quarta-feira, agosto 30

: Viseu, vejo-te para o ano.

Adenodeiro - Imagem captada em Julho 2016

Este verão foi o primeiro - desde há cinco anos - em que não fomos para Viseu passar uns dias. Foi o primeiro ano em que não fomos para a aldeia absorver a paz que só lá se consegue ter. Foi o primeiro ano em que não fugimos um dia para as piscinas de Lamego e utilizámos a viagem para comprar bôla para toda a família. Não fomos por uma razão muito simples mas, ainda assim, forte: o cachorro ainda é pequeno e mete tudo à boca. Tivemos receio que ele metesse algum tipo de veneno à boca e lá em cima não conhecemos nenhum veterinário que seja perto e esteja 24 horas aberto. Sei que não devemos condicionar desta forma a nossa vida - e que até faria bem ao cachorro aquele ar puro - mas é impossível não tentar antecipar certas coisas. Ele é super curioso e sempre que vamos a casas com quintais é vê-lo a explorar tudo e a trazer na boca desde paus até pequenas laranjas. Daí até meter na boca algo que realmente lhe fizesse mal vai um pequeno passo! 

Para o ano, se tudo correr bem, iremos passar lá uns dias. Ele já vai ter quase dois anos e a segurança já é maior. Até já andámos a estudar os veterinários nas redondezas caso tenhamos algum problema. As nossas únicas preocupações serão ter atenção ao que está no chão - teremos que fazer uma grande limpeza mal chegarmos - e ficarmos por casa nas horas de maior calor. Ainda assim teremos muito tempo para explorar a aldeia com ele; para levá-lo a uma praia fluvial pouco frequentada e onde ele poderá andar mais à vontade. Estou ansiosa por voltar ao Norte. E desta vez iremos super acompanhados!

segunda-feira, agosto 28

: A hora da verdade.


Ora, como prometido, cá estou a responder às vossas questões! Primeiro que tudo obrigada às pessoas que deixaram o seu contributo. Espero que gostem de conhecer-me um pouco melhor.

sábado, agosto 26

: O meu lado verde.


Eu sou apaixonada pela Natureza. Sempre gostei de fazer caminhadas e não me importo nada de passar o dia, por exemplo, num local como a Tapada de Mafra ou a Serra da Arrábida. Gosto de estar imersa no verde. Num dos meus estágios fiz, com as crianças, um projeto sobre plantas. Semeámos feijoeiros, tivemos um tomateiro e até o transplante de uma pequena planta fizemos. A primeira coisa que lhes ensinei foi: não podemos apanhar as flores. Que elas são seres vivos. Que respiram e que se as arrancarmos acabarão por morrer. E eles aprenderam, aos poucos, a apreciar a natureza sem ser preciso sequer tocar-lhe. Começaram a ter prazer de ver algo a crescer, com os cuidados deles.

Nunca fui grande fã de arranjos com flores - daqueles que se compram nas floristas - e por acaso o David também prefere oferecer-me outras coisas. Lembro-me de em miúda ter apanhado algumas flores silvestres, para a minha mãe, quando voltava da escola. Hoje em dia prefiro oferecer plantas num vaso. Plantas e flores que alegrem a casa e durem uma vida. Que estejam vivas e continuem vivas. Se há coisa que eu gosto de defender é os espaços verdes que o nosso país tem para oferecer. Gosto de usufruir deles, mantendo tudo como encontrei. Se todos fizermos a nossa parte o planeta agradece! 

quinta-feira, agosto 24

: Porquê um bouledogue francês?


A minha resposta imediata é Porque não?!  Sei que já falei de todas as restrições que esta raça traz - que não podem ser esquecidas!! - mas não dá para ignorar todos os aspetos bons. É um cão de pequeno porte mas, ainda assim, com força suficiente para brincarmos à vontade com ele. Os meus pais têm um Yorkshire Terrier e se eu o puxo com mais força ele quase que voa! São cães que, na generalidade, são super sociáveis. Brincam com outras pessoas, adoram crianças e normalmente reagem bem a outros cães. Falando pelo meu: só quer brincadeira e mimos! São ótimos cães de apartamento e raramente ladram. Tenho o meu há quatro meses e só o ouvi ladrar meia dúzia de vezes, todas elas em contexto de brincadeira com outros cães/pessoas. Adoram companhia e não se importam nada de ficar o dia todo a dormir! Não requerem passeios muito longos - em horas de calor nem sequer convém tirá-los de casa - e são ótimos para pessoas que, como eu e o David, não são as mais atléticas. Têm um feitio super engraçado e apesar de serem teimosos são relativamente fáceis de treinar, desde que seja feito logo desde início. 

