sábado, agosto 5

: Particularidades à la Cláudia #10


Quando era miúda estava sempre a dizer que não conseguia fazer as coisas. Há montes de filmagens em que digo que não consigo subir para a bicicleta ou que não consigo beber água nos repuchos que existem nos parques, por exemplo. Os meus pais sempre me incentivaram a enfrentar esses desafios e, talvez por isso, tenha crescido sem grandes medos. Só não gostava de estar perto de cobras ou aranhas muito grandes, o que ainda hoje se mantêm. Veio acrescentar-se, mais tarde, o nojo às baratas. Nem consigo olhar para imagens sem ficar agoniada!

Com a idade veio uma maior perceção da realidade - porque a verdade é que em crianças não temos real noção de todos os perigos - e um medo absurdo das alturas. Lembro-me perfeitamente do dia em que tive o meu primeiro ataque de pânico por causa disso. Dia da criança, 2011. Eu e o David decidimos ir ao Jardim Zoológico, visto que nenhum de nós lá ia há bastante tempo. Passei o tempo todo a chateá-lo para irmos ao teleférico, que sempre tinha sido a minha parte preferida. Entrei no teleférico toda contente e assim que ele abandonou a plataforma eu ia morrendo. Fiquei feita pedra e o meu coração quase saía pela boca. Estava presa a imensos metros no chão e só conseguia pensar que aquilo ia cair. Fiz a viagem toda sentada no chão do teleférico com o David a tentar acalmar-me. A ânsia de sair dali era tão grande que na chegada ia tropeçando ao sair! A partir daí as alturas deixam-me maldisposta. Se eu souber que estou num sítio com uma grande rede de proteção - como, por exemplo, no Cristo Rei - controlo-me bem. Mas ficar à beira de penhascos, subir a escadotes ou andar em muralhas de antigas fortalezas está fora de questão. As minhas pernas tremem e eu não me consigo mexer. O pior... Não percebo o porquê deste medo, visto que nunca nada de mau me acontece nas alturas! Há coisas que não dão mesmo para explicar...

Nem sempre tive este medo - até já andei de avião em miúda!! - mas quando veio atacou em força. Eu vou tentando combatê-lo aos poucos: até já andei novamente de teleférico, desta vez o do Parque das Nações! Mas é difícil e nem imagino como vivem as pessoas com fobias bem mais graves do que esta...

Por aí, também têm alguma medo/fobia que não consigam explicar?

4 comentários:

  1. Eu tenho uma fobia enorme a hospitais. Quando a minha avó esteve internada e a ia visitar todos os dias começava logo a sentir-me mal passado um tempo de lá estar. Ficava cheia de calor e com náuseas. Parecia que ia cair ali. Quando isso acontecia tinha de sair dali, bastava ir ao corredor mais próximo que passava logo essa sensação. É super estranho, mas acontece-me sempre que vou a um hospital visitar alguém

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  2. Eu tenho das alturas também. Também nem sempre tive, quando era miúda andei nos teleféricos do Zoo e também nos da Expo, mas, hoje em dia, nem posso pensar em entrar num. A estender a roupa na varanda não posso olhar muito lá para baixo que me começa a afligir. É terrível. E também nunca me aconteceu nada nas alturas!

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  3. Eu também tenho medo de alturas, mas não tenho medo de andar de teleférico, por muito alto que esteja, porque me distraio com as vistas. Mas, por exemplo, tinha medo de subir para a trave em aulas de Educação Física e não eram assim tão altas, mas eu tremia toda...

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  4. Temos, por vezes, medos inexplicáveis. O ser humano é mesmo uma caixinha complexa. Morro de medo de abelhas e, felizmente, nunca fui picada. Para além disso, aranhas, cobras, centopeias, também são bichos para manter bem longe. Fico cheia de comichões só de imaginar.
    Medo de alturas nunca senti, embora também me faça uma certa confusão estar muito perto de penhascos, ou andar em sítios sem grande proteção.

    r: Não conheço muitas, mas tenho tido a sorte de nos últimos anos marcar presença naquelas que conheço. Uma onde queria muito ir era à de Santa Maria da Feira.

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À noite gosto de contar as estrelas que estão no céu e de ver por onde anda a Lua. E tu do que gostas?