quinta-feira, agosto 25

: Tenho lágrima fácil.


Só agora, prestes a sair definitivamente do ATL, me estou a dar conta das saudades que vou levar comigo. Claro que eu sabia que me ia custar despedir de algumas famílias e, principalmente, de algumas crianças. Mas há um mês atrás não me permitia perder tempo a pensar nisso. Há um mês atrás não me permitia pensar nas conversas, nos adeus, nas palavras de boa sorte. Há um mês atrás não me permitia pensar nas lágrimas que ia prender. Mas hoje foi o dia de finalmente pensar nisso. Hoje foi o primeiro dia em que tive que enfrentar uma despedida dura, de uma das famílias que mais me acarinhou. Hoje foi a primeira vez em que percebi, verdadeiramente, que os próximos quatro dias vão ser difíceis. Que vou deixar todas aquelas crianças para abraçar um novo desafio. Irei fazer-lhes visitas, estão mais que prometidas, mas nunca mais teremos aquele laço diário que nos uniu durante - em alguns dos casos - três anos. Na próxima quarta-feira, quando a ficha cair por completo, vou sentir o meu coração despedaçado pela saudade. Irá valer-nos a amizade e o carinho que sempre nos uniu. Ficarão os abraços. As palavras doces. Os dias em que eles me fizeram sentir feliz. Ficarão as memórias. 

Agora sim, vai começar a doer.

terça-feira, agosto 16

: Filmes Giros | " A Canção de Lisboa "


No dia em que fizemos seis anos de namoro decidimos ir ao cinema. Olhámos para a lista de filmes e não foi difícil escolher aquele que ia marcar a nossa tarde: A Canção de Lisboa. A famosa música "Será Amor" que passa na Rádio Comercial aguçou a nossa curiosidade em relação a este filme e não resistimos. E que tarde bem passada. As personagens, muito bem construídas, fazem-nos rir do início ao fim. As aventuras do estudante de medicina, bon vivant fazem-nos pensar que todos nós já conhecemos alguém assim, incapaz de assentar. É fácil nos sentirmos identificados com este filme, tão actual.

Eu estava à espera de gostar do filme. Não estava era à espera de gostar tanto! Talvez não seja uma obra-prima mas é um bom filme português, que faz rir, que faz pensar. É um filme recheado de momentos marcantes por bons motivos. Além das músicas pelas quais fiquei apaixonada! Deixo-vos um vídeo da música mais famosa com algumas partes do filme. 


Já mais alguém foi ver o filme? O que acharam?

segunda-feira, agosto 15

: Portas e janelas fechadas.


- Já tomaste a tua decisão não foi?! Não imaginas tudo aquilo que vais perder... 

Disseste a tua última frase, dirigida a mim, como quem cospe todo o veneno que acumulou durante anos no âmago da sua alma. Foram essas palavras que fizeram a nossa vida conjunta passar em frente aos meus olhos. Relembrei o doce início do nosso amor, quando um simples sorriso bastava para que o nosso coração batesse mais rápido. Relembrei aqueles passeios por horas a fio em que trocámos sonhos e entrelaçámos o futuro, desejando que os nossos caminhos nunca se separassem. Relembrei a forma como nos respeitávamos profundamente. Não demorou muito a que esse frágil castelo de cartas ficasse prostrado no chão. Deixaste de confiar em mim e eu tive que aprender a viver na sombra daquilo que queria ser. Tanto que me impedi de fazer para não te chatear. Oh bolas, tanto que eu deixei para trás. Por ti. Pelo amor que te sentia. Que ainda sinto. Mas o amor não chega. Não nestas condições. Desculpa-me mas não sou capaz de viver mais esta vida em constante pausa, ansiando pelo dia em que os teus macaquinhos no sótão irão procurar outra casa para habitar. Estou cansada de ver os meus sonhos escondidos em palavras que não digo. Não há amor que pague a minha liberdidade. Não há amor que pague eu não lutar por tudo aquilo que sempre quis. Não há amor que pague viver prisioneira num relacionamento no qual não sou feliz. Decidir seguir um caminho diferente do teu, por muito que me custe, será provavelmente a melhor escolha que fiz nestes últimos anos. Ainda que o meu coração sangre, pelo amor que ainda nos une: esse sentimento contraditório capaz de me fazer sorrir e chorar no mesmo dia.

Reviraste os olhos, perante o meu silêncio, virando-me as costas e deixando-me sozinha no meio do passeio. Mostraste, com esse simples gesto, que também tu desistias de tudo aquilo que não chegámos a ser. Ainda consegui gritar para as tuas costas as minhas últimas palavras; um tiro certeiro.