Podia desfiar mais mil e uma razões mas a verdade é que não foi nenhuma destas que me fez trazer o Floki. Eu já adorava a raça mas quando tivemos a oportunidade de ir ver a ninhada dele apaixonámo-nos por todos os bebés. Foi ele que acabou por vir morar connosco e assim que peguei nele ao colo sabia que nunca deixaria de adorá-lo. Faz tontices típicas da idade - sete meses - mas o lado bom tapa por completo o que é menos bom. É uma raça maravilhosa, sem dúvida alguma. 

terça-feira, agosto 22

: Home Sweet Home #9

A casa que comprámos é um típico T2. Sempre tinha sido a nossa ideia e, tendo em conta o orçamento, não encontrámos nenhuma com mais quartos. Para além do nosso quarto temos um segundo espaço que, para já, funciona como escritório/biblioteca/arrumação. Claro que o verdadeiro fundamento dele é ser o quarto de um futuro filho mas até lá vai tendo outro propósito. Tenho pena de não poder ter uma divisão exclusivamente para escritório mas ainda não perdi a esperança de um dia poder adquirir um imóvel com mais divisões! Até esse momento chegar vejo imagens, que me fazem ter mil ideias.


Se calhar enganei-me na área de estudos e deveria ter ido para designer de interiores!!


Gostei especialmente da parede ardósia e da parede cortiça. Fiquei com vontade de transformar uma parede cá de casa!!

domingo, agosto 20

: Na pele de terceiros...


Há uns dias atrás estava à espera do autocarro e, mesmo ao meu lado, falavam duas pessoas. O que elas disseram deixou-me de coração apertado e fez-me repensar em todas as situações em que me queixei da minha vida, sem razões para isso. O senhor dizia que precisava de comprar carne mas que ainda não lhe tinham pago o ordenado. Por essa razão teria que pedir fiado. Já a senhora dizia que tinha de esperar até um certo dia para comprar uma bilha do gás nova, porque era nessa altura que receberia o abono dos filhos. Dava para perceber que eram duas pessoas trabalhadoras mas que, infelizmente, vivem no limite como tantas outras pessoas. 

E eu, que às vezes me queixo que o dinheiro não estica, senti-me uma parva. Porque afinal de contas ainda me posso dar ao luxo de comprar coisas extas; De ir comer fora de vez em quando; De ir fazer uns dias de férias longe de casa. Senti-me parva porque sou uma sortuda. Tenho um daqueles trabalhos "chatos" de segunda a sexta e com um ordenado certo no final do mês. Ouvir aquela conversa abriu-me os olhos. Não sou rica, longe disso. Mas tenho o suficiente para tudo o que precisamos e para ainda conseguirmos juntar dinheiro. Infelizmente nem todos têm essa sorte, seja porque motivo for - não estamos cá para julgar escolhas alheias. Ouvir aquelas palavras fez-me olhar para lá do meu umbigo. Pudesse eu ajudar todas as pessoas...

quinta-feira, agosto 17

: Bichos carpinteiros #4

Num outro post - aqui - disse que adorava a minha casa-de-banho. E adoro mesmo. Gosto das cores que escolheram para os azulejos. Gosto do cinzento na barra. Gosto da cor do móvel, apesar de não gostar do móvel em si. Mas sentia que apesar de ter alguns apontamentos de cor a casa-de-banho estava bastante vazia. Decidi então pegar numa das inspirações presentes no post que vos mostrei acima e adaptar ao espaço que temos!

Antes

Como podem ver tinha muito espaço vazio acima da sanita. Utilizando caixas que tínhamos cá em casa simulámos e depressa percebemos de que mais do que duas caixas iria ficar muito carregado. Também percebemos que não gostávamos de ver as duas caixas na mesma orientação. Decidimos qual seria o tamanho que iríamos querer para as caixas e na visita ao Ikea descobrimos uma que ficava super bem, quando comparada com os azulejos que estão na parte do chuveiro!

