domingo, maio 29

: Gira Sol


O meu olhar procura o sol. Sinto-o a aquecer-me a face e não podia sentir-me mais feliz. Sinto como se aqui estivesses, de dedos entrelaçados no meu cabelo. Sinto-te sentado ao meu lado, perna contra perna. Sinto-me deitada contra o teu peito, aproveitando a vista que este local me proporciona. O sol foge-me por instantes e eu torno a procurá-lo. Sou um girassol. Giro, à procura do conforto do teu calor. À procura da luz que me irá guiar de volta ao teu abraço. Que me irá acompanhar em todo o complicado caminho que ainda terei que percorrer, até ti. O sol gira e eu giro com ele. Continuarei a girar até te encontrar. Até que o nosso reencontro me complete. Gira, sol.
 
#histórias de bolso
#off the records

quarta-feira, maio 25

: Recado de mim, para mim.

Não sei até quando o meu otimismo vai sobreviver. Sempre que me ergo um novo pontapé me atira para o chão. Sempre que sorrio alguma má notícia faz questão de aparecer. Já há muito tempo que não tinha uns meses assim, tão sobrecarregados. Tão cheios de preocupações, stress e mau estar. Já há muito tempo que não me sentia tão desanimada, sem vontade até para fazer aquilo que mais gosto. Mas, como sempre, resta-me encarar estas adversidades de frente, para que consiga resolvê-las o mais rapidamente possível. Como sempre, resta-me respirar fundo e ignorar tudo aquilo que, neste momento, é secundário. Tenho que me concentrar nos momentos bons, nas coisas engraçadas que os meus meninos me dizem e que me fazem esquecer, mesmo que por segundos, todos os outros problemas. Tenho que procurar a fresta de sol por entre as nuvens para recuperar a boa disposição que me caracteriza. Há que descomplicar. Há que procurar o lado positivo. Ou pelo menos tentar.

segunda-feira, maio 23

: Ser papoila saltitante.

 
Sou benfiquista desde sempre. Não porque tenha sido incentivada a isso, até porque excepto eu e o meu pai toda a minha família é sportinguista. Vibro com jogos de futebol desde que me lembro de ser gente. Não falo só dos jogos do Benfica. Falo de futebol em geral. Foi essa paixão pelo desporto que o meu pai me incutiu. E foi com essa paixão que assisti a esta época marcada por reviravoltas e surpresas.
 
O Benfica foi campeão. Tricampeão. Mesmo uma semana depois é estranho dizer isto. Principalmente para mim que fui das que duvidou do Rui Vitória. Que abanou a cabeça em descrença perante aquelas primeiras exibições tão fracas, tão pouco à Benfica. Mas depois cresceram. Os jogadores, o treinador, os adeptos. Decidimos que acreditar era a melhor maneira de conseguir. E acreditámos. Os jogadores acreditaram. O treinador ignorou o que o rodeava - grande Homem - e fez o seu trabalho. Levou-nos ao tricampeonato. É reconfortante ver que o clube do nosso coração mostrou a sua grandeza. Deixa-me feliz poder festejar mais uma vitória. Mais uma de muitas que estarão para vir. Eu já nem ligo assim tanto ao futebol mas sempre que o Benfica estiver envolvido estarei lá, de cachecol ao pescoço. A cantar o hino a plenos pulmões. A ficar arrepiada sempre que vou ao estádio e sinto aquela atmosfera contagiante. Porque este coração de papoila nunca irá murchar.
 
Deixo-vos agora um brilhante vídeo - do Guilherme Cabral - que resume na perfeição tudo aquilo que senti ao longo desta época. Um filme que me deixou a chorar, tal o sentimento que nos passa. Apreciem...
 

sexta-feira, maio 20

: Perto, mas longe.


