizer-lhe que não. Sei como conseguir que ele partilhe os seus brinquedos. Mas não consigo evitar a maneira como os outros lidam com ele. Crianças assim não gostam de ser contrariadas ou agarradas. Aliás, nenhuma gosta. Mas estas reagem muito pior. Ficam com raiva e tudo o que está à frente delas voa. Vi tantas vezes acontecer isso com o meu primo... E o meu coração aperta-se de cada vez que vejo as minhas colegas com ar chateado e a dizerem que não vão aguentar um ano com uma criança assim. Dá-me vontade de dar o corpo às balas e dizer que fico ali, que me disponibilizo para ser uma mão extra. Dá-me vontade de abraçar o pequeno e dizer-lhe que ele não tem culpa. Porque não tem. Ele é assim e não o sabe controlar. Não consegue controlar a força, a curiosidade. Não tem noção do perigo, das consequências.

De um lado tenho os meus pequenos, aqueles que acompanho há três anos e dos quais me irei despedir no final do próximo ano lectivo. Do outro tenho a fotocópia do meu primo que, apesar da distância, ainda amo. E estou indecisa sobre o que fazer. Tenho medo de errar no caminho a seguir e de me arrepender. Mas uma coisa é certa: aquele menino precisa de alguém que o compreenda. E, por enquanto, só eu o consigo fazer.

domingo, setembro 6

: Recados à macaquinha [12]


Talvez não venhas a sentir a música da forma como eu a sinto mas, ainda assim, vou querer apresentar-te ao piano. Quem sabe não te apaixonas por ele e não faças das teclas o teu futuro. Oh, não te preocupes macaquinha, não irei obrigar-te a seguir o sonho que eu abandonei: seria injusto para ti ficares presa a algo que não te completa. Mas experimenta aprender a ler uma pauta. Experimenta aprender a saber onde carregares para tocares as melodias que te irão preencher a alma. Experimenta ajudar-me a afinar uma guitarra. Fi-lo vezes sem conta - com o meu professor de música - e deliciava-me sempre que conseguia encontrar a nota perfeita. Sabes, há poucas coisas que nos acalmem tanto como a música. Ou que nos tornem tão pacientes e metódicos. Estaria a mentir se dissesse que não queria que experimentasses o sabor da música. Porque quero. Quero que consigas compreender este meu amor pelos sustenidos, pelos bemóis, pelas pausas e pelo silêncio que diz tanto quanto uma nota. Espero, do fundo do meu coração, que te apaixones por um instrumento. Podes não querer fazer disso a tua vida mas, meu amor, irás encontrar um amigo para a vida. Irás encontrar uma parte de ti que nunca te abandonará. Que estará presente quando precisares de, simplesmente, encontrar paz. Basta pegar nele e tocar. Macaquinha, nada nos liberta tanto quando a música. E eu só espero que um dia queiras descobrir isso. Cá estarei para te ensinar.

sábado, setembro 5

: Ao fim dos azares no amor.


Nunca achei que tivesse tido azar no amor. Tive uma má experiência, sim, mas não posso dizer que tenha tido azar no amor. Fiz más escolhas, tomei más decisões. Conheço, no entanto, duas pessoas que têm genuinamente azar no amor. Uma amiga minha que em duas relações se viu traída, um amigo do David que apesar de ser um bom rapaz não consegue encontrar alguém que lhe dê valor.

Tenho esta amiga há pouco mais de um ano mas vi-a sofrer mais nestes meses do que eu em toda a minha vida. Primeiro a distância provocada pelo Erasmus do (ex-) namorado, depois as discussões por ele estar semanas sem dizer nada. O golpe final foi dado durante as férias quando ele a traiu. Caiu-me tudo e fiquei sem saber como a confortar. Como se conforta alguém a quem foi arrancado o coração? Ela, apoiando-se em todos os amigos, foi buscar forças para se levantar e hoje começa a imaginar um futuro mais risonho.

Ele, colega do David, foi também traído pela namorada que tinha. É um cabeça no ar e está sempre a fazer comentários parvos - muito por causa do que lhe aconteceu no passado - mas, ainda assim, tem um coração de ouro e sei que tratará a futura namorada como uma rainha. Já fui à praia com ele e outros amigos e posso dizer que, mal me conhecendo, se preocupou comigo. Além de que se esforça ao máximo por se portar bem junto de mim. Dou por mim a pensar que ele ainda não deve ter procurado no sítio certo pela rapariga ideal. Ou então anda muito cego e ela já apareceu sem ele dar conta. Cabeça no ar como é provavelmente nem reparava. 

O David já me disse, várias vezes, que temos que juntar os dois. Até é um cenário que consigo imaginar. O rapaz calava-se com as bocas parvas e ela arranjava um rapaz que lhe dava valor a sério. Mas depois lembro-me que a única vez que fiz de cupido correu demasiado mal. Fui óptima a escolher o meu amor para a vida mas sou péssima a escolher o amor para os outros. Se espero que eles os dois encontrem a sua cara metade? Claro que sim. Bem que merecem!

sexta-feira, setembro 4

: Ao teu ritmo.