Depois


Utilizámos caixas do Ikea (Gabbig) e, visto que aquela parte é em azulejo, em vez de fazermos furos usámos uns ganchos com cola da Tesa, próprios para azulejo, que dão para retirar caso um dia nos fartemos de ver ali as caixas. São do género destes, mas para azulejo! A aplicação é bastante simples e o resultado final deixou-nos feliz. A casa-de-banho não ficou nada cheia - era um receio meu - e as plantas dão ali um toque muito natural. Se eu já gostava desta divisão agora ainda adoro mais lá entrar! 


Gostam da mudança?

quarta-feira, agosto 16

: Bichos Carpinteiros #3

Enquanto o David montava a depensa eu mantive-me entretida com a arrumação de outro local: o armário do corredor. Eu bem o arrumava imensas vezes durante o ano, mas passados poucos meses voltava a parecer um local onde decorreu uma guerra! Irei mostrar-vos a mudança do lado da sapateira -  o mais problemático - mas o lado esquerdo também levou uma grande volta e, em príncipio, já não iremos pôr lá a estante de metal vinda da despensa, que teria como objetivo rentabilizar o espaço! O David inicialmente queria arrancar as gavetas de madeira que pertencem ao armário mas acabou por desistir da ideia porque, apesar de ocupar algum espaço, dão imenso jeito para arrumar papéis e pequenas coisas.

Antes

Era o caos total! Caixas de sapatos amontoadas, sapatos que não cabiam dentro da sapateira empilhados no chão, caixas e caixinhas sem fundamento, sacos com calças que iria mandar arranjar... Tirei tudo para fora e o primeiro trabalho que fiz foi ver que sapatos realmente queria manter ou não. Depois decidi desapegar-me das calças que andavam ali à volta há já quase um ano! Só com isso eliminei imensas coisas que apenas ocupavam espaço e que me faziam sentir vergonha de abrir aquelas portas...

Depois

Já com ideias de fazer esta mudança comprei uma caixa no Ikea para pôr os sapatos que não coubessem na sapateira. Acabei por arrumar lá pantufas/chinelos que são usados pouquíssimas vezes. Consegui tirar os sapatos do chão e guardei lá o meu trolley das compras (sim eu vou muitas vezes às compras a pé e sozinha!!) para estar mais à mão.

Acabei por colocar os papéis importantes (IRS, contas cá de casa,...) em cima da sapateira e arrumei aquele saco, que aparece na primeira foto, dentro do sommier da cama de solteiro, no escritório. Assim tenho o dossier à mão sem estar a poluir a vista! Ainda preciso de comprar outra caixa, igual à que utilizei, para guardar os ténis do David que já não cabem dentro da prateleira dele.

O espaço que está livre do lado esquerdo, em cima da caixa, é o lugar do aspirador que estava no momento a ser utilizado. Em príncipio iremos retirar o varão dos cabides e, caso vejamos necessidade, colocar prateleiras (seguindo o mesmo ideal da despensa) ou então aproveitar a estante metálica.


Gostaram da mudança? Fariam algo para aproveitar melhor o espaço?

terça-feira, agosto 15

: Bichos Carpinteiros #2

Como o prometido é devido cá estou a mostrar-vos um pedaço da renovação da nossa despensa. Foi um trabalho que durou dois dias mas era facilmente feito apenas num. No domingo à noite tirámos tudo da despensa para cima da bancada e da mesa da cozinha e eu nem sei como consegui dormir, tamanha era a confusão! Deu ainda para pintar a parede atrás da estante de cinzento (o tom que está quase por toda a casa) e o David, que não sabe estar sossegado, ainda começou a pintar a ombreira da porta, do mesmo tom. E porquê esta necessidade de colocarmos cor na casa? Ela é toda branca e apesar de eu gostar o David já não é assim tão fã e então chegámos a um compromisso: escolhemos uma cor não muito forte nem berrante, que combinasse com a decoração, que servisse para pequenos apontamentos. 

