sábado, outubro 31

: Quero-te aqui.


Sonho contigo mesmo quando não quero sonhar. Acordo com um arrepio na pele, sem saber como devo lidar com tudo aquilo que habita, secretamente, em mim. Há dias que passam sem que eu me lembre da tua existência. Mas depois basta que digam o teu nome e todo aquele interesse que eu escondo vem ao de cima. É quase como se a minha mente se aliasse ao coração, que sorri assim que te vê. Podias tornar tudo isto mais fácil e cortar com as minhas esperanças. Podias tornar tudo isto mais fácil e trazer-me à realidade. Mas, pelo meio da tua personalidade brincalhona, vejo pedaços de alguém que pode sentir o mesmo que eu. Pela forma como me olhas, como me falas, como me tratas. Talvez sejamos parvos por não aproveitarmos o que podia ser maravilhoso. Talvez... Ora, quem quero enganar? Escondermos os nossos sentimentos está a matar-nos. Sinto-o em mim, vejo-o em ti. Vejo-o na forma como te despedes de mim, de forma demorada. Pela forma como me chamas sempre uma última vez, com um qualquer recado nada importante. Vejo-o no teu sorriso, meio torcido. Nesse teu jeito de ser. Perdoa-me mas vou cometer uma loucura: irei assumir aquilo que me consome. Irei reunir coragem para te dizer tudo aquilo que polvilha os meus sonhos. Só espero que tenhas a mesma coragem que eu. Acredita, juntos estaremos muito melhor.
#Fictício 

sexta-feira, outubro 30

: Um obrigado e um adeus.


Não sei falar sobre desamor. Mesmo quando feres o meu coração, com todo esse teu desapego. Mesmo quando me negas o teu amor, ignorando a minha presença. Não sei olhar para ti com amargura, sem desejar o teu abraço. Sei que nunca mais o vazio nos irá abandonar mas não consigo odiar-te. Amo-te demasiado para isso. Vejo-te, ocupado no teu próprio mundo, e pergunto-me em que momento nos perdemos um do outro. Em que momento seguimos caminhos opostos. Deito-me, sozinha, habituando-me ao frio que a falta do teu corpo provoca. Arrepio-me e recuso-me a lembrar os dias em que este quarto conservava todo o calor dos nossos melhores sentimentos. Recuso-me a chorar as feridas que se foram abrindo. Sempre ouvi que tudo aquilo que começa tem um dia que acabar. Só me resta aceitar que a nossa história acabou e retirar dela as melhores lições possíveis. Eu bem te disse... não sei falar de desamor. Tenho demasiado amor no meu coração: um dia tudo aquilo que sinto fará sentido e deixarei de me sentir a amar em vão. 

#Fictício

quinta-feira, outubro 29

: Só porque sim - Respostas #5


Cá está a última semana de perguntas. Adorei estas cinco semanas em que me dei a conhecer e em que partilhei pormenores sobre a minha vida que muitos de vocês não faziam ideia. Gostei tanto desta "rubrica" que estou a pensar repeti-la daqui a uns meses, o que me dizem? Aderiam ou nem por isso?

Até lá deixo-vos com as últimas respostas:


quarta-feira, outubro 28

: O lado injusto da vida.


Quando se trabalha com crianças é essencial saber mais do que o seu nome. É essencial conhecer os pais, saber como lidar com eles, conhecer as rotinas que têm em casa. Tudo em prol de um trabalho mais eficiente e positivo. Este ano comecei por estar na minha escola de sempre antes de mudar para o meu local de trabalho actual e, por isso, conheci duas meninas que viemos a descobrir serem primas e morarem juntas. A partir daí foi um saltinho até que a tia/mãe nos dissesse que os pais da sobrinha não tinham autorização para ir buscá-la pois o tribunal tinha atribuído a custódia aos tios. Até aí nada de mal, visto que estava bem visível que aquela menina e o irmão estavam felizes com os tios e com os primos. Via-se que a nossa justiça tinha tomado uma decisão inteligente.

