domingo, fevereiro 28

: Shuffle #Fevereiro



Segundo mês do ano, segundo top dez das músicas que mais ouvi. Ao fazer a lista percebi que ando com uma grande queda por músicas francesas e por músicas mais letárgicas. Talvez tenha sido por este mês se apresentar mais cinzento. Ou então é do cansaço que pede, por vezes, músicas mais calmas. Seja como for espero que gostem da selecção que vos fiz! 


(1) Demi Lovato - Stone Cold

(2) Ciara - Paint It, Black 

(3) Coeur de Pirate - Adieu

(4) Major to Minor - Over The Rainbow

(5) Major to Minor - Right Here Waiting

(6) Stromae - Tous Les Mêmes

(7) Muse - Reapers

(8) Muse - The Handler

(9) Pentatonix ft. Lindsey Stirling - Papaoutai

(10) The Civil Wars - Dance Me To The End Of Love

quinta-feira, fevereiro 25

: Como eu vejo as crianças.


De nós, adultos, só precisam de carinho. De amor. De amizade. Precisam de um porto de abrigo, de um local seguro onde chorar quando a vida as magoa. Precisam de alguém que as conheça como a palma da mão e que lhes dê colo sempre que o dia custar a passar. Vão saber ler-nos as expressões e dirão as coisas mais inconvenientes à frente de uma multidão. Irão fazer-nos rir tanto quanto nos irão deixar aborrecidos. Gostam de presentes mas, no fundo, vão preferir sempre a presença das pessoas mais importantes. Irão dar-nos, sempre, abraços e beijos inesperados que nos aquecem o coração. Irão adormecer no nosso colo e aconchegar-se como se a vida delas dependesse disso. Irão querer ajudar-nos em todas as tarefas, para se sentirem crescidos. Vão mentir, de vez em quando, para chamar à atenção. Vão testar limites e não irão aceitar aquilo que temos para dizer. Não se surpreendam. Não se irritem. Falem com elas. Ponham-se ao seu nível e olhem-nas nos olhos. Respondam-lhes às questões, por muito difíceis que sejam. Não as ignorem. Sejam firmes. Criem laços fortes para que a relação seja inquebrável. Acreditem, quando se entregam de alma e coração às crianças elas retribuem com tanto ou mais amor.

Não pensem que elas são  crianças. Aqueles pequenos seres irão ser, um dia, adultos. E cabe-nos a nós ajudá-las a construirem o melhor futuro possível. Amem as crianças que vos rodeiam e não se inibam de lhes mostrar o mundo. Elas agradecem.

quarta-feira, fevereiro 24

: A razão dos meus cabelos brancos...


Podem até não acreditar mas eu nunca precisei que alguém apontasse os meus erros. Sou a primeira a reparar neles - até mesmo quando mais ninguém os vê - e penso tanto sobre isso que acabo por perder o sono ou a vontade de fazer o que quer que seja. Sempre que cometo algum erro, seja no lado pessoal ou profissional, fico a pensar nisso durante dias a fio, a tentar arranjar explicações, a tentar calar as minhas paranóias. Se consigo sempre acalmar-me? Nem por isso. Há situações nas quais penso umas horas e depois não me lembro mais. No entanto há outras que me roubam anos de vida. Se eu fosse mais descontraída decerto não sofreria tanto. Mas também acho que não iria aprender tanto quanto já aprendi. Todos aqueles dias em que o meu coração esteve apertado arranjei soluções, reinventei-me. Fiz uma reciclagem de mim mesma. E, graças a isso, só cometo cada erro uma vez.

segunda-feira, fevereiro 22

: Recados à Macaquinha [20]