O antes

Tínhamos uma estante de metal - daquelas mais básicas - que comprámos quando viemos para cá morar para desenrascar, visto que não tínhamos uma grande ideia para a despensa. Como podem ver a estante não utiliza o espaço todo e, para além disso, a parte inferior é tão baixa que a única coisa que cabe lá são garrafões e mesmo assim é preciso deitá-los primeiro. Nesta foto os caixotes da reciclagem já tinham saído da despensa.


O mestre de obras e seu vigia! O Floki é um grande fã de obras cá em casa. Deita-se a olhar para nós e vigia todo o processo. Neste caso o David estava a isolar a parede para depois pintá-la.

Depois de muita pesquisa percebemos que as estantes com medidas pré feitas não iriam dar para nós. O espaço não é assim tão amplo e temos uma caldeira enorme que condiciona, bastante, a altura da estante. Optámos então por comprarmos tábuas de maderia individuais (mandámos cortar ao tamanho certo) e trabalhámos as alturas através disso.

O momento intermédio

Desta forma conseguimos aproveitar o comprimento todo - de parede a parede - e ficámos com uma estante personalizada! Depois do chão ser aspirado e lavado (que aquele pó não saía nem por nada) tinha chegado a altura de arrumar tudo no sítio. 

O depois

Não só deu para arrumar tudo o que lá estava antes como ainda acrescentei os frascos do esparguete e do arroz, que estavam arrumados num outro armário. Conseguimos pôr, debaixo da estante, as caixas para os sacos e a nossa geleira que antes estava escondida dentro da arrumação da despensa, cuja entrada dá para ver do lado esquerdo da fotografia. Num geral ficámos com mais espaço e assim que vimos o resultado final ficámos felizes com a nossa escolha, visto que deu um ar completamente diferente à divisão só pelo facto de termos usado madeira! 

Ficou a faltar comprar frascos para as restantes massas (não comprei ontem no Ikea porque não sabia quantos iria precisar) e ainda vou tentar arranjar uma nova localização para aquele tabuleiro que está no topo da estante, de forma a conseguir criar zonas distintas e separadas para as diversas mercearias. Queremos ainda tentar aproveitar as madeiras que sobraram para criar algumas prateleiras até ao topo na parede esquerda, para arrumarmos ferramentas/materiais dos bonsais do David. Ainda assim noto bastantes diferenças e sinto que estamos no caminho certo!

Sabem qual foi o destino da estante de metal?! O escritório! Está para já a servir como arrumação para a roupa do David. E que bem ficou lá.

O que acharam desta mudança? Acrescentariam alguma coisa?

segunda-feira, agosto 14

: Home Sweet Home #8

A partir de hoje tenho uma semana de férias e, ao contrário da maioria das pessoas, vou aproveitar o tempo para fazer umas mudanças cá em casa. Mais propriamente na despensa. Quando viemos para cá morar comprámos uma estante barata que tem servido para o efeito, até agora. Mas, nestes últimos tempos, tenho sentido que o espaço está super mal aproveitado. Decidimos então que vamos fazer uma visita ao Ikea para estudar as opções e, se tudo correr bem, ficar com uma despensa nova até ao final desta semana!! Se quiserem depois faço-vos um post do antes/depois.

Deixo-vos algumas das inspirações que andei a ver e das quais tenciono adotar algumas ideias.


sexta-feira, agosto 11

: Hoje quem manda são vocês!!


Já há muito tempo que não abro o blogue às vossas perguntas, mas vou sempre a tempo!! Deixo-vos à vontade para me fazerem as perguntas que quiserem, do mais banal até ao mais pessoal. Podem até - caso não se sintam à vontade - fazer-me perguntas em anónimo. Num outro post irei responder a todas as perguntas, sem vos esconder nada! Faz todo o sentido que quem me lê possa tirar algumas curiosidades sobre esta pessoa que vos escreve.


Que venham daí as vossas perguntas. Surpreendam-me!

quarta-feira, agosto 9

: TAG | Irmandade das Blogueiras


Fui nomeada pela Cynthia do blogue Bitaites da Cy e como achei piada à Tag cá estou a fazê-la! As regras dizem que temos que nomear 10 bloggers para responder à Tag mas deixo-vos à vontade para, quem quiser, responder às 10 perguntas que irei deixar no final. Caso o façam avisem-me para eu ler as vossas respostas!