Ontem, num mero acaso, encontrei essa mesma tia/mãe na escola onde estou agora. Perguntei-lhe se estava tudo bem e fiquei espantada por ela dizer que ia buscar a pequena dela ao jardim-de-infância. Ainda pensei que a outra menina - a sobrinha - estivesse doente mas, já de lágrimas nos olhos, disse-me que a custódia lhes tinha sido retirada e que a menina e o irmão tinham sido institucionalizados. Caiu-me o mundo aos pés. Que mente inteligente acha que as crianças estão melhores numa instituição sem ninguém da família? Em que planeta isso é o melhor para os pequenos? Ao que parece foi a mãe que, descontente com a decisão do tribunal, decidiu que eles não deveriam ficar com os tios. O lado negativo é que ela própria não tem condições algumas para ficar com eles e só destrói a pouca estabilidade que eles tinham ganho. Disse-me a tia que deposita todas as suas esperanças no pai dos meninos que, aparentemente, reuniu todos os cacos da sua vida e se está a esforçar ao máximo para recuperar os filhos.

É fazer figas para que isto se resolva rapidamente e da melhor forma. Não consigo nem imaginar a tristeza daquelas crianças por terem sido obrigadas a abandonar a família que os acolheu, educou e amparou. Mas uma coisa é certa: confio cada vez menos no nosso sistema de justiça.

terça-feira, outubro 27

: Tenho cinco amores!



Meus ricos Pentatonix que nunca me desiludem. O novo álbum deles ainda agora saiu e eu já estou completamente viciada! Agora resta-me conseguir encontrar o cd - ao vivo e a cores - para que ele venha morar comigo...

Deliciem-se com as maravilhosas músicas que estes cinco interpretaram! A minha preferida? Sem dúvida a If I Ever Fall In Love! Assim que a ouvi tive que fechar os olhos e o meu coração foi arrebatado! 

segunda-feira, outubro 26

: A mudança começa em nós!

Se há coisa que eu não suporto é qualquer tipo de violência. Seja física ou psicológica. Seja entre casais, familiares ou amigos. Não suporto ver alguém a ser rebaixado por algo que faz parte de si. E, felizmente, tenho a sorte de poder agir junto de crianças desde cedo para que aceitem as pessoas como elas são. Sempre que oiço algum comentário maldoso falo com a pessoa em questão e faço-a ver que gozar com alguém magoa. Sempre que rejeitam alguém ou a excluem das brincadeiras faço questão de resolver o problema, para que ninguém fique abandonado num canto do recreio. E dá gosto perceber que aos poucos eles vão percebendo que têm muito a ganhar com a bondade. Dá gosto perceber que vão incluindo todos e se preocupam com terceiros. As crianças são o melhor do mundo, não vou negar, mas podem também ser maldosas. Principalmente se em casa a educação for dada no sentido de excluir todos aqueles que são diferentes. Cabe-nos a nós, adultos, orientar os mais novos para uma sociedade mais inclusiva, mais unida. Quem vai parar o bullying? - é a pergunta que se impõe. E eu respondo: todos nós. Nunca pensem que as vossas palavras são só uma gota no oceano. São essas gotas que farão a diferença!

domingo, outubro 25

: Nós, mulheres, somos mesmo uns bichos estranhos!


