segunda-feira, março 14

: Máscaras de Hipocrisia


Deixemo-nos de subterfúgios... todos tentamos não assumir publicamente os nossos preconceitos mas, no fundo, todos nós temos pelo menos um. Escondemo-lo com receio de que sejamos olhados de lado. E, provavelmente por isso, tentamos pôr de lado esses pedaços menos bonitos de nós. O mais provável é que não consigamos. A verdade é que o preconceito espreita de cada esquina e dificilmente existirá alguém com um coração tão puro que seja incapaz de julgar algo ou alguém.

Posso dizer-vos que me considero uma pessoa de mente aberta mas, ainda assim, os meus alertas preconceituosos ligam-se de forma demasiado natural quando passo - de noite - por alguém com mau aspecto. E, vez após vez, sinto-me parva porque a pessoa não me fez rigorosamente nada e eu estou a julgá-la pela forma como se apresenta ao mundo. Sinto-me falsa porque ensino as crianças a não julgarem ninguém pela sua aparência. Acabo sempre a pensar como me sentiria se alguém me julgasse a mim, dessa maneira. Se desviasse o olhar. Se, em casos extremos, se afastasse de mim. Mas, ainda assim, não consigo evitar.

Sei que não sou a única a ter preconceitos e que há quem nem sequer os consiga sequer disfarçar. Há quem julgue as pessoas gordas; as pessoas magras. Há quem julgue as pessoas pelas roupas que vestem. Há quem julgue até a educação que pessoas que não conhecem dão aos filhos. Existem preconceitos raciais, religiosos, físicos. Existem motivos demais para não gostarmos uns dos outros!

Se o mundo seria um local melhor se não existissem sempre dedos apontados ou comentários desnecessários? Sem dúvida. Se isso será possível? Definitivamente não. Os anos passam, o mundo evolui (evoluirá mesmo?!), mas os preconceitos fincaram-se na nossa sociedade como as fundações da maior árvore do planeta. Podemos tentar escavar para arrancar o problema pela raiz mas ficarão sempre restícios de uma das piores facetas da humanidade. Resta-nos olharmos para dentro de nós e pensarmos se há motivos para atacarmos pessoas que muitas vezes nem sequer conhecemos. Cada um de nós tem que dar o seu passo em direcção à mudança. E apenas uma coisa é certa: o preconceito é fodido

16 comentários:

  1. Por vezes, e por mais informados que sejamos, sentimos preconceito. É normal, porque na maioria das vezes o preconceito foi-nos incutido muito cedo. Eu acho que não há problema em admiti-lo - temos é que, simultaneamente, admitir que estamos errados e que o problema está em nós, não nos outros. Tal como tu partilho esse preconceito contra pessoas de mau aspeto, motivado pelo medo que sinto. Mas tento, sempre, desconstruir.

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  2. Acredito que todos somos assim... Por mais que tentamos mostrar um pouco de moral, ainda sim foge de nossa expectativa a forma da gente agir ou pensar das pessoas. Ainda sim somos pequenos por sermos falsos com nós mesmo, e por usar mascaras mesmo não querendo.Enfim...Não somos perfeitos...Não existe perfeição nos ser humano.

    Obrigada pela visita anjo. Beijos.

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  3. Estou completamente de acordo. Tento ser o mais livre possível mas também eu tenho os meus preconceitos e felizmente sei identifica-los. Tento ao máximo não deixar que me limitem mas que os tenho, tenho!

    Beijinho

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  4. Por alguma razão a mim estranha, não te seguia. Como assim não te seguia? O meu blogue deve ter perdido um parafuso algures ahah

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  5. Todos nós temos preconceitos! Aquilo que nos distingue é a vontade de os desconstruir e eliminar ou de os manter.

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  6. É fodido mesmo! Às vezes, inconscientemente, acontece-nos coisas assim. Mas à que parar para pensar e retroceder. Tentar mudar. É assim que a Humanidade pode mudar.. Para melhor. Boa reflexão!!!

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  7. Concordo contigo. Afirmarmos que não temos preconceitos é estarmos a mentir, nem que seja a nós próprios.

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  8. É fodido mesmo! Eu pelos vistos tenho o mesmo preconceito que tu ou certos bairros e às vezes sinto-me mal com isso!

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  9. É lixado. Acho que os preconceitos que temos também vêm muito da educação e dos exemplos que tivemos ao longo do nosso desenvolvimento. Mas também podem advir de experiências traumáticas que tenhamos já passado. Por exemplo, já fui assediada imensas vezes fisicamente e de todas essas vezes os homens que o fizeram eram de uma determinada faixa etária e vestiam-se de determinada forma e eu sei que hoje em dia, quando vou na rua, se vejo um homem (ou grupo de) que venha «mal vestido» vou automaticamente sentir medo dessa pessoa. Não pelo que veste em si mas pelo que a sua roupa/estilo me faz recordar. Se for um homem engravatado já não me sinto tão «ameaçada» (não faz sentido, eu sei, porque no final do dia aquele homem engravatado pode ser também um homem «mal vestido» lol). Não consigo decifrar se isto é um preconceito meu ou apenas um trauma mas quando lia o teu texto só me conseguia lembrar deste exemplo/comparação

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  10. Antes de ter este carro (que tranca automaticamente as portas mal começa a andar), sempre que atravessávamos bairros menos "aconselháveis", onde se veem muito "blacks", as minhas miúdas, que me criticam por não esconder que não gosto dos ciganos (são todos uns ladrões do caraças e parasitas da sociedade), iam logo com o cotovelo e, disfarçadamente, trancavam as portas.
    Penso que há coisas que fazem parte da natureza humana e, por muito que lutemos contra elas (e contra nós próprios...), não conseguimos erradicar.
    O preconceito não é algo tipo as unhas, que se cortam. Eu, de um modo geral, sou tolerante com todas as raças e credos. Só não posso é com os ciganos. São ladrões... eheheheh

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  11. Concordo contigo e sinceramente acho que estamos (enquanto sociedade) cada vez pior...

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  12. Como tu disseste, todos temos preconceitos, apenas temos que aprender a viver com eles e saber que muitas das vezes são infundados. Se todos soubéssemos isso, tudo seria melhor.

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  13. Enquanto houver pessoas diferentes umas das outras, vai haver preconceito. É inevitável, as pessoas julgam e criticam o que é diferente. Infelizmente é assim, eu também tenho os meus preconceitos, que por acaso são os mesmo do que descreveste aqui... É um preconceito parvo, porque nunca aconteceu-me nada de mal ao passar por "alguém com mau aspecto" mas é um sentimento que não consigo evitar, por mais que tente.

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  14. Concordo tanto! Ainda há muito, muito preconceito...

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À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?