- Tu é que não imaginas tudo aquilo que vou ganhar.

E tu nem sequer olhaste. O nós acabou. De vez.

#off the records
#histórias de bolso

domingo, agosto 14

: Afinal a televisão ensina coisas giras!

O meu guilty pleasure deste verão tem sido, sem dúvida alguma, ver a novela que dá à tarde na TVI - Massa Fresca. Só a comecei a ver quando estive de férias em Viseu, visto que só tínhamos quatro canais mas fiquei viciada. Eu e o David. Desde aí não perdemos um episódio. É quase como se voltássemos atrás no tempo, até há época dos primeiros Morangos com Açúcar. Parece que recuperamos a nossa juventude. 

Mas bom, vamos ao que interessa. Gosto bastante da banda sonora que acompanha os episódios. Acho que as músicas foram bem escolhidas e têm uma qualidade invulgar para este género de novelas. Tenho que destacar uma banda bastante original e pouco conhecida, Meio-Irmão. Fiquei fã deles, com músicas alegres e excelentes para o verão ou para qualquer uma das estações.

Deixo-vos o videoclipe da música deles que passa na Massa Fresca. Digam lá que não ficaram cheios de vontade de começar logo a dançar!! Assim se canta em bom português!


sábado, agosto 13

: Tinha mesmo que publicar isto.

Não consigo parar de rir com este gif. Eu agora já estou habituada aos piolhos - força do hábito - mas isto fez-me lembrar tanto algumas colegas minhas.


AHAHAHAHAHAHAHAHAH (...)

: Vivo uma hora de cada vez.

Foto presente no meu instagram.

A minha família tem historial de doenças relacionadas com o stress. Dizem que isto não é coisa hereditária mas há algo em todos nós que nos faz pensar demasiado nas coisas. Claro que não passei ao lado desta "herança" familiar. Há bastantes anos atrás era a minha timidez que punha o meu coração a bater mais acelerado sempre que eu tinha que enfrentar algum tipo de público. Agora é o medo de cometer algum erro no trabalho. Sei que somos todos humanos - e que temos direito a errar - mas trabalhar com crianças, apesar de ser compensador, é também ter sempre o coração nas mãos. Somos nós, na ausência dos pais, os responsáveis. Se quando estagiei isso não me fez confusão - visto que estava sempre acompanhada pela educadora cooperante - agora penso duas vezes antes de tomar alguma decisão. Abro bem os olhos.

Tive, por força do destino, que aprender a controlar o aperto no peito. Que encarar uma hora de cada vez, sem pensar muito no que virá depois. Tive que aprender a respirar fundo e a não ter medo de ser sincera com quem me rodeia, acerca dos meus medos. Eu não estou sozinha na vida, percebi desde há uns tempos para cá. Agora aproveito as pausas para relaxar, pensar em algo que não seja trabalho. Sento-me no chão se for preciso, a apreciar o que me rodeia. Perdi a vergonha e admiti que não sou perfeita. Alguém é?! E desde essa altura senti um peso a deixar os meus ombros. Perdi a ânsia de nunca errar. Deixei, inclusive, de roer as unhas - hábito que sempre associei aos meus estados de ansiedade. Tornei-me uma pessoa com a qual é fácil conviver, simples, de sorriso na cara. Recuperei a essência da estagiária que fui. E não podia ficar mais feliz. Afinal de contas ser estagiária foi, até agora, a melhor experiência da minha vida.

A partir daqui as coisas só podem melhorar. Ou assim espero eu.

sexta-feira, agosto 12

: Pintemos a vida...


... com todas as cores que conhecermos.

segunda-feira, agosto 8

: Das maravilhas portuguesas.

Quando fui de férias para Viseu descobri, graças ao facto de só ter quatro canais disponíveis, que estavam a repetir a temporada passada de The Voice Portugal com uns episódios especiais todas as noites. Confesso que não sou seguidora assídua desses programas e normalmente só vejo mesmo as provas cegas. Desta vez acabei por ver quase a temporada toda e apesar de reconhecer que a Deolinda foi uma justa vencedora tenho que admitir que a voz que mais me fez estremecer foi a do Pedro Gonçalves. Tanto que assim que cheguei a casa fui procurar o canal dele do youtube. Não me desiludiu minimamente. Ele é a prova de que em Portugal também se canta bem. Muito bem!!

sábado, agosto 6

: O cumprir de um sonho.