Sabem que tiveram um dia completamente cheio quando em poucas horas passam por vários estados: relaxamento, hiperactividade, choque, raiva, tristeza, conformidade, letargia, esperança, felicidade e sonhador. Isto tudo antes da hora de almoço! Não há nada como sentir as coisas ao extremo e sentir necessidade de esmiuçar tudo aquilo que acontece... Obviamente que estou a brincar! Bom mesmo era acontecerem-me as coisas e eu digeri-las como quem come uma bolacha maria. Podia dizer que os meus dias são uma animação mas estaria a mentir: quero uma pausa disto de ser miúda. Já não tem piada...

sábado, outubro 24

: Português Suave #5


Não sei onde ganhei forças mas afastei-me dos dois. Afastei-me da segurança dos anos que recheavam a nossa relação; da insegurança aromatizada pelo fumo dos cigarros que um outro alguém fumava debaixo da árvore. Fiz as malas e saí sem deixar recados. Despedi-me deles no silêncio de tudo aquilo que nunca vou dizer. Cortei as amarras que me prendiam a esta terra e apanhei o primeiro comboio que me levava até ao outro lado do país. Arranquei-os do meu coração à força e ignorei a dor de abandonar quem amamos. Ignorei o sangue que jorrava da ferida que eu própria abri. Eu amei-os, aos dois. Mas nunca em simultâneo. Amei o meu noivo, durante todos os anos em que fomos um só. E depois amei aquele desconhecido que me cativou com um só olhar. Amei-os, em tempos separados. Talvez ainda os ame e sempre vá amar. A distância irá clarificar a minha mente e dar-me as certezas que eu não consegui encontrar. Não tenciono voltar mas será bom perceber qual o lado do meu coração que mais pesa. Será bom terminar com esta loucura de uma vez por todas. Afastei-me. E nunca nenhuma decisão me tinha doído tanto. Sei que irão procurar por mim, sentir a minha falta. Mas irão, mais cedo ou mais tarde, ultrapassar a minha ausência. E essa dor em nada se assemelhará com a da incerteza em que eu os iria fazer viver: naquela corda bamba de quem quer amar mas não sabe escolher. O problema era eu e cortei-o pela raiz. Agora já não há retorno... Toda uma nova vida se abre para mim. Resta-me agarrá-la. Só espero que um dia eles me possam perdoar.

terça-feira, outubro 20

: Bolas, nem o sol é meu amigo!


Estive eu de manhã armada em fada do lar, toda contente por poder deixar a roupa a secar na rua ao sol. Pois que a meio da tarde vejo nuvens negras a pairar sobre a minha cidade e nem uma hora depois cai uma carga de chuva digna de Dezembro. Só não chorei a pensar na roupa porque estava a trabalhar!! Uma colega minha ainda brincou dizendo que assim é uma segunda lavagem. A mim só me apeteceu chorar ainda mais, a pensar no cheiro estranho que fica na roupa. Anda uma pessoa a esforçar-se por ter tudo organizado e o São Pedro prega-me uma rasteira destas. Assim não vale...

domingo, outubro 18

: Só porque sim - Respostas #5


Penúltima semana de Só porque sim. Penúltima semana em que respondo às perguntas que muitos de vocês me fizeram. Tem sido uma experiência bastante gratificante, por saber que me estou a dar a conhecer. Espero, sinceramente, que estejam a gostar desta pequena rubrica tanto quanto eu! 

Agora vamos à parte interessante...

sábado, outubro 17

: Gosto tanto de ser "pobre".

Deparei-me ontem com um vídeo de uma experiência social e não podia deixar de partilhar convosco:


Podem não acreditar mas ainda há umas semanas numa conversa com o David chegámos à conclusão que, na sociedade consumista em que vivemos, quanto mais se tem mais se quer ter. Já poucas pessoas dão valor aquilo que lhes preenche a casa e compram só porque querem e podem; Não porque precisem. A prova está neste vídeo: na zona mais abastada as pessoas enganaram o "cego" enquanto que na zona pobre as pessoas foram sinceras. Claro que apenas mostraram dois casos de cada local - e há excepções à regra - mas é triste constatar a realidade que o mundo vive hoje em dia. Custa-me saber que há pessoas que passam necessidades enquanto outros esbanjam dinheiro em banalidades que só vão usar uma vez. Custa-me saber que há pessoas mesquinhas o suficiente para enganar os mais fracos sem pensar duas vezes. Se isso as ajuda a ser mais ricas? Em dinheiro, talvez. Agora em personalidade... ficam a dever muito!

