sábado, março 12

: Sempre de lágrima pronta!


Quando tive a minha primeira espécie de estágio ainda tinha uma fraca resistência aos pequenos jogos psicológicos que as crianças podem fazer connosco. Cheguei até a perguntar à Educadora que estava comigo se essa minha característica se poderia vir a alterar. Ela descansou-me dizendo que com o tempo eu ia aprender a ser mais forte. Não se enganou! Uns meses depois fiz um campo de férias interno, enquanto monitora, e aprendi rapidamente a convencer crianças a comerem, irem tomar banho e a irem dormir. Se foi fácil? Nem por isso! Mas ajudou-me a chegar a esta estabilidade que hoje tenho: sou amiga delas mas não tenho problemas em impôr-me, como adulta que sou.

Se me custa sentar uma criança durante alguns minutos para que ela se acalme? Claro. Se me custa ver crianças a chorarem durante uma birra? Óbvio. Mas também aprendi a compreender que muitas das vezes o melhor é mesmo ignorar o seu choro. Os sentimentos delas são tão válidos quanto os nossos e essa é a única forma delas exprimirem a sua angústia perante algo que não conseguem controlar. Assim que se acalmam é como se nada se tivesse passado e aí, sim, podemos falar com calma. Não vale a pena tentar falar com alguém quando está enervado, seja criança ou adulto! Podem até experimentar tentar falar com uma criança a meio de uma birra e irão ver... provavelmente gritará mais alto!

Este ano tenho, no local onde trabalho, o caso de um menino cujas lágrimas estão sempre prontas a saltar, de modo a conseguir o que quer. Ora chora porque queria uma bolacha e nós dizemos que já não há. Ora chora porque trouxe um brinquedo de casa, partiu-se algo e não há forma de arranjar. Neste segundo caso eu bem tentei explicar-lhe que era preciso uma cola especial para colar a roda e que o pai ia ter em casa. Ele não parava de chorar, sem sequer me ouvir, o que me levou a desistir dessa discussão unilateral. Ficou sempre colado a mim, a chorar, mas passados alguns minutos foi buscar o brinquedo e arrumou-o na despensa do ATL, vindo dizer-me isso mesmo. Demorou algum tempo mas lá conseguiu perceber que não poderíamos fazer nada e que o melhor era resguardar o brinquedo para não se estragar mais. Se ao início ficávamos preocupadas assim que ele começava a chorar e o tentávamos acalmar - o que só piorava tudo! - agora limitamo-nos a deixá-lo acalmar-se por si mesmo. Dito assim até parece que somos insensíveis. Mas não se deixem enganar... se todas as quase cinquenta crianças fizessem o mesmo não tínhamos para onde nos virar. Há situações que se resolvem sozinhas, sem qualquer intervenção dos adultos. E os casos de lágrimas por conveniência é um deles. 

10 comentários:

  1. Tenho observado isso mesmo no estágio, as crianças precisam do seu tempo para se acalmarem. Até podemos intervir em algumas situações, mas, na maior parte delas, não adianta falarmos, tentarmos iniciar um discurso que as leve a compreender o que se passou, porque necessitam de o fazer sozinhas. E se pensarmos bem isso acontece connosco e já somos adultos. Cada um tem o seu ritmo de interiorização e insistirmos para que se acalmem só faz pior, é mais rentável deixarmo-lhes espaço para que o façam por si.

    r: Oh, tão bom que é ler isso, obrigada *.*

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  2. r: Sabes? Acho que não diria melhor, é mesmo esse o problema! Parece que é mais fácil lidar com essa insegurança do que fugir

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  3. Não deve ser fácil entender como lidar com cada um...

    Isabel Sá
    http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

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  4. Também lido com crianças diariamente, e sei que tens toda a razão. É preciso ter muita, muita paciência!

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  5. Por acaso é algo que eu não tinha percebido ainda. Agora poucas vezes lido com crianças e, quando o faço, tenho tido a sorte de não assistir a birras. Quando acontecer vou-me lembrar deste teu texto e deixá-las acalmar-se antes de tentar resolver a situação. É algo que faz todo o sentido :)

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  6. Como dizia a minha mãe:
    - deixa-o chorar que não rasga a boca. ahahah

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  7. É preciso muita paciência para lidar com essas birras :)

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  8. A passar para desejar uma ótima semana!

    Isabel Sá
    http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

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  9. Eu não sou criança mas quando estou enervada e se vêem falar comigo eu berro ahahah. Cada vez que o miúdo chorar mais vale deixá-lo senão piora a situação e é isso que muitos pais deviam fazer (ao invés de berrar e dar palmadas que nem sempre são necessárias)

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