Ficam aqui as minhas respostas às perguntas da Cy:


1. Livro ou filme?
Livro, sempre. Claro que depois vejo sempre a adaptação do livro em filme mas, regra geral, o livro é sempre melhor!

2. Cabelo curto ou comprido?
Gosto dos penteados que o cabelo comprido permite mas não há melhor que a liberdade do cabelo curto. Agora uso-o sempre pelos ombros, no máximo!

3. Aborto: a favor ou contra?
A favor da legalização, contra a liberalização. Acho que o aborto é uma decisão muito séria e deve ser tomada apenas em determinados casos. Infelizmente há muitas mulheres que utilizam este procedimento médico só porque sim... 

4. McDonald's ou Burger King?
McDonald's. Mas verdade seja dita só devo ter ido uma vez ao Burger King!

5. Praticas desporto? Se sim, qual?
Já fiz ginásio, zumba e body combat. Infelizmente agora já não faço nada. Gostava de praticar ténis e yoga e, talvez um dia, arranje coragem e tempo para me iniciar!

6. Carne branca ou vermelha?
Carne branca, sempre. Para além de ser mais saudável é a única que eu como com algum prazer. 

7. Chá ou café?
Chá. De qualquer género. Café, só em gelados. Não gosto nem do cheiro nem do sabor!

8. O que te deixa desconfortável?
Opiniões que não foram pedidas. Não gosto de ser desagradável e isso deixa-me numa posição difícil.

9. Canal onde tens sempre a TV ligada?
Na rádio. Normalmente M80 ou Rádio Comercial.

10. O que não falta na tua cozinha?
Chás. Seja inverno ou verão tenho que ter sempre chá por perto! E fruta, que eu adoro comer logo pela manhã mal acordo.


Deixo-vos agora as minhas dez perguntas:

1. Qual é o teu guilty pleasure?
2. Que livro recomendas a todas as pessoas que leiam?
3. Qual é a tua viagem de sonho?
4. Passado, presente ou futuro?
5. Se pudesses recuperar algum costume do tempo dos nossos avós qual seria?
6. Campo ou praia?
7. Serias capaz de aceitar um trabalho que não gostasses apenas para receberes um bom salário?
8. Quando chegas a casa, ao fim do dia, qual é a primeira coisa que fazes?
9. Que música te ajuda a relaxar depois de um dia difícil?
10. A criança que foste está orgulhosa da pessoa que és hoje?

segunda-feira, agosto 7

: «Deixem-no ser um cão!»




Na boca de muitos somos uns péssimos donos. Deixamos o cão trancado num parque durante o dia. Não o deixamos andar à solta na rua. Somos demasiado preocupados com aquilo que ele mete à boca. Não o deixamos comer nada do nosso prato. Não o deixamos correr durante muito tempo. Não o deixamos saltar. Não o tiramos de casa em dias muito quentes. Na boca de muitos não deveríamos ter um cão.

E eu, que ainda sou nova nestas andanças, ainda me dou ao trabalho de dar explicações. Ainda me dou ao trabalho de falar desta raça - bouledogue francês - e de todas as preocupações que acarreta. Ele não é um cão normal. Se saltar muito e por ter uma coluna por natureza torta pode criar hérnias e ficar paralisado. Se correr muito tempo ou sair à rua com muito calor pode sofrer um golpe de calor e morrer. São cães altamente propensos a alergias e têm que ter uma alimentação super vigiada para prevenir imensas doenças, entre elas as de estômago. Fica trancado sim! Para não estragar nada e, principalmente, para não engolir nada que lhe faça mal. Não o solto na rua. Porque é a raça da moda e sendo tão sociável como é qualquer um o levava - ainda há uns dias dei a trela para a mão do meu pai e lá foi ele, sem olhar para trás sequer! E porque os cães são imprevísiveis, por muito treinados que estejam.