Já dizia a Floribela (do que me fui lembrar!): "Pobre dos ricos que tanto têem, para que lhes serve tanto dinheiro?"

sexta-feira, outubro 16

: Medo de ser.


Apregoas aos sete ventos que te orgulhas de quem és. Que és segura de ti, do caminho que escolheste seguir. Mas depois escondes-te nesses teus sapatos de salto alto, que dizes fazerem-te mais alta. Terás vergonha da tua altura? Acharás que o teu tamanho te irá definir? Escondes-te por detrás de toda essa maquilhagem desnecessária. Dizes que escondem as pequenas imperfeições. Terás medo que te julguem por teres uma borbulha ou uma mancha? Vestes essas roupas caras que custam mais do que o ordenado de muitas pessoas. Será que pensas ser avaliada se vestires roupas em segunda mão ou de lojas baratas? Talvez me digas que tudo isto faz parte de ti e não o duvido. Mas então não digas que te orgulhas de quem és. Se assim fosse descalçavas os sapatos, limpavas a maquilhagem, não te preocupavas com a roupa que vestes. Se assim fosse não te preocupavas em querer agradar a todas as pessoas, mudando a tua postura a cada passo. Não és segura de ti e provavelmente nunca o foste. Se o fosses não terias que criar tantas máscaras. Desprende-te dessas tuas amarras e experimenta sair à rua de cara limpa, de ténis e com a roupa mais descontraída que encontrares. Não chamarás tanto à atenção, isso é certo, mas aí sim poderás dizer que não tens vergonha de quem és. Só dessa forma provarás que te aceitas com todas as imperfeições que tens. Não tenhas medo de ser, de enfrentar o mundo com todas as armas que tentas dissimular. Sê tu, sem maquilhagens ou disfarces. Nunca ninguém será igual a ti. E, podes até não acreditar, mas isso é uma coisa boa.

terça-feira, outubro 13

: O quadro nunca pintado.


Alma forte em corpo frágil. Dedos ágeis que percorrem as curvas do pescoço e se perdem na pele suave. Sorriso escondido pelos lábios de forma perfeita e tom claro. Cara lavada, como se de uma tela em branco se tratasse, pronta para ser pintada com as melhores cores que existem. Olhas para ela, acabada de acordar, pensando como consegue ser tão graciosa. Caminha pela casa, sem fazer qualquer barulho, admirando-te através dos seus olhos escuros. E tu sentes-te sortudo. Por tê-la; Por ter o seu amor. Admiras a sua leveza e perdes-te no tempo, seguindo os seus passos. Podias ficar ali o resto do dia: simplesmente admirando-a. Mas sabes, ao mesmo tempo, que ela não gosta de ser observada. Gosta de ser livre. Gosta de ser ela a procurar-te. E tu vives na ânsia de que ela corra para o teu abraço; que preencha o vazio que vos separa com o seu corpo. Vives na ânsia de protegê-la dos males do mundo. Não te preocupes, ela vai procurar-te. No final de cada dia ela vai sentir a tua falta, a falta do toque dos teus dedos robustos na sua pele. Vai deixar de ser, por momentos, a mulher forte dando-te espaço para que possas ser o seu herói. Não estragues o seu amor, não partas o seu corpo frágil. Porque se o fizeres nunca mais vais ter oportunidade de ver um quadro tão bonito quanto ela. 

segunda-feira, outubro 12

: Um dia, quem sabe.