Começou timidamente, como que ameaçando discretamente. A cabeça começou a andar a mil até ao dia em que chegou a um ponto sem retorno. Afundei-me em mim mesma e não vejo forma de regressar ao ar fresco, que sempre me caracterizou. As preocupações já não me abandonam e vivo com o medo sempre à perna. Arranjo problemas onde não existem e preocupo-me com uma antecedência doentia. Ainda assim tento respirar fundo e preocupar-me menos. Tento, aos poucos, recuperar desta pressão que se abateu sobre mim. Tento compreender-me. Perco tanto tempo a falar comigo mesma. Talvez esteja a ficar maluca, não sei. Talvez esteja a aguentar demasiadas coisas, sozinha. Talvez não seja assim tão saudável mentalmente como pensava. A única coisa que sei é que voltei à época em que apenas o isolamento me deixava feliz. Onde perdi o interesse por tudo o que antes me completava. Onde o meu tempo de concentração se tornou quase nulo e a minha vontade de fazer algo não existe. Acordo a pensar que o que eu mais quero é que chegue a noite para me voltar a deitar. Passo o dia a contar as horas para voltar a fechar-me na minha concha. Aquela concha que sempre me protegeu e que, em certos dias, me culpo por ter abandonado. 

Que isto seja só uma fase, é o que mais desejo. Que os sonhos estranhos deixem de existir. Que este vazio sufocante desapareça, para que eu possa novamente respirar. E eu preciso tanto de respirar...

Sei que tenho andado ausente. Sinto que vos devo um pedido de desculpa mas, no fundo, estou a fazer o que sinto ser melhor para mim. Pus em pausa certas partes da minha vida para poder ter forças para aguentar o que me empurra para baixo. Vou voltando assim, de vez em quando. Sempre que sentir que o blogue me irá acalmar a cabeça e o coração. Obrigada a todos os que não desistirem de mim. Hei-de voltar.

sábado, maio 14

: Sou feliz, no conforto do nosso amor.

Ele, sempre a melgar-me. Foto presente no meu instagram.

 
Há dias em que a rotina nos consome por completo. Podemos tentar evitá-la mas, para a maioria das pessoas que trabalham, os dias de semana tornam-se repetitivos, mecanizados. O mesmo acontece com as relações que temos com as pessoas que nos rodeiam, seja um namorado, um amigo ou até mesmo os nossos pais. Habituamo-nos a ver aquelas caras, a falar com aquelas pessoas. Já nos movemos à vontade, muitas vezes sem trocar uma única palavra. E, quando damos conta, já estamos a dormir e mais um dia acabou. Eu tenho alguns dias assim. Em todos eles sinto que não contribui com nada significativo; Que me limitei a fazer o mesmo de sempre. Nesses dias sinto que não dou ao David o verdadeiro valor que ele tem; Que não sinto a alegria de antigamente, dos primeiros tempos a morar com ele.
 
E é nesses dias que me obrigo a recordar os primeiros dias em que dormimos juntos, em colchões de campismo no chão. É nesses dias que recordo as primeiras refeições feitas a dois, as primeiras rotinas que criámos enquanto um verdadeiro casal. Recordo os ajustes que tivemos de fazer e percebo que já não sei ser a pessoa que era, enquanto solteira. Já não sei o que é viver sem os pequenos momentos a dois. Já não sei o que é viver sem andar sempre a chateá-lo para ter as coisas no sítio. Apercebo-me que gosto, mais do que aquilo que podia imaginar, de tê-lo junto a mim. Todos os dias. Porque basta aninhar-me a ele para que o dia acabe em beleza. E essa é uma rotina com a qual eu não me importo.

quarta-feira, maio 11

: Amor livre. Livre para amar.

Muito se ouve falar do amor sem limites, sem preconceitos, recheado de respeito. Mas, na prática, pouco se vê. Há olhares de esguelha, dedos apontados, comentários depreciativos. Há pessoas que sentem que têem que se esconder, que escondem o seu amor. E eu, que sou a favor do amor sem ligar aos pormenores, fiquei feliz com uma coisa que vi na passada segunda feira.

Junto à estação do oriente vi um casal abraçado. Tudo normal. Era um casal homossexual. Tudo normal também. O que me surpreendeu foi, pela primeira vez, ver um casal homossexual despedir-se com um beijo na boca. Com esse simples gesto mostraram, mais do que nunca, que o amor é para todos. O meu coração aqueceu-se ao vê-los estarem sempre a olhar para trás, enquanto se afastavam um do outro. Fez-me lembrar a minha relação. A relação que parece tão diferente mas que, no fundo, é tão semelhante à deles.