Eu não gosto de ficar a pensar muito no futuro por um simples facto: não o posso controlar. Não sei o que me espera daqui a cinco, dez anos. Posso ir construindo o meu caminho, ir tomando as minhas decisões, mas não posso garantir que algo será preto no branco. Gostava de te poder garantir que eu e o teu pai seríamos sempre felizes juntos, mas não te posso prometer algo que pode ser tão frágil como um copo de vidro. O amor é algo delicado que precisa de ser tratado ao longo de toda a vida. Até ao dia de hoje temos conseguido superar os problemas sempre juntos - sempre mais fortes - mas não conseguimos saber o que nos reserva aquele futuro no qual ainda nem pensamos. Posso prometer-te apenas uma coisa: aconteça o que acontecer não deixaremos de estar unidos, como teus pais. Prometo-te que não nos deixaremos levar por hipotéticas raivas e guerras parvas, como eu vejo acontecer com tantos pais no local onde trabalho. Mesmo que a vida crie caminhos separados para mim e para o teu pai posso garantir-te que não me arrependerei de o ter escolhido para dar vida ao melhor de nós - tu. Não irei perder tempo a comprar problemas e a impôr regras impensáveis. Porque, no final de contas, a tua felicidade é a que mais importa. Eu e o teu pai iremos sempre lembrar-nos disso. Juntos ou separados serás, sempre, a nossa prioridade.

Mas, de preferência, sempre juntos. Os três.

sábado, fevereiro 20

: Das coisas que eu vou lendo...


Já li muitos livros ao longo da minha vida. Praticamente todos eles me conquistaram por algo em específico: uma personagem ou pela essência da história. Mas posso dizer-vos que o livro que estou a ler agora - "Filha do Sangue" de Anne Bishop - tem-me conquistado pelos apontamentos irónicos que vai tendo. Propositados ou não têm sido um dos motivos para eu estar cada vez mais encantada com a história.

Atentem neste excerto:

«Saetan, o Senhor Supremo do Inferno, estava calmamente sentado à lareira, um cobertor enrolado à volta das pernas, folheando um livro que não tinha interesse em ler.» (p. 33)

Conseguem imaginar o "dono" do Inferno, enrolado num cobertor em frente à lareira? Até porque o inferno é um sítio deveras frio... Como este há mais alguns excertos que me fizeram reler duas e três vezes, só para ver se tinha lido bem. Não tinha grandes expectativas em relação a este livro mas tem estado a surpreender-me pela positiva!

sexta-feira, fevereiro 19

: Vem e leva tudo o que é teu.


Julgava-me uma pessoa inteligente, atenta aos pormenores, até te conhecer. Fiquei toldada pela paixão, ignorei a voz da razão e pensei ver em ti um arco-íris de felicidade. Como me enganei... Tive pressa em avançar na nossa relação e tropecei em mil mentiras. Fui beliscada pelo teu afastamento e por uma solidão que nunca imaginei. Mesmo quando estavas em casa era como se não fosses mais do que um mero visitante, com horas para voltar à sua vida. Nunca tinha sentido tanta falta de amor na minha vida. E logo vindo de ti, o romântico que não desistiu até que eu lhe entregasse o meu coração. Apanhaste o meu ponto fraco. E o pior de tudo é que eu deixei. Deixei que entrasses na minha vida, que a virasses do avesso e que me deixasses assim. Fui eu que permiti que traísses a minha confiança e que me magoasses. Devia ter-te afastado bem mais cedo. Mas custou, apesar de saber que nunca poderás compreender o que senti. Custou aceitar que me enganaste, que fiquei cega por amor. Mas agora, que deixou de doer, tens tudo arrumado para que saias da minha vida. Não te posso dizer que já não te amo. Mas, depois de um período de luto demasiado grande, percebi que primeiro devo amar-me a mim mesma. A porta da minha casa nunca mais se abrirá para ti.