Sempre que vamos ao Norte e passeamos pelas aldeias eu e o David conversamos sobre um dos sonhos que temos em comum: restaurar uma casa. Olhamos para as casas abandonadas e ficamos cheios de vontade de pegar nelas para torná-las um lar. Talvez um dia tenhamos hipótese de concretizar esse nosso sonho. Talvez um dia consigamos meter mãos à obra para renovarmos algo que outrora já vivenciara outras vidas. Talvez um dia possamos cumprir mais um sonho, lado a lado. Por enquanto passamos pelas casas e imaginamos tudo aquilo que poderíamos fazer. Sonhar ainda não paga imposto!!

domingo, outubro 11

: Só porque sim - Respostas #4


Estamos a entrar na recta final do Só porque sim. Quando respondo a um novo conjunto de perguntas, todas as semanas, acabo sempre surpreendida. A grande maioria das questões fazem-me parar para pensar. Fazem com que eu reflicta e me questione acerca de coisas que nunca me tinham passado pela cabeça. Esta semana não foi excepção. Descubram agora quais as perguntas deste grupo e ainda mais importante quais as minhas respostas!

sábado, outubro 10

: Recado a terceiros


Chegou a altura de dizer novamente basta. Se não me deixei pisar no passado para quê deixar que o façam agora? Por um trabalho?! Nenhum dinheiro paga a minha sanidade mental... Nenhum dinheiro compensa as coisas que oiço. Basta! Chega de ser a parva que faz sempre o jeitinho. Chega de ser a parva que pensa sempre no trabalho e no bem estar de todos, inclusive no das minhas colegas. Chega de ser a única que é acusada pelos seus erros. Aguentei quase três anos: agora chega. Se me vão odiar ainda mais? Paciência. Assim pelo menos saberei porque raio são venenosas comigo.

quinta-feira, outubro 8

: "Vou apanhá-los todos!!"


Não vale gozar com o que vos vou dizer, sim?!

Quando decidimos começar a comprar novos jogos do gameboy e novas consolas, o David falou comigo e disse que gostava de fazer toda a colecção de jogos do pókemon, visto que foi o ponto alto da sua infância. Eu não me opus e desde aí que é uma busca constante pelos jogos ao melhor preço. Claro está que não demorou muito tempo até que ele me tentasse converter à religião das pókebolas. Ainda resisti ao início mas assim que comecei a jogar tornou-se um vício. Nunca tinha jogado na vida e agora dou por mim a passar horas a tentar evoluir os pequenos bichos e a tentar ganhar crachás. Estou tão viciada que até já sei os nomes quase todos de cor e dou por mim irritada quando perco uma batalha de ginásio. No meio disto tudo quem fica mais feliz é ele, que assim passo-lhe pókemons que no jogo dele não aparecem. Parecemos dois maluquinhos a contrabandear pequenos animais de um lado para o outro!

As outras pessoas da nossa idade saem à noite, casam, têm filhos. Nós criamos pókemons. Também é válido, certo?!

quarta-feira, outubro 7

: Borboletas no peito.


Quando comecei a namorar com o David estava longe de imaginar tudo o que íamos viver juntos. Superámos imensos problemas familiares - de ambas as partes - e acho que foi isso que me fez ter a certeza de que era com ele que eu queria ficar. Ponderámos bastante a questão de morarmos juntos, até porque não é uma decisão que se tome de ânimo leve, mas ao fim de poucas semanas percebemos que se alguém podia fazer isso resultar éramos nós. Após uns tempos de ajustes tenho que admitir que corre tudo muito melhor do que algum dia podia imaginar. Faz em Dezembro um ano que moramos juntos e não podia estar mais feliz pelo passo que demos. Nestas últimas semanas só ele soube como me acalmar e como me ajudar a adormecer. Nestas últimas semanas entregou-me o seu abraço e protegeu-me. E eu, nos momentos em que fechava os olhos, pensava no que seria de mim se ele não estivesse ao meu lado. Sou-lhe grata por muita coisa mas a principal é por ele me amar tanto. Porque a verdade é que não é nada fácil viver com alguém. Mas, ao lado dele, até isso parece simples!

terça-feira, outubro 6

: A vida não é (nada) fácil.