Gosto da ideia do amor. De amar. E eu amo. Se calhar até demais, não sei. Gostava, sinceramente, que o mundo amasse com pelo menos metade da força com a qual eu amo. Gostava que todos nós nos sentíssemos à vontade para amar. Não literalmente no meio da rua (que eu cá não gosto de ver duas pessoas a comerem-se a meio do caminho), mas no sentido fundamental da palavra. Porque amar não está vedado a certas classes. Amar é um direito universal superior a géneros, cores, crenças, idades. Amem! Vivam o amor. Viva o amor!

segunda-feira, maio 9

: Shuffle #Abril


Este mês foi marcado por uma descoberta musical que me aqueceu o coração: Daniela Andrade. Faz cover's de músicas bem conhecidas e tem uma voz tão doce que é capaz de conquistar qualquer um. Tal como a Tori Kelly que nos brindou com uma nova música, em parceria com um outro cantor que adoro, Ed Sheeran. Senti, ao mesmo tempo, falta da minha veia mais rockeira e voltei às origens, ouvindo Metallica e Bon Jovi. Ainda durante Abril os Pentatonix brindaram todos os fãs com uma nova cover, de uma música da Meghan Trainor.

No mês que passou fiquei balançada entre o embalo de uma música romântica e o espírito animal de uma boa música rock. Foi um bom mês para os meus ouvidos, sem dúvida. Espero que gostem desta lista tanto quanto eu!


(1) Daniela Andrade - La Vie En Rose

(2) Metallica - Sabbra Cadabra

(3) Metallica - Nothing Else Matters

(4) Pentatonix - No

(5) Daniela Andrade - Crazy

(6) Daniela Andrade - Creep

(7) Daniela Andrade - Crazy In Love

(8) Tori Kelly ft. Ed Sheeran - I Was Made For Loving You

(9) Bon Jovi - Runaway

(10) Bon Jovi - Wanted Dead Or Alive

sábado, maio 7

: O que a chuva me traz.


Gastámos todos os clichés do amor. Trocámos beijos à chuva, corremos sempre para os braços um do outro, reagíamos de cabeça quente pedindo mil perdões depois. Sempre tarde demais. As mágoas instalaram-se em nós e entrámos num caminho sem retorno. A distância destruiu o que restava de nós, levando aquilo que um dia fomos. Tenho saudades tuas, não vou mentir. Das nossas conversas sobre o futuro, das nossas diferenças que tornavam tudo interessante. Às vezes revejo as fotografias que tirámos. Não para sofrer, nunca gostei de me massacrar, mas para recordar o que de bom tivemos. Entreguei-te corpo, alma e coração. E isso não se esquece facilmente. Não te esqueço facilmente. Foste o meu primeiro amor e contigo gastei todos os clichés dos romances, que se vêem nas prateleiras das livrarias. Contigo fui a louca apaixonada, a menina perdida em tantos sentimentos. Contigo fui alguém que não sabia existir em mim. Obrigada por isso. Quem sabe... os nossos caminhos não se cruzem novamente. E, talvez nesse momento, estejamos preparados para finalmente nos amarmos, como sempre deveríamos ter feito. Hoje, neste dia de chuva, relembro-te. Relembro-nos. Como poderia algum dia esquecer? Afinal de contas foi a chuva que te trouxe até mim, há tantos anos atrás. Estou na janela à tua espera...


#off the records
#histórias de bolso 

quinta-feira, maio 5

: Maldita chuva...


Antes de ir de férias tenho o hábito de ver sempre a meteorologia para os dias seguintes. Não que possa fazer algo caso vá estar mau tempo, mas sempre dá para planear as coisas de maneira diferente, caso seja necessário. Foi o que fiz no início desta semana. Nao dava chuva para estes dias mas, ao que parece, o tempo decidiu pregar-nos uma partida. Ontem bem que vimos o céu a ficar nublado mas nunca pensámos que fosse mesmo chover. Pois que de madrugada ouvimos os primeiros pingos na tenda. Muito contra a nossa vontade tivemos que dar a viagem por terminada visto que só levámos mesmo a tenda e algumas coisas começavam a ficar molhadas, mesmo estando protegidas pelas abas largas que o iglo tem. Estou triste e acredito que vá ficar durante uns tempos. É sempre mau estar a contar com uns certos dias de descanso, longe dos locais de sempre e depois vemos três dias a serem-nos roubados...