#história de bolso
#fictício

terça-feira, fevereiro 16

: Recados à Macaquinha [19]



Ainda não sei como te irás sentir em relação à escola. Talvez vás adorá-la, como eu. Ou, quem sabe, irás gostar pouco de aprender teoria, como o teu pai. Irei aceitar tudo aquilo que sentires e irei ajudar-te a seguires o melhor caminho. Terás que completar o secundário - tal como a tua avó sempre me disse - mas não me importo nada que o faças através de um curso profissional que te prepara logo para o mundo real, como fez o teu pai. Se ficarei feliz caso me digas que queres ir para a faculdade? Sim, sem dúvida. Porque sei que podem ser os melhores anos da nossa vida. E, por isso mesmo, quero que dês esse passo em direcção ao teu curso de sonho. Não importa o que os outros digam em relação às tuas escolhas. De que vale fazermos um curso do qual não gostamos verdadeiramente? Sabes o que me disse a mãe de um dos meninos do meu último estágio? "Para aqueles que fazem o que amam há sempre um lugar". Nunca te esqueças deste sábio conselho.

Quero levar-te a visitar as faculdades que mais te agradam para que sintas, bem no teu coração, em qual delas te sentes em casa. Foi o que a tua avó me proporcionou. Visitei duas das faculdades que pus na minha candidatura e foi logo na primeira que me senti em casa. Apaixonei-me pela arquitectura, pelas linhas antigas no meio de uma cidade sempre em mudança e movimento. Apaixonei-me pelo salão nobre e pelo piano no palco. Disse, para mim mesma, que um dia iria tocar nele e só ali faria sentido estudar. Os meus desejos cumpriram-se, com muito esforço da minha parte. Fui feliz ali, durante quatro anos. Toquei, vezes sem conta, naquele piano. Conheci pessoas que me ajudaram a crescer, mesmo que hoje já não façam parte da minha vida. Guardo as memórias mais doces e divertidas de toda a minha vida. Ali ri, chorei, aprendi a gostar de mim. A aceitar-me. Se quero que vivas tudo isto? Sem dúvida! Se vou ser egoísta e obrigar-te a ir para a faculdade? Nem pensar. Longe vai o tempo em que ter uma licenciatura nos ajudava a arranjar trabalho! Irás para a faculdade se assim o desejares. Mas se o fizeres escolhe bem. Para que, por muitos anos que passem, os teus olhos brilhem sempre que a visitares. Para que, por muitos anos que passem, sintas que ali foste feliz. Se assim for saberás que tomaste a melhor decisão da tua vida.

segunda-feira, fevereiro 15

: [ A Talentosa Flavia de Luce ] de Alan Bradley


Este foi um dos muitos livros que comprei à Maria Francisca, na sua loja de artigos em segunda mão online. Primeiro que tudo o título conquistou-me, assim como a sua sinopse. E, apesar do tempo que demorei a lê-lo [por factores exteriores ao livro], não me arrependo nada de tê-lo comprado.

É um romance diferente, em que a nossa protagonista é uma menina de onze anos, apaixonada por química e com o espírito de uma detective. Esta história passada numa Inglaterra da década de 50 faz-nos rir com todas as peripécias que ela vive, faz-nos pensar em quais serão as respostas a todos os enigmas que vão aparecendo, faz-nos querer ter só um pedaço daquela inteligência tão dedutiva. Flavia é uma menina muito perspicaz que não irá descansar enquanto não resolver o estranho homícidio que ocorreu no meio dos pepinos junto à mansão da sua família.

Esta foi uma leitura bastante agradável e deixou-me com vontade de ler mais aventuras da Flavia de Luce porque, decerto, ela se meteu em mais peripécias logo após o desfecho da história! Se tiverem oportunidade de ler este livro decerto irão gostar desta inesperada heroína e quem sabe não se revejam nela!

Seleccionei, especialmente para vocês, dois excertos que para mim se destacaram de todos os restantes:

«- O custo, compreende, de alojar um coração que ainda bate. Dispomos da nossa vida um quadradinho de cada vez. Já não resta muito, pois não?» (p. 249)

«Feely e eu tínhamos ouvido extasiadas quando Daffy nos lera Scaramouche e A Ilha do Tesouro e História de Duas cidades, mas havia alguma coisa em Penrod que fazia o seu mundo parecer tão distante do nosso no tempo como a Idade do Gelo. Feely, que pensava nos livros em termos de andamentos musicais, disse que fora escrito em clave de dó.» (p.259)

domingo, fevereiro 14

: Afinal o meu coração não é de pedra!