Fui arrastada pelas minhas amigas até um qualquer bar que eu não conhecia. Ignoravam-me sempre que eu dizia que ficava muito melhor em casa, deitada no aconchego dos meus lençóis. Era sexta-feira e elas proibiram-me de ficar fechada entre quatro paredes, lamentando-me pela relação que não tinha resultado. Apesar de lhes agradecer por me arrancarem da minha letargia sentimental a última coisa que me apetecia era passar a noite a impedi-las de cometer uma loucura, provocada pelo álcool que iam ingerir. O que eu não contava era que assim que lá entrasse o ritmo da música me fizesse sorrir. Vi, pelo canto do olho, que elas sorriam. Sabem bem como me animar. Pedi a minha bebida de sempre - coca-cola para poder conduzir o carro no final da noite - e encostei-me à parede para ver os pares dançarem a kizomba lenta que tinha começado a tocar. Foi nesse momento que te vi, do outro lado da sala. Na tua mão estava uma caipirinha e fiquei com a sensação que me já me observavas à bastante tempo, pela posição que o teu corpo adquirira e pela profundeza do teu olhar. Sorriste-me e ergueste o copo, como quem me saúda. Sorri-te e esse foi o sinal que precisavas para te aproximares. Estavas já à minha frente quando te reconheci: eras aquele tímido amigo do rapaz que um dia amei. A conversa deu-se sem qualquer problema, como se sempre tivéssemos falado. Perguntei-me, mil vezes, porque só agora estava a falar contigo. Com as bebidas terminadas convidaste-me para dançar. Nesta altura já não me lembrava que tinha ido acompanhada até ali e aceitei-a, sem pensar duas vezes. Embrulhaste a minha mão com a tua e eu senti o calor que o teu corpo emanava. Acertámos os passos e dançámos até as nossas pernas doerem. Fluíamos pelo espaço e não pensei uma única vez em tudo aquilo que ainda me magoava. Acordei para a realidade quando senti a mão de uma amiga no ombro. Não dera pelo passar das horas e estava na altura de ir embora. Soltei a tua mão e sorri-te uma última vez, deixando a promessa de que continuaríamos a falar. Afastei-me e, talvez por respeito, ninguém me fez perguntas. Também não precisavam: o meu sorriso denunciava-me. Aquela que começou como uma noite indesejável terminou como uma cura para a tristeza. 

#Fictício

quinta-feira, setembro 3

: Mais de 1000 razões para ser feliz #5


Aproveitar as horas de almoço para estar num sítio calmo a ler.

Desafio encontrado no blogue da Mariana - Colibri

quarta-feira, setembro 2

: Uma dica para vocês.


Eu nem sou de fazer compras online. Comprei capas para o telemóvel pelo ebay e alguns livros através das editoras mas pouco mais fiz. Quando a Maria Francisca do Encontramos em Veneza criou um bazar para vender algumas coisas em segunda mão fui espreitar, por curiosidade, mas apaixonei-me por umas quantas peças.

Arrisquei, até porque ela é super querida, e estou mais do que contente com o modo como tudo se processou. Não só ela me retirou todas as dúvidas que eu tinha como foi super rápida a enviar as coisas que encomendei. Chegou tudo em bom estado e ninguém diria que aquelas roupas e livros tinham sido comprados em segunda mão.

Se ainda não conhecem o bazar dela desafio-vos a verem-no aqui. E se gostarem de alguma coisa não tenham medo de comprar. Com ela é mesmo de confiança!! 

terça-feira, setembro 1

: Português Suave #3

#1   #2

Nunca mais o vi. Parece ironia do destino: brinquei com os sentimentos que habitam à flor da pele e acabei sozinha. Regresso todos os dias ao local onde o olhei pela última vez. Sento-me na relva e, por vezes, dou comigo a pensar que imaginei tudo aquilo que aconteceu. Talvez a minha necessidade de liberdade tenha criado ilusões. Talvez tenha criado a sensação de ter encontrado um oásis que eu deveria manter em segredo. Talvez esteja a ficar louca. Eu já não sou eu. Sou pedaços de história que já nem sei se aconteceram. Sou lembranças de momentos que se perderam naquele pôr-do-sol. Sou cigarros que nunca chegaram a sair do maço, que repousa no bolso das calças de ganga de alguém que não eu. Fecho os olhos. Não... Não pode ter sido imaginação. Como me lembraria dos sons, dos cheiros, do toque do seu braço encostado ao meu? Quem sabe ele tenha conhecido alguém mais interessante, mais simples de compreender. Ou talvez já tivesse alguém e eu não tenha passado de uma distracção momentânea. Não o posso condenar, afinal de contas eu fiz o mesmo. Guardo este segredo dentro de mim e pareço ferver. Nada me alegra, nada me conforta, nada faz sentido. Precisava dele, mais uma vez. Precisava das suas palavras, das suas histórias, da sua forma descontraída de encarar a vida. Talvez seja egoísta este meu pensamento: precisar de alguém. Depender dessa pessoa e obrigá-la a dar-me tudo, mesmo aquilo que não tem. Olho o céu, sem um única nuvem, e pergunto-me o que é feito de mim. A loucura parece ter-se instalado na minha mente e já nada me salvará. Estou prestes a ir embora quando sinto uma mão no ombro. Não preciso olhar para trás para saber quem é. Estou no nosso local, na nossa hora. Sorrio e, mesmo sem olhar para ele, sei que está a sorrir. Não sei o que o fez desaparecer durante estas semanas mas pareço ter esquecido tudo isso. Preciso dele. Sou egoísta, eu sei. Mas durante estas horas nada disso me importa.