Somos preocupados sim, com razões para isso! Não fui buscar o meu cachorro para depois fingir que não conheço as particularidades da raça. Estudei bem e esperei até ter condições para o trazer para casa. Ao contrário de muitas pessoas não o tratamos como um filho mas tratamo-lo o melhor possível, respeitando as caraterísitcas da raça. Aceitamos todas as críticas construtivas mas detestamos que nos julguem sem terem conhecimento de causa. 
A pior coisa que me podem fazer é tentarem desmandar por cima de mim, no que diz respeito ao meu cão. Normalmente ouvem uma resposta mais azeda e pouco me importa a quem me dirijo. Quem mexe com os meus mexe comigo!

Dizem-nos muito «Deixem-no ser um cão!» eu cá digo «Deixem-nos ser os donos que precisamos ser, porque cão já tenho!». Para já vivo apaixonada pelo meu porquito  e nem me importo com todas as preocupações. No futuro tenciono adotar um rafeirinho. Aí as coisas irão mudar e o cachorro poderá fazer imensas coisas que este não faz. Tudo a seu tempo!

sábado, agosto 5

: Particularidades à la Cláudia #10


Quando era miúda estava sempre a dizer que não conseguia fazer as coisas. Há montes de filmagens em que digo que não consigo subir para a bicicleta ou que não consigo beber água nos repuchos que existem nos parques, por exemplo. Os meus pais sempre me incentivaram a enfrentar esses desafios e, talvez por isso, tenha crescido sem grandes medos. Só não gostava de estar perto de cobras ou aranhas muito grandes, o que ainda hoje se mantêm. Veio acrescentar-se, mais tarde, o nojo às baratas. Nem consigo olhar para imagens sem ficar agoniada!

Com a idade veio uma maior perceção da realidade - porque a verdade é que em crianças não temos real noção de todos os perigos - e um medo absurdo das alturas. Lembro-me perfeitamente do dia em que tive o meu primeiro ataque de pânico por causa disso. Dia da criança, 2011. Eu e o David decidimos ir ao Jardim Zoológico, visto que nenhum de nós lá ia há bastante tempo. Passei o tempo todo a chateá-lo para irmos ao teleférico, que sempre tinha sido a minha parte preferida. Entrei no teleférico toda contente e assim que ele abandonou a plataforma eu ia morrendo. Fiquei feita pedra e o meu coração quase saía pela boca. Estava presa a imensos metros no chão e só conseguia pensar que aquilo ia cair. Fiz a viagem toda sentada no chão do teleférico com o David a tentar acalmar-me. A ânsia de sair dali era tão grande que na chegada ia tropeçando ao sair! A partir daí as alturas deixam-me maldisposta. Se eu souber que estou num sítio com uma grande rede de proteção - como, por exemplo, no Cristo Rei - controlo-me bem. Mas ficar à beira de penhascos, subir a escadotes ou andar em muralhas de antigas fortalezas está fora de questão. As minhas pernas tremem e eu não me consigo mexer. O pior... Não percebo o porquê deste medo, visto que nunca nada de mau me acontece nas alturas! Há coisas que não dão mesmo para explicar...

Nem sempre tive este medo - até já andei de avião em miúda!! - mas quando veio atacou em força. Eu vou tentando combatê-lo aos poucos: até já andei novamente de teleférico, desta vez o do Parque das Nações! Mas é difícil e nem imagino como vivem as pessoas com fobias bem mais graves do que esta...

Por aí, também têm alguma medo/fobia que não consigam explicar?

terça-feira, agosto 1

: Saber estar só.



Gosto de ver todas as cores do mundo. Gosto de descobrir os vários aromas que surgem inesperadamente. Gosto de explorar todos os cantos das ruas, mesmo daquelas que penso já conhecer. Fotografo pormenores que mais ninguém vê ou, quem sabe, fingem não ver. Sou o meu próprio sol e não ligo às pedras do caminho. Tropeço. Caio. Levanto-me. Sigo em frente. Choro todas as lágrimas que preciso chorar, para depois limpar a cara. Ponho o meu melhor sorriso e saio à rua. Sou a minha própria Lua e ilumino as noites escuras. Encontro consolo no silêncio, no relaxe da solidão. Liberto-me de todos os pesos e deixo-me ir. Existo, simplesmente. Sem etiquetas ou preocupações. Sei ser eu, sozinha. Para saber ser eu, com outros. Estar sozinha não me assusta: ajuda-me a crescer.