Eu não gosto nem desgosto do Dia dos Namorados. Se antigamente me trazia más energias - devido à minha primeira relação - hoje em dia não é um dia que me passe completamente ao lado, visto que me fui tornando mais romântica ao longo dos anos. Só não gosto de ir jantar fora porque está tudo cheio até às costuras e prefiro, mil vezes, fazer um programa caseiro com direito a velas, música que nos agrade aos dois e um bom filme ao serão. Vá, podemos ir dar um passeio à beira-mar ou à beira-rio, que eu não me queixo! Uma coisa é certa, não sou nada exigente neste género de dias porque não acredito que se deva mostrar o quanto se ama alguém apenas numa data em especial. E, por isso mesmo, existe apenas uma regra de ouro - que fiz questão de dizer logo ao David - para que este dia não termine comigo de cara fechada: não há peluches, chocolates ou flores neste dia. Pode dar-me tudo isso em qualquer outro dia do ano. Neste dia gosto de perceber que ele realmente pensou um bocadinho em nós e até prefiro uma carta escrita por ele do que um presente. Manias minhas.

Casalinhos, tenham um bom dia dos namorados. Solteiros, partilhem este dia com os vossos amigos. Afinal não há uma única forma de amar!

sexta-feira, fevereiro 12

: Ao nono dia de Maio [trevas]


Esperei por ti.

Vinhas com um passo mais calmo, mais ponderado. O cabelo vinha penteado e a gravata não podia estar mais alinhada. Hoje tinhas todo o tempo do mundo. Assim que me viste sorriste e após uma breve conversa com um dos empregados vieste ocupar a cadeira à minha frente. Voltaste a pedir desculpa pelo que tinha acontecido no dia anterior e eu deixei-te à vontade, dizendo que o final do chá é demasiado amargo para mim.

Quando dei conta falávamos já há largos minutos. Um chá já me fazia companhia mas eu bebia as tuas palavras. Falaste-me de ti, do teu trabalho, dos teus gostos. E, por fim, da tua família. Da tua mulher e filhos. O meu olhar desligou-se. Por algum motivo tinha acreditado que eras solteiro. Talvez pela falta de anel no dedo ou pelo sorriso travesso que me tinhas lançado. Por algum motivo quis acreditar que o convite para aquela manhã tinha mais intenções do que apenas a retribuição de água espalhada no chão. Enganei-me. Vives uma vida que eu nem sequer imaginei e que me impede moralmente de tentar ser mais do que uma amiga. 

Estou em conflito mas vejo-te a falares alegremente, sem maldade. Nunca me viste como mais do que uma mera desconhecida. Uma daquelas pessoas que se conhece, com a qual se fala e depois se segue o caminho para não mais voltar. Não nos estão destinadas odes, fábulas ou lendas. Somos apenas duas pessoas na esplanada de uma pastelaria. 

Sei tudo isso e muito mais. Consigo empilhar todas as razões pelas quais o destino não nos traçou caminhos paralelos. Mas nada disso me interessa. Quero-te, sem pensar num futuro que poderá nunca chegar. Quero-te agora, no presente, como todos deveríamos amar. Olho para ti e choro. Sofro. Culpa minha, deste meu péssimo hábito de criar histórias na minha cabeça. De imaginar momentos antes mesmo de eles acontecerem. És tão real e ao mesmo tempo tão inalcançável. Nunca devia ter descoberto este novo caminho...

O dia em que te conheci foi, também, o pior da minha vida. 

#fictício 
#histórias de bolso

quarta-feira, fevereiro 10

: Ao nono dia de Maio [claridade]


O dia em que te conheci foi o melhor da minha vida.