De todas as minhas turmas eu devo ter sido a única pessoa que nunca teve pressa de crescer. Não tive pressa de fazer dezoito anos; Não tive pressa de tirar a carta; Não tive pressa de arranjar um namorado. Aproveitava os meus dias, lia, tocava piano, escrevia, jogava computador. E a vida era fácil assim. Não tinha chatices, não tinha preocupações, não tinha problemas para me atormentarem. Lá acabei por ter que crescer. Tive que deixar a segurança do meu casulo e conheci o mundo. Trabalhei nas férias, fiz voluntariado, descobri tudo aquilo que eu poderia ser. Porque sim, podemos ser muitas coisas ao mesmo tempo. E eu sei tudo aquilo que amo. Mas, no meio de tudo isto, eu não tinha pressa em crescer. Comecei a trabalhar, à séria, e comecei a sentir saudades da faculdade. Cada ano que passa sinto mais. Vejo as pessoas à minha volta, mais novas que eu, entrarem nessa aventura e sinto vontade de voltar atrás. Afinal de contas eu nem queria sair de lá. Há dias em que me pergunto porque raio saí da faculdade. Porque raio me sujeito, diariamente, a colegas que não o sabem ser. Há dias em que chego a casa e me apetece mandar tudo para as urtigas. Mas depois os pequenos dão-me beijinhos de manhã, dão-me abraços e dão-me forças. Há dias em que levantar-me da cama vem acompanhado de lágrimas. Mas depois há pais que me fazem rir. Eu não queria crescer mas, ao mesmo tempo, há tantas coisas boas em ser adulto. Tudo traz responsabilidades, principalmente quando não temos medo de assumir os nossos erros, mas tudo se minimiza quando partilhamos o caminho com quem vale a pena. Se ainda assim me custa ir trabalhar todos os dias? Tenho que assumir que sim. Mas há que erguer a cabeça e focar o olhar naquilo que importa. O resto? Passa-me ao lado...

sábado, outubro 3

: Só porque sim - Respostas #3


Terceira semana, terceiro conjunto de respostas. Esta semana teve perguntas interessantes. Falei sobre uma pessoa importante da minha vida, falei sobre mim, falei para mim. Desliguei-me das tristezas que surgiram nas últimas semanas e foquei-me naquilo que mais faz sentido. 


sexta-feira, outubro 2

: Da minha caixa de memórias [#3]


Para ser mais rápido chegar ao meu novo local de trabalho passo por um espaço aqui da minha cidade denominado de "Quintinha". Lá podemos encontrar imensos animais de quinta - desde vacas até patos - há inúmeros espaços relvados e até um skate park. É, resumindo e concluindo, um dos melhores sítios que há por aqui para se passear. Pois que ao passar por lá, durante esta semana, me lembrei de uma situação que aconteceu lá no ano passado.

A minha cunhada veio passar o dia comigo e decidimos ir dar uma volta à Quintinha para ela a conhecer. Assim que lá entrámos reparámos que algo estranho se passava: afinal de contas metade dos animais andava meio que à solta. Parámos junto ao lago dos patos a observar a égua que bebia lá água. Eis que ela decide atirar-se de cabeça para dentro do lago. Tomou um belo banho e ficou sem conseguir sair de lá. Quando demos conta tínhamos imensas pessoas à volta e um tratador que bem que tentava puxar a égua mas que nem lhe mexia uma pata.

No meio disto tudo veio a situação mais caricata que já lá vivi. E olhem que eu com dois anos corri lá atrás de um pato e tive a queda mais estranha de sempre! Quando olho para trás o que é que estava, literalmente, colado a mim? Um bode!! Enorme!! Não sei como é que não morri de ataque cardíaco naquele exacto momento. Fiquei sem me mexer uns bons minutos até que o bode lá decidiu seguir a sua vida. Agora consigo rir-me da situação mas na altura só imaginava que ele me ia dar uma marrada e atirar-me para o lago dos patos. Com a sorte que eu tenho ainda vinha a égua ter comigo também!