Não imaginam o orgulho de poder dizer "Sou Educadora". Foi um curso que tirei apenas com o apoio dos meus pais. Toda a restante família me dizia que estava a caminhar directamente para o desemprego. Tive a sorte de só estar parada durante três meses e desde aí o ATL deu-me a oportunidade de estar dentro da minha área. Mas agora... Agora tenho os "meus" meninos, a "minha" sala. Agora sinto que faço realmente a diferença e tento reiventar-me todos os dias. Agora sou enfermeira, aquela que cura os dói-dóis. Agora sou juíza, que resolve as disputas pelos brinquedos. Agora sou a amiga, que dá colo nos momentos em que estão tristes. Sou a professora, que ensina coisas novas. Agora sou a palhaçinha, que os faz rir. Sou a bailarina, que os faz abanar todo o corpo. Agora sou mais do que algum dia fui. Vivo através dos seus risos, sofro com as suas lágrimas. Agora sou a Cláudia que sempre quis ser, desde o dia em que descobri que tinha entrado na faculdade. Agora sou a Cláudia completa, que mostrou a todos os que eram contra que afinal consegui. Sou Educadora.

E, mais do que nunca, me lembro das palavras que uma das mães do meu último estágio me disse: "Cláudia, nunca desista, para aqueles que são bons há sempre um lugar". Obrigada a todos os que acreditaram em mim. Agora já nem me custa levantar de manhã! Finalmente tudo se encaixou.

segunda-feira, agosto 1

: [ Filhos do Abandono ] de Torey Hayden


Tenho imensos livros sobre os quais, cronologicamente, deveria falar primeiro. Quatro, para ser mais precisa. Mas preciso libertar-me do peso da história deste livro em primeiro lugar. 

Para quem trabalha com crianças sabe que a realidade familiar em que elas vivem nem sempre é a melhor. Até quem não trabalha em contextos escolares decerto já se apercebeu de alguns casos, talvez próximos de si. Em quatro anos de trabalho tive a sorte de não me deparar com realidades familiares demasiado pesadas ou onde existisse abuso infantil. Ler este livro da Torey fez-me ficar de coração apertado. Li-o, bastante rapidamente, ansiosa por saber que tudo tinha acabado bem para as crianças sobre as quais ela fala. Nem sempre isso acontece e há muitas vidas que ficam comprometidas logo nos primeiros anos de existência. Mas, neste caso, a acção dela foi bastante importante para as mudanças certas ocorrerem.

Saber que algo semelhante ao que li pode estar a acontecer debaixo do meu nariz faz-me parar e ponderar tudo aquilo que ouvi e presenciei. Abre-me os olhos para pequenos sinais, para possíveis momentos em que terei de ser eu a agir. Não devemos, nem podemos, deixar que as crianças sejam filhos do abandono. Que sofram às mãos de quem deveria cuidar delas. Não devemos, nem podemos, deixar que mais vidas sejam comprometidas. Vidas que têem nelas a pureza de um coração novo. Podemos - e devemos - estar atentos, actuar nos momentos certos, fazer uso do nosso discernimento. Está nas mãos de todos nós dar vida a todas estas vidas.

Este é um livro que não aconselho se forem facilmente impressionáveis. Mas é, ao mesmo tempo, um livro que nos ajuda a crescer e a ver a infância com outros olhos. Nem sempre é simples ser criança...


Em jeito finalizador apresento-vos as duas citações que mais me marcaram ao longo das páginas:

« "Quando a situação já é desesperada, os teus actos não vão agravá-la. Portanto, vale sempre a pena correr o risco, só para veres se tens uma pequena oportunidade de a melhorar." » (página 73)

« "As nossas mentes estão povoadas de coisas estranhas - continuei. - Quando temos de enfrentar um problema muito grave, ele tende a assumir grandes proporções na nossa mente e apenas passa a recordação quando falamos dele. A nossa cabeça é incapaz de se libertar dele por si só, reduzindo-o à dimensão das nossas outras lembranças. Precisamos de falar dele. Dessa forma, ajudamos a nossa cabeça a organizar o que se passou: isso ajuda-nos a compreender como se passou, o que sentimos e o que fizemos. É como se tivesses um cesto enorme cheio de roupa lavada, no meio do teu quarto, a ocupar muito espaço. Vê-lo sempre que entras no quarto e talvez até tropeces nele, se não prestares atenção. Contudo, se organizaes o que está lá dentro: dobrares as toalhas, enrolares as peúgas, podemos arrumar tudo devidamente. É o que se faz com os pensamentos, ao falar. Isso permite-nos arrumar as coisas que nos aconteceram, de modo a deixarem de estar no meio do caminho, sempre que pensamos nelas." » (página 246)