Já não me recordo o que me fez passar naquela rua. Talvez me tenha distraído no caminho ou, quem sabe, o meu inconsciente tenha decidido levar-me a ver novas coisas. O certo é que dei por mim à porta de uma pastelaria que parecia convidar-nos a entrar. Não lhe resisti. Foi, sentada na esplanada - na companhia de um chá e de um bolo - que te vi. 

Caminhavas apressado, talvez já atrasado para o trabalho. Tinhas a gravata ainda desalinhada e os cabelos revoltos, por culpa do vento. Ainda assim não parecias perdido. Entraste na pastelaria sem sequer parares a admirá-la, como quem já tem um hábito entranhado. Os empregados sorriram-te e nem te perguntaram o que querias. Eras cliente regular. E eu pus me a pensar que nunca frequentara um local vezes suficientes para que me conhecessem como a palma da mão. Não consigo ser uma criatura de hábitos. 

Já ias a sair, quase a correr, quando um qualquer deus dos clichés fez com que desses um pequeno encontrão à minha mesa, entornando o que restava do meu chá. Desfizeste-te em desculpas que eu não ouvi, presa nos teus olhos escuros e profundos. Só conseguiste captar a minha atenção quando me prometeste um chá, na manhã seguinte. Foste embora e eu sorri. 

Devia ter vindo por este caminho mais cedo...

Continua...

#fictício
#histórias de bolso

segunda-feira, fevereiro 8

: Vou arranjar a bonita...


Tenho que começar este texto por salientar duas coisas. Primeiro, eu juro que não sou protestante nem nada do género. Mas desde há uns tempos para cá deixei de conseguir calar a minha opinião só para ser politicamente correcta. Segundo, não tenho nada contra quem acredita num Deus - seja ele qual for. Até prova em contrário eu não acredito. E é exactamente sobre isso que quero falar...

Há umas semanas atrás acompanhei uma amiga minha ao cabeleireiro onde vamos algumas vezes. Ela ia fazer a manicure e eu aproveitei para meter a conversa em dia com as senhoras de lá, que eu adoro. Mal eu sabia onde me estava a enfiar!! Já nem sei como é que a conversa foi parar a este assunto mas assim que eu disse que não queria casar tudo parou naquele salão. Ninguém acreditou em mim porque todas as mulheres queriam casar. Ahmmm... não! Nunca quis casar e apesar de ter ponderado isso há uns anos atrás - uma altura em que quase todas as pessoas que eu conhecia decidiram casar - acabei por concluir que não era um papel que ia mudar o que quer que fosse. Moramos juntos e daqui a cinco anos é como se tivéssemos assinado qualquer papel que fosse. Ainda me tentaram dissuadir dizendo que ao experimentar vestidos mudava de opinião mas cortei-lhes logo o pio dizendo que já tinha experimentado o vestido da minha mãe e não foi isso que me fez mudar de ideias. Nunca valorizei o casamento, até porque nunca tive o sonho de casar pela igreja. Nunca quis um vestido de princesa ou uma princípe numa carruagem. Sempre fui muito prática e hoje não tenho medo de o demonstrar. Há coisas mais importantes que o casamento. Ter um relacionamento feliz e forte é um deles. 

Mas o pior ainda estava para vir... Começámos a falar de filhos e de baptismos. Eu, como não crente, disse a coisa mais lógica para mim: não quero baptizar um filho meu antes que ele tenha consciência do que está a acontecer. Ficaram todas de queixo caído. Como é que era possível eu não me querer casar e ainda por cima dizer que não ia baptizar um filho meu. Que heresia!! Acusaram-me de ser do contra. Quando lá me consegui explicar disse-lhes:

- O baptismo a mim não diz nada. Fui baptizada e o que mudou isso na minha vida? Nada! Pensando assim claro que poderia baptizar um filho meu, mas irei querer mesmo gastar dinheiro numa festa que envolve algo em que não acredito e para a qual mais de metade das pessoas só vão para comer? Padrinhos não têm que assinar um papel na igreja. Mas atenção... eu não vou privar um filho meu de conhecer a religião, seja ela qual for. E se um dia ele quiser ser baptizado e quiser frequentar a catequese não me irei opôr. Mas lá está, será escolha dele.