O que vale é que aproveitámos ao máximo os dois dias em que lá estivemos e para o mês que vem vai existir um feriado a uma sexta feira, o que nos permitirá fazer uma escapadinha para visitar o que ficou a faltar ver. Assim que conseguir trago-vos o meu diário de viagem e algumas das fotografias que tirei. Fiquei apaixonada por tudo aquilo que vi! 

terça-feira, maio 3

: Hoje à noite fui feliz!



Esperámos e desesperámos. À nossa frente e na fila de trás pessoas irritantes. A acústica do Meo Arena que deixa sempre a desejar. Mas, apesar de tudo isso, só consigo recordar as coisas boas. O trabalho majestoso que fizeram em coordenar som e imagem, criando um ambiente mágico. Os acordes iniciais de cada música que me faziam arrepiar. Fechar os olhos e ouvi-los. Vê-los, ali tão perto. Poder testemunhar os excelentes músicos que são. Que nos fazem querer abanar todo o corpo enquanto cantamos. Aproveitar ao máximo o concerto, sem pegar no telemóvel para tirar fotos ou filmar. Os momentos em que a voz de um Meo Arena completamente cheio ocultava a do vocalista, como se todos nós fôssemos Muse. Aquele ambiente sem preconceitos que juntou todas as idades, todos os estilos, todos os géneros. O meu coração que ficou mais leve agora que cumpri um sonho. Fiquei no meu mundo por quase duas horas e relaxei, como já andava a precisar. Só faltou ouvir a minha música favorita para a noite ser mais que perfeita!

Daqui a umas horas vou de viagem e acredito que a semana irá continuar a ser cheia de momentos positivos. O Alentejo espera-me e eu estou ansiosa por conhecê-lo. Volto no fim-de-semana com as forças renovadas e - espero - vontade de vos mostrar tudo o que está em atraso. Durante esta semana o blogue ficará igual a mim: em pausa.

Tenham uma boa semana! 

domingo, maio 1

: À minha mãe...


Há dias em que me falta o teu colo. Em que apenas o telefone encurta a distância que nos separa, para poder desabafar contigo. Há em dias em que me falta o aconchego da casa onde vivi tantos anos, onde os problemas pareciam menores. Cresci e agora tenho ao meu encargo coisas que nem sequer podia imaginar. Mas revejo-te em tantas atitudes minhas! Na forma como encaro o dia-a-dia, na forma como planeio o meu futuro. Sigo os teus passos, não por obrigação, mas porque são os passos mais acertados que poderia dar. Sou mulher agora. Responsável pelas minhas decisões. Com a cabeça no sítio. Mas há dias em que me apetece regressar ao passado e deitar a cabeça nas tuas pernas. Há dias em que me apetece ser aconchegada. Há dias em que deixo de fingir que consigo fazer tudo sozinha e procuro os teus conselhos. Como sempre procurei. Como sempre irei procurar.


Obrigada por todo o amor incondicional que me deste ao longo destes anos. Pelas noites em que foste ao meu quarto assim que te chamei a primeira vez. Por todas as vezes em que me aturaste quando não me calava. Obrigada por me incentivares sempre a seguir os meus sonhos. Desculpa por todas as dores de cabeça que te dei, por todas as más escolhas que fiz. Obrigada pela tua sinceridade, sempre. Ajudaste-me a crescer e a ser quem sou hoje. Ajudaste-me a ver que o futuro não é garantido: temos que lutar por ele. 


Ainda não sou mãe mas espero, um dia, estar tão presente para a minha filha o quanto tu estiveste presente para mim. Atenta. Carinhosa. Protectora. Porque afinal de contas, ser mãe é injusto: protege-se a nossa cria durante anos para depois termos que a deixar voar. E tu deixaste-me voar, vendo-me partir de sorriso no rosto. De coração apertado, acredito. Mas não te preocupes, mãe, voltarei sempre ao ninho. Para um beijo, um abraço. Para te dar boas notícias. Para te pedir conselhos nos momentos difíceis. Porque posso ter voado mas nunca deixarás de ser o meu mais forte porto de abrigo. Aquele que já resistiu a todas as tempestades possíveis. Onde quer que estejamos, vivemos no coração uma da outra! Para sempre.
Amo-te Mãe.