Ainda assim não se deixaram convencer e ficaram com a ideia de que eu só as queria chatear, por ser diferente daquilo que elas acreditam. Sei que há excepções à regra e conheço crentes que o são sem terem que ostentar nada. Tal como conheço não crentes que não são capazes de respeitar aqueles que acreditam em algo. Mas será pedir muito que respeitem as minhas opiniões e o meu próprio tipo de crença? Como eu disse há uns anos atrás a uma senhora - testemunha de jeová - não acredito em Deus mas acredito em mim. Porque na verdade só eu posso ser a mudança na minha vida. Ainda hoje é isto que me faz mais sentido.

Agora vá... disparem daí as vossas opiniões.

domingo, fevereiro 7

: Eu só tenho melhores amigos.


Eu nunca gostei do termo "melhor amigo/a". E não, não era por ser daquelas pessoas que vivia sem amigos. Sempre tive amigos (poucos, para ser sincera) mas nunca gostei de destacar nenhum como sendo o melhor. Todos eles estavam na minha vida por serem as melhores pessoas que eu conhecia e não conseguia destacar um deles. Durante um período de tempo fiquei tão próxima de uma amiga que cheguei a pensar que era aquilo ao que chamavam ser "melhores amigos". Mas depois, com o passar do tempo, percebi que todas as minhas amizades me davam exactamente o mesmo: suporte emocional e uma boa dose de felicidade.

Melhores amigos são aqueles que quando nos vêem mal sabem o porquê, mesmo sem ser preciso dizermos nada. Melhores amigos são aqueles que por muito tempo que estejam afastados nunca se distanciam verdadeiramente. Melhores amigos são aqueles que se oferecem para nos defenderem perante alguém mesmo sem saberem o que se passou. Melhores amigos são aqueles que nos abrem os olhos e não temem perder a nossa amizade sendo sinceros. Todos os meus amigos são também meus melhores amigos. E esta é, para mim, a melhor maneira de ver a amizade. De vivê-la.

sábado, fevereiro 6

: O que 2016 me ensina [lição 1]


Há momentos em que temos que saber parar e aprender a pedir ajuda. 
Não somos mais fracos por isso.

quinta-feira, fevereiro 4

: [ Quatro ] de Veronica Roth


Assim que terminei de ler a saga "Divergente" descobri que ainda havia mais um livro, intitulado "Quatro". Este livro aborda, directamente, a história do personagem principal masculino - Tobias Eaton. Sempre que passava pelo livro nas livrarias ficava a namorá-lo mas adiava sempre a compra repetindo a minha mais famosa ladaínha - Não posso comprar mais livros porque tenho imensos na estante em lista de esperaHá quinze dias atrás vi-o mais barato e deixei de tentar resistir-lhe. Trouxe-o para casa e não descansei enquanto não o comecei a ler. Acabei o livro de que vos falei ontem e nem esperei um minuto para pegar nele. Devorei-o em três dias! Podia tê-lo lido mais rápido mas isto de trabalhar e cuidar da casa consome-me todo o tempo livre que tenho...

Este é um livro que apela muito ao nosso lado sentimental e que nos mostra o lado secreto daquele jovem de aspecto sério e rude. Que nos mostra as suas angústias, medos e a forma como ele se tenta sempre superar. Este volume não é tão grande quanto os da restante saga o que é pena porque a forma como a autora escreve é deveras viciante. Dei por mim a sentir-me, ao longo dos capítulos, no centro da acção. A passear pelo fosso, sentada numa cadeira na sala de controlo, a receber os iniciados, a conhecer a Tris.

Para todos os que leram os três volumes principais da saga este livro é, sem dúvida, de leitura obrigatória. Mostra-nos o outro lado da história, algo que normalmente não acontece. Agora só espero que um dia façam a adaptação deste livro para filme e que - por favor - não o estraguem como estragaram o Insurgente! 

quarta-feira, fevereiro 3

: [ O que as crianças nos ensinam ] de Piero Perrucci



Este é daqueles livros que todos os pais, professores e educadores deveriam ler em algum momento da sua vida. De preferência antes de começar a lidar efectivamente com crianças. Numa das minhas muitas idas à biblioteca aqui da cidade, os meus olhos bateram neste livro. Eu, como defensora de que temos muito a aprender com as crianças, não resisti a trazê-lo. Foi a minha melhor decisão.

O escritor para além de psicólogo é pai de dois rapazes. E é como pai que eles nos escreve os vários capítulos. Em cada um deles conta-nos histórias da sua relação com a mulher, com os filhos e com o ambiente que os rodeia. Em cada um deles expõe-nos as suas fraquezas, medos, sentimentos e erros. Em cada um deles nos mostra como ser melhor pai, mãe, professor, educador. Como respeitar as crianças para sermos também respeitados. Alguns dos capítulos não me trouxeram novidades mas na grande maioria percebi o quão errada estava. Ler este livro ajudou-me a ser melhor e desde que terminei de o ler que sinto diferenças no meu trabalho. Pequenas coisas que alterei e que não podiam ter sido mais acertadas.

Escolher os melhores excertos era não dar ao livro o valor que este merece. Não podia seleccionar umas quantas frases e resumir o livro nessas palavras. Este livro merece ser lido do início ao fim. Com calma e tempo. Para pensarmos naquilo que estamos a ler e para revermos as nossas atitudes. Porque a verdade é que quando nos permitimos ouvir as crianças - para além da sua voz - aprendemos muito com elas!

terça-feira, fevereiro 2

: Este videoclipe fala por si...



... e aplica-se a todas as redes sociais!

segunda-feira, fevereiro 1

: Recados à Macaquinha [18]


Não tenhas pressa em procurar o amor. Não tenhas pressa em apresentar-nos um namorado - ou uma namorada, que cá em casa não existem juízos de valor. Nem todos os amores vão ser tão puros e descomprometidos como aquele que eu o teu pai temos por ti. Nem todos os amores te irão fazer sorrir e te irão fazer sentir nas nuvens. Macaquinha, o amor também pode magoar. E eu não quero que sofras cedo demais. Não quero que as dores do coração te condicionem o futuro. Talvez te vás virar para mim e me vás dizer - como eu disse à tua avó - que queres aprender com os teus próprios erros. E aí eu irei dizer-te aquilo que ela me disse: há erros que podemos evitar se ouvirmos os mais velhos. Irás revirar-me os olhos, provavelmente não me irás ouvir e procurarás as tuas próprias respostas. Não há mal nisso. Há sempre um momento na vida em que começamos a seguir o nosso caminho, à nossa maneira. Mas não tenhas pressa. Vive cada ano ao máximo, aproveita a tua juventude para ser a única coisa que nunca mais voltarás a ser: uma jovem sem preocupações. Não queiras ser adulta ainda antes de seres adolescente. Brinca. Salta. Suja-te. Anda de baloiço. Não importa que todos os teus colegas já passem o dia fora de casa, sozinhos. Há tempo para tudo, não queiras crescer à força. Já tive a tua idade e sei que te irás sentir tentada a imitar todos os outros. Irás querer pertencer a um grupo. Talvez vás achar que somos da época passada ou até que encaramos a vida como uns velhos, por não permitirmos que faças tudo o que os outros fazem. Não me importa. Um dia, quando chegares à minha idade, irás compreender todas as nossas atitudes. Tal como eu agora compreendo as dos meus pais. É o ciclo natural da vida, meu amor. E eu estou preparada para o começar a viver.